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O novo feminismo

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ILUSTRAÇÃO MÁRIO HENRIQUES

Cresce nas redes sociais em vez de estar centrado na academia. É menos político e mais comunitário. E aceita todo o tipo de mulheres

A voz cortante interrompe a batida. “Ensinamos as meninas a encolherem-se. Para se tornarem ainda mais pequenas. Dizemos às meninas: vocês podem ter ambição, mas não muita. Vocês devem ansiar ser bem-sucedidas. Mas não muito bem-sucedidas. Caso contrário, vão ameaçar o homem”. A música fica uns decibéis mais abaixo. Um grupo de pessoas dança em câmara lenta enquanto a escritora nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie continua o discurso. É dela o palco, mesmo que este seja um videoclip de música e a premiada autora, traduzida em trinta línguas, não apareça. “Porque sou do sexo feminino esperam que eu almeje o casamento. Esperam que eu faça as escolhas da minha vida, tendo sempre em mente que o casamento é o mais importante. O casamento pode ser uma fonte de alegria, amor e apoio mútuo. Mas porque ensinamos as meninas a ansiar o casamento e não ensinamos a mesma coisa aos meninos?” No centro do videoclip, Beyoncé cerra os punhos. Calções por baixo do rabo, pernas musculadas, movimentos sensuais encostada à parede. Adichie prossegue. “Criamos as meninas para serem concorrentes. Não para empregos ou para conquistas — que eu acho que podem ser uma coisa boa — mas para a atenção dos homens. Ensinamos as meninas que não podem ser seres sexuais. Da mesma forma que os meninos são.” Beyoncé agacha as ancas em slow motion. O corpo sem pudores ou vergonha. E Chimamanda Ngozi Adichie termina: “Feminista — a pessoa que acredita na igualdade social, política e económica entre os sexos.”

O discurso chama-se ‘We should all be feminists’ (‘Devemos todos ser feministas’), foi feito durante uma conferência e Beyoncé incorporou-o na música ‘Flawless’. É a metáfora da nova fase do feminismo. “Está a mudar para uma ideologia que aceita todo o tipo de mulheres, apoia a inclusão de identidades diferentes e a apreciação do corpo e da sexualidade feminina”, explica Elena Gascón Vera, professora da Universidade Wellesley, nos EUA, destinada a mulheres.

O feminismo é agora um fenómeno que saiu da ‘exclusividade’ da academia e se tornou comunitário. Se dissemina nas redes sociais, sem nascer na política. Abrange mulheres de esquerda e de direita sem complexos. Um movimento mundial de consciencialização em que as mulheres se encorajam umas às outras para mostrar como são afetadas pela desigualdade, a nível salarial, e da partilha de tarefas no lar, pelo assédio físico e verbal, pela pressão da imagem.

Não renegam as reivindicações feitas até aqui, até porque muitas delas, como a violência sexual, não estão resolvidas. Não são feministas diferentes, querem na mesma igualdade de direitos, são é mais ecléticas. Tal como no videoclip em que um símbolo da cultura pop se une a uma intelectual. E com isto o feminismo normaliza-se, perde a conotação negativa. E nem os mais poderosos chefes de Estado têm medo de usar a palavra. “É responsabilidade dos homens combater o sexismo também. Como cônjuges, parceiros e namorados, temos de trabalhar muito para criar relacionamentos verdadeiramente iguais. A boa notícia é que em todos os lugares onde vou, no país e no mundo, vejo pessoas a contrariar as premissas datadas sobre papéis de género”, escreveu Barack Obama na “Glamour”, um revista feminina. Ainda há muita desigualdade e o avanço civilizacional só se sentiu no mundo ocidental, mas a boa notícia, como diz o Presidente americano, é que a noção de que os direitos das mulheres são Direitos Humanos se está a espalhar.

“Novas causas estão a surgir, além das que já existiam. O campo dos feminismos está a alargar-se. Não fazia sentido guetizar”, explica Manuela Tavares, fundadora da União de Mulheres Alternativa e Resposta e autora de uma tese de doutoramento sobre o tema. Primeiro foi a luta pelo direito ao voto e à educação, depois o acesso ao mercado de trabalho, a seguir a reivindicação pela saúde sexual e reprodutiva. Questões que mesmo no mundo ocidental não estão, ainda, inteiramente cumpridas. Luta-se agora contra a violência doméstica, ao mesmo tempo que se discute a linguagem e o tratamento de igualdade desde o berço. Como diz Barack Obama, porque é que incentivamos as raparigas a serem delicadas e os rapazes assertivos? Porque é que se critica a sexualidade das mulheres e se recompensa a dos homens? E esta luta não é mais exclusiva das intelectuais de esquerda ou de ativistas ligadas a movimentos femininos.

“Há mulheres em cargos de grande exposição que até podem trabalhar com o corpo, vestir-se bem, mas têm uma cabeça a pensar e querem emprestar o seu nome a uma causa. A Beyoncé foi importantíssima nisto. O feminismo não tem autoria, nem donas nem donos. Nós também seguimos essa senda. E quando temos miúdas novinhas a querem saber mais sobre feminismo, sabemos que a visibilidade é dada através de figuras públicas”, afirma Rita Ferro Rodrigues, da Plataforma feminista Capazes.

O momento é favorável. “Nas vésperas de uma mulher poder chegar à presidência dos EUA temos uma geração privilegiada para cumprir o que aconteceu para trás. Uma geração preparada para a igualdade e para a partilha do poder. É uma sequência de vários fatores, educação, sucesso de leis, ser aceite que as mulheres não ganhassem menos do que os homens, que a família não fosse um impeditivo”, afirma Leonor Beleza, responsável pela reforma do Código Civil em 1977, determinante para a promoção e igualdade de género. É com essa reforma que os direitos das mulheres sofreram uma transformação profunda na lei, como o divórcio para casamentos religiosos e a igualdade jurídica entre cônjuges. Militante do PSD e membro de três governos, foi secretária de Estado da Presidência do Conselho de Ministros, ex-secretária de Estado da Segurança Social e ex-ministra da Saúde, teve de pedir para ser tratada por secretária de Estado e não por secretário de Estado, como era a norma até aí. “E tanto o primeiro-ministro, o Francisco Pinto Balsemão, como o Presidente da República, Ramalho Eanes, acharam normal que assim fosse”, conta. Mesmo assim, houve quem visse na atitude um atrevimento de que se um dia chegasse a ministro quereria ser ministra.

Quarenta anos depois, apesar de a igualdade estar inscrita nas Constituições dos regimes democráticos, há uma diferença entre a lei a sua aplicação na sociedade. “A lei é a lei, a vida é a vida”, sublinha Maria Antónia Palla, jornalista e histórica feminista.

Foi um caminho longo até aqui. Ao momento em que se aponta o dedo ao machismo, seja à falta de chefias femininas, aos programas televisivos de ‘desporto’ que se focam no corpo das atletas ou à falta de presença de mulheres nos media. Até há poucos anos este pedido pela igualdade centrava-se mais na política. Contava-se a quantidade de mulheres em pastas ministeriais, mas não se contava quantas compunham as administrações de empresas, nem quantas comentadoras tinham as estações de televisão. E das mulheres esperava-se que conseguissem fazer todas as tarefas ao mesmo tempo. “Quando oiço o discurso de que as mulheres conseguem fazer tudo... penso sempre que já temos a conversa estragada. As mulheres não querem ser superiores, querem igualdade de oportunidades. As medidas que propomos não são de favorecimento, são de igualdade”, diz Mónica Ferro, especialista em questões internacionais e ex-deputada do PSD.

Fenómeno Hollywood

Num momento de rutura com o poder estabelecido, as atrizes começaram a abraçar a palavra feminismo. Reivindicam salários iguais aos dos homens, pedem aos repórteres que na passadeira vermelha lhes façam perguntas sobre os seus personagens e não se limitem a querer saber como escolheram o vestido, agradecem aos argumentistas papéis sobre mulheres reais, criticam a obrigação de terem de responder aos padrões de beleza standardizados.

“É tempo de termos direitos iguais e salários iguais”, disse Patricia Arquette ao receber o Óscar de Melhor Atriz Secundária em 2014. Depois do escândalo de pirataria dos e-mails da Sony ter revelado as diferenças de milhões entre os cachês de homens e mulheres, Charlize Theron deu um murro na mesa e exigiu aumentos. “As meninas precisam de saber que é bom ser feminista. Não significa que se odeia os homens. Significa direitos iguais. Se fazemos o mesmo trabalho merecemos a mesma quantia e ser tratadas da mesma maneira.” Emma Watson é desde 2014 embaixadora de Boa Vontade da ONU para os Direitos das Mulheres e lançou a campanha He For She, sobre a igualdade de género e a importância de ser defendida pelos dois sexos. Joseph Gordon-Levitt, o ator que interpreta Edward Snowden nos cinemas, declarou-se como feminista ainda antes de Justin Trudeau, primeiro-ministro canadiano, e Barack Obama o terem feito. E Bradley Cooper anunciou que vai partilhar com as colegas o valor do seu cachê, para que elas possam negociar melhor.

Em Portugal, a palavra instalou-se no quotidiano com o nascimento da plataforma Capazes há dois anos, na altura com o nome de Maria Capaz. Um grupo de mulheres, algumas delas figuras públicas, de esquerda e de direita, chamou todas as outras para a discussão. E romperam com a imagem estereotipada atribuída às feministas. “Foi uma necessidade. Sou feminista desde que me conheço, sempre foi uma área de intervenção como cidadã e sentia que era preciso fazer qualquer coisa. O feminismo estava a ser debatido na academia, sempre entre as mesmas pessoas, ou entre feministas. Isso é muito bonito mas é preciso conquistar mais feministas, fazer mais. E também queríamos retirar um rótulo absurdo que a palavra tinha — acho que neste momento já começa a não ter — provocado pela ignorância e que passava por preconceitos e mitos urbanos”, explica Rita Ferro Rodrigues. Num site, mulheres de vários quadrantes sociais, económicos e políticos passaram a falar de igual para igual sobre o uso da burqa e a legalização da prostituição (temas fraturantes entre o feminismo). As Capazes são modernas. Estão nas redes sociais, usam saltos altos e maquilhagem, todos os dias produzem textos apelativos, organizam debates e juntam mulheres tão diferentes como Leonor Beleza, Anália Torres, Telma Monteiro, Matilde Breyner ou Mariana Mortágua.

É um contributo diferente daquele que Maria Isabel Barreno (homenageada pela Plataforma depois da sua morte), Maria Teresa Horta e Maria Velho da Costa deram ao movimento feminista quando publicaram as “Novas Cartas Portuguesas”, em 1972. O livro, um marco do pensamento feminista em Portugal, transmitia a ideia de que a mulher era um ser capaz e com voz para falar. As Capazes quiseram relançar o tema, de uma maneira mais aberta, e em plataformas onde pudessem juntar e chamar mais mulheres. “O que é novo agora, além da disseminação, é que o posicionamento político feminista é assumido por todo o tipo de pessoas e não está atribuído a grupos políticos e sociais. É a generalização do feminismo. Aceita-se com naturalidade que não é estigmatizante. É outra consciência dos Direitos Humanos”, sintetiza Adriana Bebiano, investigadora do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra e orientadora do doutoramento de Estudos Femininos. Uma mudança de conceção que se consumou nos últimos dez anos e se acentuou nos últimos quatro. Foi rápido. Há nove anos, quando Adriana inaugurou o mestrado em estudos femininos, houve resistência dentro da própria academia.

Uma resistência ou desconfiança que também se vê — mesmo no meio feminista — sobre movimentos como a Capazes ou quando personalidades como a modelo Cara Delevingne e Beyoncé se assumem feministas. “Como em todos os outros fenómenos há alguma superficialidade com algumas situações. Por exemplo, as atrizes de Hollywood que reivindicam salários iguais, esquecendo-se muitas vezes de que as mulheres que produzem a roupa e os acessórios que usam vivem numa situação de exploração. Ou seja, não têm a mesma consciência social das condições de vida de outras mulheres. Mas são mais os benefícios do que os prejuízos”, defende Adriana Bebiano.

Não foi pacífico aceitar a ideia de que o conceito está na moda. “Havia um certo elitismo no feminismo pensado em Portugal. O que eu até compreendo. É difícil para uma mulher que durante 40 anos pensou nestas questões — e sozinha — estar ao mesmo nível de alguém que entrou agora. Mas esse é que é o desafio, senão estagna”, diz Rita Ferro Rodrigues.

Uma nova vaga

Para os investigadores, a diferença entre o passado e o que estamos a assistir passa pela produção teórica. “É muito importante que surjam as Capazes, mas tem de existir movimento, tem de se traduzir em algo para falarmos em nova vaga”, defende Manuela Tavares. A própria definição de vagas de feminismo não é simplista. A investigadora frisa que se estiver a ocorrer uma nova em Portugal será a terceira e não a quarta, como é classificada noutros países. A primeira, que começou nos finais do século XIX e se prolongou até ao início da I Guerra Mundial, caracterizou-se pelo direito ao voto, trabalho e educação. As duas guerras mundiais adormeceram a luta feminista que em Portugal, por causa da ditadura, esteve submersa na luta contra o fascismo. A segunda vaga, durante os anos 60 e 70, é feita pelo direito ao corpo, à contraceção, contra os maus-tratos. “O grande rompimento dá-se da primeira para a segunda vaga. As reivindicações das feministas da primeira eram sempre na perspetiva de melhorar a educação dos filhos. As da segunda rompem com esse determinismo biológico: ser mãe se eu quiser”, frisa Manuela Tavares.

Em países como o Brasil ou Inglaterra, este novo ativismo é já descrito como uma nova vaga. “A questão segue no século XXI com pessoas atuando numa lógica feminista, apesar de nunca terem parado para pensar que têm espírito feminista. São, por exemplo, os que não admitem a violência contra a mulher, a baixa participação feminina na política ou salários mais baixos do que os dos homens”, explica Jussara Prá, da Coordenadora do Núcleo Interdisciplinar de Estudos sobre Mulher e Género na Universidade do Rio Grande do Sul, no Brasil. Kira Cochrane, editora do “The Guardian”, escreveu um livro sobre o tema: “Todas As Mulheres Rebeldes: O Crescimento da Quarta Vaga de Feminismo”.

É como se estivesse a consubstanciar uma ideia de Maria Antónia Palla, a de que “muitas mulheres são feministas sem saberem”. A jornalista, autora de um documentário sobre o aborto ilegal no pós-25 de Abril, considera que não há um único movimento feminista.

E mesmo quem começou esta luta ainda encontra um longo caminho a percorrer. “Quando comecei, há muitos anos, a trabalhar nos direitos das mulheres, os dados não estavam ventilados por sexo. Eu tinha de pedir, para saber quantas raparigas e quantos rapazes estavam a estudar. Ainda hoje há um problema na investigação científica em que se lida com corpos que não são iguais na investigação e preparação de instrumentos médicos. Podem não ter os mesmos efeitos”, explica Leonor Beleza.

Apesar da mudança de comportamento sobre o feminismo, surge com frequência a pergunta: Ainda faz sentido o feminismo? Há mais mulheres nas faculdades, com melhores notas, mais doutoradas e estão em força no mercado laboral. Porém, quando se olha para o topo da hierarquia elas surgem em número reduzido, por vezes inexistente. É o que se chama um teto de vidro, não se vê mas a progressão é mais difícil. Como nas cotadas em bolsa, a última mulher a liderar uma empresa do PSI foi Ana Fernandes da EDP Renováveis. Saiu em 2012 e foi substituída por um homem. Daí que uma das propostas do Governo seja a implementação de quotas de igualdade de género neste sector. O mesmo governo, contudo, que nomeou para a administração da CGD apenas uma mulher. Mónica Ferro foi das vozes femininas mais críticas e ativas. “Durante muito tempo, o centro-direita deixou que a esquerda tomasse refém estes temas dos direitos humanos, do feminismo, da igualdade de género. Mas na realidade estas matérias não são nem de esquerda nem de direita. São aquilo que podemos chamar de bens políticos de qualquer partido. Essa é a razão pela qual fiquei tão surpreendida pela ausência de uma reação forte, ativa e vocal a este conselho de administração da CGD”, acusa.

A esquerda ‘apropriou-se’ do feminismo e a direita deixou que isso acontecesse. Historicamente, as alterações legislativas em nome da igualdade foram feitas pela esquerda. O caminho do feminismo na direita teve rostos importantes, como o de Leonor Beleza, mas ainda não é uma bandeira. “É cada vez mais fácil. Graças ao trabalho de muitas mulheres que desbravaram caminho literalmente, que o puseram na agenda. Primeiro é preciso explicar que isto não é uma agenda de afirmação de superioridade, é de equidade, de paridade. Um partido sem mulheres é um partido mais pobre. Cada vez mais, as mulheres deviam reivindicar dos seus partidos políticos uma série de direitos, caso contrário não lhes dão os votos”, defende Mónica Ferro.

A despenalização da interrupção voluntária da gravidez (IVG), apresentada como uma bandeira da esquerda, surgiu com a reportagem de Maria Antónia Palla que obrigou os partidos políticos a agir. E não foi imediatamente. O documentário que fez sobre uma clínica na Cova da Piedade em que, apesar de o aborto ser ilegal, as mulheres eram tratadas de uma maneira mais humana, provocou uma enorme discussão. Aquele era um tema que afetava as mulheres e ao qual os partidos, dominados por homens, não ligavam. “Era algo que dizia muito às pessoas. Naquela discussão em que a Zita Seabra, na altura deputada do PCP, defendeu a despenalização, a Assembleia esteve aberta até às 5h da manhã e as pessoas faziam fila para ir ouvir”, recorda.

A primeira lei, em que foi permitido o aborto, em caso de violação e em risco de vida para a mulher, é de 1984, dez anos depois da revolução. A discussão que levou aos dois referendos e à atual lei da IVG começou naquela reportagem. “Fez as mulheres terem consciência de que têm direitos próprios e que só organizadas autonomamente os podem defender. Os partidos são compostos por homens e não era dentro dos partidos que podíamos travar essa luta.”

Depois de menos visível durante os anos 90 e a primeira década do século XXI, essa consciência é o que sustenta movimentos tão diferentes como o Chicas Poderosas ou o Femafro. O primeiro é um projeto de tecnologia que se dedica a dar formação na criação de conteúdos digitais a mulheres. Nasceu em 2013 pela mão de Mariana Santos, uma jornalista infográfica portuguesa, e percorreu vários países da América do Sul. Criado com uma bolsa do Internacional Center for Journalists já formou mais de 2500 pessoas, com o intuito de dar mais ferramentas às jornalistas capacitando-as para ocupar cargos de destaque nos meios de comunicação em que trabalham. Em outubro chega a Portugal. A Femafro foca a discussão do feminismo entre as africanas e descendentes em Portugal, querem falar de racismo e machismo através do mesmo olhar.

São mulheres unidas em nome de objetivos comuns, em nome delas próprias como ‘bem coletivo’. “As mulheres de esquerda e de direita são capazes de se unir em prol do interesse de que as mulheres consigam ser dignificadas e ver os seus direitos iguais. E isto é uma grande ameaça”, diz Rita Ferro Rodrigues, que quer levar o feminismo às escolas com as Capazes.

O futuro faz-se com o passado. Tem que ver com o exemplo. Mónica Ferro cresceu a ver Maria de Lourdes Pintasilgo na televisão e a achar que, se calhar, também ela podia ser assim. As meninas que hoje ouvem Beyoncé vão habituar-se desde muito cedo que não há problema nenhum em ser feminista, isto é, em pedir direitos iguais.

Feminismo em portugal

1905
Ana de Castro Osório escreve “Mulheres Portuguesas”, o primeiro manifesto feminista português

1908
Lançada a Liga das Mulheres Republicanas

1910
Publicadas as leis da família, por iniciativa do ministro Afonso Costa, num desafio aos sectores mais conservadores

1911
Carolina Beatriz Ângelo foi a primeira mulher a votar nas eleições constituintes de 28 de maio. Era chefe de família e letrada (era médica), preenchendo os requisitos para ir às urnas

1913
O Governo reescreveu a lei de modo a limitar o direito ao voto às mulheres

1914
Fundado Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas pela médica Adelaide Cabete

1924
Primeiro Congresso Feminista e da Educação

1931
Concedido o direito de voto às mulheres com o curso dos Liceus

1934
Eleitas pela primeira vez mulheres para a assembleia nacional: Domitília Hormizinda Miranda de Carvalho, Maria dos Santos Guardiola e Maria Cândida Pereira

1948
A Declaração Universal dos Direitos do Homem reconheceu, pela primeira vez, o princípio da igualdade entre homens e mulheres

1976
A Constituição Portuguesa consagrou a não discriminação de direitos entre homens e mulheres

Fundação da União de Mulheres Alternativa e Resposta

2006
Aprovada a lei da paridade que estabelece que as listas para a Assembleia da República, para o Parlamento Europeu e para as autarquias locais, são compostas de modo a assegurar a representação mínima de 33% de cada um dos sexos