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“Há um incómodo, não sejamos ingénuos”: o ponto da situação do caso de Ponte de Sor

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alberto frias

Iraque pediu mais tempo para decidir levantamento da imunidade dos filhos do embaixador. Deadline para o levantamento da imunidade dos jovens iraquianos é a “primeira quinzena de outubro”. Ministro dos Negócios Estrangeiros faz o ponto da situação ao Expresso

Hugo Franco

Hugo Franco

Jornalista

À saída da reunião em Nova Iorque com o homólogo iraquiano, o ministro dos Negócios Estrangeiros Augusto Santos Silva falou ao Expresso: "Não sejamos ingénuos. Há um incómodo [por causa do caso das agressões em Ponte de Sor]", revelou.

O ministro conta que Ibrahim Al-Jaafari, o MNE iraquiano, pediu a Portugal para poder resolver o caso com tempo, mandatando um alto funcionário do Governo de Bagdade para viajar até Portalegre. "Compreendi o pedido e aceitei. O nosso interesse é que a investigação judicial prossiga normalmente", diz Santos Silva, que no entanto deixou um alerta ao colega iraquiano: "O dead-line [data-limite] para apresentarem uma resposta é até à primeira quinzena de outubro."

Até porque, no entender da diplomacia portuguesa, é mais do que tempo do Iraque "passar das palavras aos atos".

E se em outubro o MNE receber uma 'nega' do Iraque? Ou seja, se o Governo de Bagdade não aceitar fazer o levantamento da imunidade diplomática dos filhos do embaixador, que são acusados de agredir o jovem Ruben Cavaco na madrugada de 17 de agosto? Augusto Santos Silva prefere não antecipar cenários, até porque foi precisamente nesta sexta-feira que conseguiu "acertar" com o Iraque os detalhes de todo o processo.

De acordo com a Convenção de Viena, na pior das três hipóteses, o embaixador iraquiano em Lisboa poderia ser considerado personna non grata e ser expulso do país, mas não é isso que interessa à diplomacia e à justiça portuguesa, argumenta o ministro. "Queremos que o Iraque aceite o levantamento diplomático. Não estamos interessados numa hipótese negativa."

O ministro salientou, no entanto, que o caso de Ponte de Sor não afeta as relações deiplomáticas entre os dois países.