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Quanto mais desigual, mais pobre é um país

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Desigualdade e pobreza são o mesmo? É a quarta e última pergunta a que o estudo sobre desigualdades económicas, resumido no site “Portugal Desigual”, dá resposta. Será difícil combater a pobreza sem combater as desigualdades, conclui o estudo

Quando se fala de desigualdades económicas, acaba-se a falar sobre pobreza. E ainda que os dois fenómenos possam ocorrer em sentidos opostos, os números mostram que quanto maior é a desigualdade num país, maior tende a ser o número de pessoas pobres.

A conclusão surge no estudo “Desigualdade do Rendimento e Pobreza em Portugal: 2009-2014”, em resposta à quarta grande pergunta sobre a ligação entre as duas realidades.

O estudo, coordenado por Carlos Farinha Rodrigues, economista e especialista em matéria de desigualdades e pobreza, foi apoiado pela Fundação Francisco Manuel dos Santos (FFMS) e as conclusões estão no site “Portugal Desigual”, feito numa parceria com o Expresso e com a SIC (que fez quatro reportagens, uma sobre cada pergunta, que passaram durante esta semana).

“Desigualdade e pobreza têm em Portugal uma raiz comum que é um modelo económico ainda fortemente caracterizado pelos baixos salários. Esse modelo económico gera, simultaneamente, desigualdade e pobreza”, explica Carlos Farinha Rodrigues.

Os dados sobre o nível de desigualdade e de pobreza de todos os países da União Europeia traduzem essa ligação: quanto maior é o nível de desigualdade na distribuição dos rendimentos entre a população, ou seja, quanto mais concentrado está o dinheiro numa parte da população, mais pobre esse país é. “As transformações ocorridas nos rendimentos familiares e na desigualdade no decorrer do processo de ajustamento ocorrido entre 2009 e 2014 não poderiam deixar de se repercutir na alteração dos indicadores de pobreza. Embora o fenómeno da pobreza, dada a sua natureza multidimensional, extravase em muito o âmbito das desigualdades, os dois fenómenos estão profundamente ligados”, lê-se no estudo.

Países como a Estónia, Letónia e Bulgária apresentam elevados níveis de desigualdade, coincidentes com uma elevada taxa de pobreza, mostram os dados do Eurostat. No extremo oposto encontram-se países como a República Checa ou a Holanda, com baixos níveis em ambos os indicadores.

O facto de uma economia de salários baixos “gerar desigualdade e pobreza”, defende Farinha Rodrigues, “significa que não podemos combater a pobreza de forma efetiva sem ao mesmo tempo combater as desigualdades”. Entre 2009 e 2014, o número de portugueses pobres aumentou para 2,02 milhões de pessoas (mais 116 mil pessoas do que em 2009). Ou seja, um em cada cinco portugueses vive com menos de 422 euros. Para além do aumento do número de portugueses pobres neste período, também se intensificou a gravidade da pobreza.