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Comandos: militares e mãe de Hugo Abreu lançam suspeitas sobre a morte do furriel

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Marcos Borga

Investigação do programa “Sexta às 9” da RTP lança novos dados sobre o que pode ter acontecido a Hugo Abreu, uma das duas vítimas mortais do 127º curso dos Comandos. Ao Expresso, o Exército diz que “aguarda as conclusões das investigações”

Hugo Franco

Hugo Franco

Jornalista

Marta Caires

Jornalista

Carlos Abreu

Jornalista

A equipa da RTP do programa "Sexta às 9" ouviu os testemunhos da mãe de Hugo Abreu, uma das duas vítimas mortais do 127º curso dos Comandos, bem como de militares que terão participado na mesma formação.

Na reportagem, Ângela Abreu, emigrante portuguesa que reside em França, diz que depois de o filho "cair por terra", foi "obrigado a respirar e a comer terra" pelo "sargento Rodrigues".

Um militar também ouvido na reportagem, e colega de curso de Hugo Abreu, apresenta a mesma versão: "Quando o Hugo tombou no terreno já próximo da inconsciência e com imensas dificuldades respiratórias, foi forçado a respirar e a engolir terra".

A RTP garante que vários intervenientes do curso (todos de vários pontos do país) foram ouvidos e avançaram com factos semelhantes, sem saberem do teor das afirmações das restantes testemunhas.

À RTP, o Exército diz que "aguarda as conclusões das investigações que determinarão se os procedimentos cumpriram o previsto, se houve alterações justificadas ou se houve alterações que, não se justificando, consubstanciem matéria disciplinar ou criminal”.

Contactado pelo Expresso, o porta-voz do Estado-Maior do Exército, o tenente-coronel Vicente Pereira, garante que "o Exército continua a apoiar as famílias e a colaborar com as autoridades competentes". Acrescenta ainda que "a reportagem da RTP é da responsabilidade da RTP e dos jornalistas envolvidos".

Na Madeira, onde Hugo Abreu vivia, as explicações do Exército nunca convenceram os familiares que lidavam de perto com o militar. “Um rapaz novo, saudável, bonito por dentro e por fora, e bem preparado não morria assim se não tivesse acontecido algo de mais grave do que isso que contaram de ser um golpe de calor”, diz ao Expresso Adelina, tia do militar. “Ficou uma revolta muito grande. Sabe o que me disse a minha mãe, a avó do Hugo? Que os quartéis deviam fechar por falta de soldados como as escolas fecham por falta de crianças.”

A decisão de avançar ou não com uma ação judicial será sempre dos pais, emigrantes em França. “A minha irmã (mãe do Hugo) é uma pessoa muito reservada e não quer dinheiro, disse mesmo que o dinheiro não o trazia de volta, disse que o filho não era um negócio.” Não é isso o que está em causa, explica a tia, mas saber o que se passou e quem são os responsáveis pelo que aconteceu.

Pouco depois de Dylan Silva morrer e depois de ter visto a mãe do outro soldado a falar na televisão, a mãe do militar madeirense contactou a família de Dylan e foi nessa altura que terá começado a ter outra perspetiva sobre as circunstâncias em que o filho morreu quando fazia o curso de comandos.