Siga-nos

Perfil

Expresso

Sociedade

Raparigas com melhores resultados a leitura que os rapazes

  • 333

Nuno Botelho

A média dos rapazes portugueses nos testes internacionais PISA no domínio da leitura foi uma das mais baixas nos países da OCDE e parceiros em 2012, só à frente dos suecos. Rapazes tendem a ser melhores que as raparigas a matemática

“Números, letras ou tubos de ensaio?” É este o título do novo estudo do projeto AQeduto, que analisa os resultados dos diferentes países que participaram nos testes internacionais do Programme for International Students Assessment (PISA) em 2012, uma parceria entre o Conselho Nacional de Educação (CNE) e a Fundação Francisco Manuel dos Santos. O estudo será apresentado esta segunda-feira no CNE, em Lisboa, e mostra que em Portugal, os resultados médios nos domínios da matemática, leitura e ciências são coincidentes, abaixo do valor médio de referência (500).

Em todos os países do estudo, incluindo Portugal, as raparigas reveleram um desempenho médio no domínio da leitura muito superior aos rapazes em 2012. O caso português é paradigmático, onde a diferença entre a média dos rapazes e das raparigas é bastante acentuada (39 pontos) e agravou-se relativamente aos resultados de 2000 (25 pontos).

Enquanto as raparigas ultrapassaram as fasquia em todos os países representados no estudo (situando-se, em Portugal, nos 508 pontos), no caso dos rapazes apenas a Irlanda apresenta uma pontuação superior ao valor médio de referência. No nosso país, aliás, a média dos rapazes a leitura é muito baixa (468), apenas à frente dos suecos.

Mas a matemática a situação inverte-se. Os resultados dos rapazes tendem a ser ligeiramente superiores aos das raparigas, sendo Portugal um exemplo disso: os rapazes (493) estão 11 pontos à frente das raparigas (481), ainda que estejam todos abaixo do valor de referência. Mas esta conclusão não é válida para todos os países estudados. Em países como a Suécia e a Finlândia, por exemplo, os resultados são semelhantes. Já em ciências o desempenho entre rapazes e raparigas é mais equilibrado na maioria dos países do estudo, à exceção da Finlândia, onde as raparigas se destacam.

Matemática é domínio onde menos escolas portuguesas são melhores

Cerca de 70% das escolas portuguesas apresentam pelo menos um domínio com um score acima do valor médio de referência. Matemática é a literacia onde menos escolas obtêm o melhor resultado e a leitura ocupa o primeiro lugar, com 37% das escolas a destacarem este domínio em relação a ciências ou matemática.

No estudo, os autores relacionam o meio social, cultural e económico com a sua pontuação média nos vários domínios (leitura, matemática ou ciências): todas as escolas localizadas em meios muito favorecidos mostram, pelo menos, um domínio com desempenho médio acima de 500.

“No entanto, o que é realmente de destacar é que 59% das escolas inseridas em meios muito desfavorecidos e 77% das escolas localizadas em meios sociais de nível moderado conseguem ultrapassar este valor de referência em pelo menos um dos domínios”, escrevem os autores do estudo.

Chumbar, trabalhar e recuperar?

Comparando os alunos que frequentam o 9º ano por já terem chumbado um ano e os que, estando no mesmo ano, nunca chumbaram, o estudo recupera uma conclusão de estudos anteriores: chumbar não parece contribuir para que os alunos recuperem o seu desempenho em nenhum dos domínios avaliados. Além disso, aqueles que já chumbaram têm os piores resultados em todos os domínios (matemática, leitura e ciências). Portugal é um dos países onde esta diferença é maior, a começar pela matemática (64 pontos de desfasamento), embora na leitura e ciências essa diferença também seja considerável (50).

Mais expectável é a relação entre a perseverança e os resultados obtidos pelos alunos: na maioria dos países existe a capacidade de não desistir leva a melhores resultados. Portugal insere-se nesse lote (e é o país onde os bons alunos mais trabalham em relação aos menos bons), embora não haja uma diferença entre disciplinas: são os melhores alunos que mais trabalham fora da escola. Mas a Finalândia, República Checa, Dinamarca, Suécia e Polónia contrariam esta tendência, exigindo mais trabalho extra aos alunos com piores resultados.