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Bilhete para transportes públicos no Porto vai ficar no telemóvel

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AJUSTE DIRETO. Um ano depois da primeira tentativa fracassada, o governo volta à carga. Mas, estarão os operadores privados pelos ajustes?

rui duarte silva

Em 2017 será possível no Porto ao utentes do Metro, dos comboios suburbanos e dos autocarros viajarem com um novo @ndante. Não no cartão, como até agora, mas no telemóvel, através de uma aplicação

Isabel Paulo

Isabel Paulo

Jornalista

Na era do digital, Matos Fernandes, ministro do Ambiente, foi esta sexta-feira ao Porto apresentar uma nova aplicação que permitirá aos passageiros viajar sem bilhete de Metro, autocarros da Sociedade de Transportes Coletivos do Porto (STCP) e privados e comboio no Grande Porto, a partir de meados do próximo ano.

A nova app @ndante, contratualizada com a Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, terá no imediato uma fase-piloto destinada a um focus grupo de 200 utilizadores, que servirão de cobaias na deteção de erros do sistema virtual.

A par da novidade, mantém o atual Andante, sem quaisquer alterações.

Sem necessidade de pré-pagamento, os utentes irão acionar a app antes de entrar no transporte, mantendo-a ativa enquanto durar a viagem e mudança de meio de transporte, se for esse o caso.

Só paga no dia 30

No final do mês, os utilizadores receberão (em casa ou por e-mail) a conta das viagens efetuadas, após o próprio sistema ponderar "o tarifário mais favorável em função das zonas percorridas", explica Jorge Delgado, o presidente da Metro e STCP.

Delgado adianta que esta forma inovadora de viajar sem uma bilhética física "é um sistema inteligente, de fácil utilização e sem custos acrescidos para o utente". O responsável pelas empresas de transporte reconhece que o atual escalonamento intermodal por zonas, com contagem a partir da primeira paragem de validação, não é de fácil entendimento para os utilizadores ocasionais, como os turistas, ou os mais idosos.

O projeto será financiado em 500 mil euros pelo Ministério do Ambiente. Jorge Delgado salienta que a inovação irá poupar tempo e dinheiro dinheiro aos utentes, que assim deixarão de comprar cartões de carregamentos.

Por outro lado, evita-se o desgaste das máquinas de compra automática de bilhetes e de validação, envelhecidas e que com alguma frequência ficam fora de serviço, por avarias.

Alívio para as máquinas de bilhetes

Em finais de julho, as estações centrais da Baixa do Metro do Porto entraram em ruptura de stock de títulos Andante, o que causou um enorme constrangimento aos turistas e residentes. Muitos, sem hipótese de comprar bilhete, prescindiram do metro ou arriscaram andar à borla.

O PCP/Porto imputou então as culpas aos Transportes Intermodais do Porto (TIP). Aquele partido já havia antes criticado a decisão dos TIP de acabar com a compra e carregamento de bilhetes nas Payshop sem abrir novos balcões Andante, fechados aos sábados à tarde e aos domingos.

Jorge Delgado justifica a ruptura de sock com um atraso na entrega de bilhetes por parte do fornecedor numa altura de boom turístico, tendo a TIP ficado sem alternativas por se tratar de "um mercado específico".

De acordo com a Associação de Turismo do Porto, a afluência aos postos de turismo ultrapassou os 116 mil visitantes no mês de agosto, mais de metade do que em todo o ano de 2010 (198 mil).

Apesar dos constrangimentos no pico do verão, as reclamações baixaram para metade em agosto (1.220 queixas contra 2.380 no mês homólogo anterior).

Aumento da oferta rodoviária

Além do @ndante, o ministro Matos Fernandes anunciou esta sexta-feira a entrada em funcionamento de 36 novas ligações rodoviárias no sistema intermodal da Área Metropolitana do Porto, um acréscimo de 28% (passa de 129 para 165 linhas). O acréscimo de ligações representa um aumento do total percorrido em 12 mil quilómetros por dia.

As linhas intermunicipais serão asseguradas por operadores privados. Pedro Silva, coordenador da Comissão de Trabalhadores da STCP, não contesta a entrega dos serviços fora do perímetro da cidade a privados face às limitações da STCP, mas reclama mais fiscalização por parte do Conselho Metropolitano do Porto às empresas que franqueiam as portas e cobram bilhetes a passageiros na zona exclusiva da STCP. "É concorrência desleal", diz, estimando que os cofres da STCP "e dos contribuintes" estejam a ser lesados em quase 500 mil euros/mês.

O presidente da Metro e STCP afirma desconhecer esta situação, dado ser o Conselho Metropolitano do Porto a autoridade responsável pela fiscalização.