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Mais de metade dos militares do curso de Comandos já desistiu ou foi eliminado

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Marcos Borga

Dos 67 formandos que iniciaram o 127º curso de Comandos apenas permanecem 30. Conclusões da investigação sobre as mortes de Hugo Abreu e Dylan Silva serão conhecidas até ao final do ano

O Exército informou esta segunda-feira à noite que mais de metade dos militares do 127º curso de Comandos já desistiu ou foi eliminado. Dos 67 formandos, prosseguem apenas 30.

“Informa-se que, aos 17 militares (1 Oficial, 4 Sargentos e 12 Soldados) do 127º Curso de Comandos que desistiram até 15 de setembro de 2016, cuja informação já tinha sido veiculada, desistiram mais 9 militares (1 Oficial e 8 Soldados) e foram eliminados 9 militares (1 Oficial e 8 Soldados)”, esclarece o Exército em comunicado para as redações.

Também esta noite, o Exército enviou um outro comunicado em que faz referência às mortes de Hugo Abreu e Dylan Silva, ambos de 20 anos, no segundo dia deste curso. “Os Processos de Averiguações encontram-se em fase de instrução, e nos mesmos visa-se apurar, com rigor e transparência, as circunstâncias em que ocorreram as mortes dos dois militares e a eventual existência de indícios de responsabilidade disciplinar imputável a qualquer militar”, informa.

O Exército pediu ao INEM e aos hospitais do Barreiro, onde Dylan Silva deu entrada depois das 23h do dia 4 de setembro, e Curry Cabral, para onde foi posteriormente transferido por insuficiência hepática (Hugo Abreu morreu ainda no campo na mesma noite de domingo) “o envio dos relatórios que por estes terão sido elaborados sobre a assistência prestada aos referidos militares e irá solicitar os relatórios das autópsias logo que estes estejam concluídos”.

“A Inspeção Técnica Extraordinária, determinada por Sua Excelência o General Chefe do Estado-Maior do Exército, está a ser conduzida pela Inspeção-Geral do Exército e incide sobre o processo de seleção para a frequência do curso e referenciais do Curso de Comandos, tendo, para esse efeito, sido constituída uma equipa multidisciplinar”. As conclusões da investigação sobre as mortes de Hugo Abreu e Dylan Silva serão conhecidas até ao final do ano.

Ainda segundo o mesmo documento, não houve suspensão de funções de qualquer militar ligado ao curso. “Não tendo sido constituído como arguido qualquer militar, não existe fundamento para a suspensão de funções”.