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Comporta pode valer €500 milhões

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Luis Barra

Encaixe da venda das terras do Grupo Espírito Santo será para pagar dívidas

A Herdade da Comporta está outra vez à venda e as propostas de compra deverão ser entregues na primeira metade de novembro. Serão nesta fase propostas ainda não vinculativas. O processo de venda arrancou depois de alcançado um acordo entre o Ministério Público português e o administrador de falências do Luxemburgo — onde estava sedeada a empresa que controlava o Grupo Espírito Santo —, para que fossem levantadas as restrições à alienação dos terrenos.

A venda arranca em outubro e será liderada pelo banco Haitong (ex-BESI), que estima arrecadar entre €400 e €500 milhões. Uma projeção que resulta do facto de ter havido uma forte procura na primeira tentativa de venda, parada por ordem judicial, na sequência de arresto de bens. O Expresso sabe que na altura foram recebidas mais de 100 ofertas pelos terrenos que faziam parte do extenso património da família Espírito Santo, situada nos conselhos de Alcácer do Sal e Grândola e considerada a maior propriedade privada do país. Todo o encaixe que se fizer com a venda da Comporta, detida pela falida RioForte, será usado para fazer face à massa falida e tentar pagar dívidas deixadas pela falência do GES.

A herdade é gerida por um fundo imobiliário, e dos 12,5 mil hectares de terreno, cerca de 10 mil são agrícolas e florestais. Será a segunda vez que a Comporta está à venda. Os investidores americanos Asher Edelman e David Storper, da gestora de private equity Armory Merchant, chegaram a avançar com uma proposta, que envolvia uma oferta de €400 milhões. Cem milhões seriam para relançar a atividade da empresa agrícola e do fundo que gere o projeto turístico.

Entretanto, na Vila da Comporta a única agência bancária que existia, pertencente ao Novo Banco (antigo BES) vai fechar por ordem da nova administração já no final deste mês. A agência era também de certa forma a imagem de marca da família Espírito Santo na vila; situa-se numa antiga capela, que fica a escassos metros da entrada da herdade que ainda pertence à família de Ricardo Salgado.