Siga-nos

Perfil

Expresso

Sociedade

Iraque pede mais tempo para levantamento de imunidade dos filhos do embaixador

  • 333

Augusto Santos Silva reuniu-se esta sexta-feira com o homólogo iraquiano em Nova Iorque. MNE diz que não prescinde do levantamento da imunidade diplomática dos filhos do embaixador. Iraque vai enviar a Portugal um alto funcionário para recolher informação sobre as agressões em Ponte de Sor

Bernardo Ferrão

Bernardo Ferrão

Subdiretor da SIC

Hugo Franco

Hugo Franco

Jornalista

A reunião entre o Ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, e o homólogo iraquiano, Ibrahim Al-Jaafari, realizou-se em Nova Iorque esta sexta-feira, no âmbito semana ministerial da Assembleia Geral das Nações Unidas. Em cima da mesa esteve o caso das agressões em Ponte de Sor (Portalegre) na madrugada de 17 de agosto que envolveu os filhos do embaixador do Iraque em Lisboa e um adolescente português.

Mas a reunião não foi conclusiva. O Iraque pediu tempo adicional para poder ter mais dados sobre o caso. Em todo o caso, o MNE disse que não prescindia do levantamento. "A única atitude que esperamos é o do levantamento da imunidade diplomática", diz fonte oficial do MNE.

O Iraque vai mandar um enviado a Portugal para recolher informação sobre o sucedido. Será um alto funcionário da diplomacia de Bagdade e só depois é que será tomada uma decisão.

O Iraque pediu desculpas pelo "incidente infeliz e embaraçoso", salientando que espera que o caso de Ponte de Sor não coloque em causa as relações entre os dois países.

Segundo fontes contactadas, o limite temporal para resolver este incidente é de "duas semanas".

Portugal pediu, a 25 de agosto, o levantamento da imunidade diplomática dos filhos do embaixador, na sequência das agressões, e mais tarde solicitou urgência na resposta das autoridades iraquianas, que responderam que o fariam "no tempo adequado".

No início deste mês, o ministro referiu que "não há um prazo fixo marcado nem na lei nem na praxe diplomática para a tramitação deste tipo de pedidos". E acrescentou: "Confiamos que as autoridades iraquianas formem a sua opinião e tomem a decisão tão depressa quanto possível", afirmou.

Poucos dias antes da partida para Nova Iorque, Santos Silva já tinha afirmado que Portugal precisava de esclarecer o que se passou naquela noite: "Como somos um Estado de direito, a única maneira de esclarecê-lo é por via judicial".

Na madrugada de 17 de agosto, Ruben Cavaco foi agredido em Ponte de Sor por Haider e Ridha Ali, irmãos gémeos de 17 anos, que por serem filhos do embaixador do Iraque em Lisboa, Saad Mohammed Ali, têm imunidade diplomática, ao abrigo da Convenção de Viena.

O jovem alentejano sofreu múltiplas fraturas, tendo sido transferido no mesmo dia do centro de saúde local para o Hospital de Santa Maria, em Lisboa, tendo chegado a estar em coma induzido. Acabou por ter alta hospitalar a 2 de setembro.

Dina Fouto, advogada de um dos iraquianos, garante ao Expresso que os irmãos gémeos “se encontram em território português” e por isso não haverá obstáculos para serem notificados pelas autoridades caso seja feito o levantamento diplomático.

Em entrevista à "SIC", emitida esta quinta-feira, o jovem espancado diz que "não aceita um pedido de desculpas" dos irmãos iraquianos e espera que se faça justiça. Ruben Cavaco não tem saído de casa e não recuperou toda a memória.

A mãe garante que o filho perdeu a alegria e espera que venha a ser indemnizado pelos danos físicos e psicológicos. As flores que recebeu do embaixador iraquiano foram o único sinal de solidariedade por parte da família dos agressores.

Os dois irmãos foram entrevistados, também na "SIC", poucos dias depois das agressões, admitindo que bateram em Rúben até ele cair no chão. Ridha confessa que ainda lhe deu alguns pontapés após Ruben ter caído. "Perdemos completamente [o controlo] e gostaria de pedir desculpas", disse Haider.