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Estudos, praia, surf, o “melhor talento do mundo” e ainda a planta de Marcelo

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Marcos Borga

Inauguração das novas instalações da Nova School of Business and Economics em Carcavelos está prevista para março de 2018. Esta terça-feira, Marcelo Rebelo de Sousa e o ministro da Economia ajudaram a plantar a primeira árvore. Privados já doaram 35 milhões de euros para financiar o campus ao estilo ‘californiano’. O objetivo é chegar aos 50 milhões

Havia uma pá para cada um, mas o Presidente da República foi o primeiro a lançar-se à obra. Nem o fato e gravata, a que o protocolo obriga, nem o sol a pique, de que era impossível se abrigar, atrapalharam a tarefa. Empenhado, foi cravando a pá de um lado e lançando terra para o outro, em cima das raízes da cerejeira, ajudado pelo presidente da Câmara de Cascais, Carlos Carreira. Menos ativos, ainda que de capacete das obras na cabeça, o ministro da Economia, o reitor da Universidade Nova de Lisboa e o diretor da Nova School of Business and Economics (Nova SBE) assinalaram igualmente o momento. “Há quanto tempo não se plantava um campus universitário em Portugal”, comentara antes o reitor da UNL, António Rendas, antes de ser lançada a primeira pedra, neste caso uma árvore, do novo projeto universitário com vista para o mar.

Com um terreno de 90 mil metros quadrados junto à praia de Carcavelos, cedido pela Câmara Municipal de Cascais, e 35 milhões de euros angariados até ao momento, numa campanha de ‘fundraising’ de dimensão inédita para uma instituição de ensino pública em Portugal e que tem como objetivo chegar aos 50 milhões, o novo campus da Nova SBE deverá abrir em 2018.

Santander Totta, Jerónimo Martins, Soares dos Santos, EDP, CTT, Accenture, Ocidental Grupo e outras empresas de maior ou menos dimensão juntaram-se ao projeto, numa parceria em que todos esperam ganhar. A escola porque consegue financiar a construção do campus e contratar “docentes de referência”, e os parceiros que poderão acertar programas de formação feitos à medida das suas necessidades.

Os grandes mecenas e maiores contribuidores para o projeto ganham também direito a dar o nome a um espaço da escola. Haverá o Santander Hall, o grande auditório Jerónimo Martins a biblioteca Teresa e Alexandre Soares dos Santos.

A ideia é também apelar aos antigos alunos, numa lógica de financiamento com pouca tradição em Portugal, mas comum nos Estados Unidos, por exemplo. E é possível, por exemplo, pagar 100 euros e plantar mais uma árvore que terá a referência ao doador.

Os elogios de Marcelo

Numa cerimónia que contou a presença de Pedro Passos Coelhos, primeiro-ministro à data do lançamento do projeto da Nova SBE, e do atual ministro da Economia e ex-aluno da escola, Miguel Caldeira Cabral, o Presidente da República sublinhou a presença de ambos e renovou os votos que já tinha deixado na véspera. “Esta deve ser a postura do Estado”, defendeu Marcelo Rebelo de Sousa, repetindo os termos que aplicara na véspera à área da Educação. “Previsibilidade” e “durabilidade” são princípios fundamentais, voltou a sublinhar.

O Presidente da República, que foi também professor na Nova SBE, elogiou um projeto que não dissocia da “revolução silenciosa”, iniciada ainda pelo governo anterior, e que está “presente nas 'startup', nas microempresas, em muitas pequenas e médias empresas, ligadas a universidades, a centros de investigação que são outro país que está a mover-se, mais jovem e mais virado para o futuro. Mas que só tem condições para se afirmar se não houver alterações de orientação política sensível quando os titulares dos órgãos do poder político mudam”.

Depois, fez questão de elogiar publicamente Carlos Carreiras, explicando porque é que não corria nenhum risco por o fazer. “Um Presidente da República por definição não formula juízos de valor sobre os autarcas, por maioria de razão a um ano das autárquicas, mas formula juízos de facto. E é um facto que o presidente da Câmara Municipal de Cascais é um grande presidente de câmara. Não é uma questão do domínio do juízo de valor, é em quantidade e qualidade de obra feita, do domínio do juízo de facto", disse, sublinhando a visão de futuro de Carlos Carreiras.

DR

Os terrenos da polémica

Assumindo que este é um projeto “estratégico” para o concelho – são cinco mil alunos, portugueses e estrangeiros, que a Nova SBE espera trazer para o campus e que passarão grande parte do dia, a consumir, deslocar-se ou mesmo a morar no município de Cascais – Carlos Carreiras desvalorizou a controvérsia em torno dos terrenos, que foram expropriados e oferecidos à faculdade.

“Vários ex-proprietários estavam com graves problemas económicos e financeiros, havia terrenos com duplas e terceiras hipotecas. A única solução possível para executar um projeto que era estratégico para o concelho era avançar com a expropriação. Os terrenos já são posse da câmara e podiam ser dados. Aguardamos serenamente a decisão que vier a ser tomada pelo tribunal arbitral sobre o valor devido aos ex-proprietários”, explicou Carlos Carreiras.

A discórdia sobre o valor a pagar permanece, sendo que um dos montantes em cima da mesa, de oito milhões de euros, é contestado tanto pela autarquia como pelos antigos donos. “Não acreditamos que venha a ser esse o valor, mas temos recursos suficientes para essa situação se vier a ocorrer”, garantiu Carlos Carreira

Estudos, praia e surf. E o melhor talento do mundo

A Nova SBE, que juntamente com outras escolas de gestão em Portugal tem ganho projecção e visibilidade internacionais muito graças às acreditações, parcerias com outras escolas de renome e lugares nos rankings que vai conquistando, acena com estas características, mas não só. “O espaço é o local perfeito para atrair o melhor talento do mundo”, dizem os responsáveis.

A ideia é simples. Se muitas instituições na Califórnia venderam o clima e as praias da região como um cartão de visita, também a Nova SBE pode vender o estilo de vida “cascalense”, “único na Europa”, e atrair alunos e professores. As instalações terão um acesso directo à praia, ginásio e uma ‘surf house’.