Siga-nos

Perfil

Expresso

Sociedade

Aos 16 anos fumam e bebem menos, mas consomem muitos sedativos

  • 333

Christopher Furlong / Getty Images

Inquérito europeu sobre o consumo de álcool, tabaco e outras drogas entre os adolescentes é apresentado esta terça-feira. Entre os dados já conhecidos, há boas e más notícias

Aos 16 anos, os consumos de álcool, tabaco e outras drogas tendem a ser mais baixos entre os adolescentes portugueses do que em relação aos restantes estudantes europeus. Entre os principais indicadores tidos em conta no European School Survey Project on Alchool and other Drugs (ESPAD), um inquérito a mais de 96 mil jovens que completaram 16 anos em 2015 e que é apresentado esta terça-feira, as percentagens de consumo destas substâncias estão abaixo ou na média europeia. Mas há duas exceções. Uma boa, outra má.

Quando se perguntou aos jovens (cerca de 3500 inquiridos em escolas públicas em Portugal) se consomem algum tipo de sedativo e/ou tranquilizante passados pelo médico, 13% responderam que sim. A média entre os 35 países participantes no ESPAD é de 8%.

Os valores estão estabilizados em Portugal, mas são considerados pelos coordenadores do ESPAD no país, e que trabalham junto do SICAD (Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Dependências), como “muito elevados”.

Já em relação à utilização destes medicamentos sem receita médica, os valores são bem mais baixos (5%) e de nível semelhante à média europeia. O que mostra que o recurso a tranquilizantes e sedativos é uma prática caucionada pelos médicos.

Do lado positivo, salienta-se o consumo muito residual das chamadas “novas substâncias psicoativas”. Se a média europeia indica que 4% dos jovens já experimentaram (até aos 16 anos), em Portugal o valor cai para 1%.

O ESPAD realiza-se de quatro em quatro anos e uma análise a nível europeu e ao longo do tempo indica descidas do consumo de álcool e de tabaco e para uma estabilização da utilização de drogas na maioria dos países europeus, sintetiza o SICAD. Há, no entanto, uma ressalva a fazer: um conjunto de países que passaram a participar no estudo e onde os padrões de consumo são inferiores contribuíram para fazer baixar as médias.

Raparigas fumam tanto como os rapazes

Em Portugal a tendência é a mesma. Caíram os consumos (experimentação, corrente e diário) e há agora 37% de jovens a dizer que experimentaram fumar antes dos 16 anos, valor abaixo dos 47% da média europeia.

Entre os que fumam diariamente, os valores são de 9% para Portugal e de 13% a nível global. E entre os países onde há mais jovens a fumar com regularidade encontram-se Itália, Bulgária e Croácia.

Apesar da diminuição do consumo, há outro facto a destacar: as raparigas já fumam tanto ou mais do que os rapazes, evolução que se repete noutros países.

Quanto à ingestão de álcool, também diminuiu e o relatório europeu destaca para Portugal o facto de bastante menos adolescentes (20%) reportarem o hábito de beberem muito de cada vez, ou seja, cinco ou mais doses numa noite – “binge drinking”.

É uma das percentagens mais baixas encontradas no estudo, contra um máximo de 56% entre os adolescentes dinamarqueses. Também na Áustria e no Chipre mais de metade dos inquiridos relataram práticas de “binge drinking” nos últimos 30 dias.

A percentagem de consumo corrente de bebidas alcoólicas é bastante mais alta, comparando com o tabaco por exemplo, e é relatada por 42% dos adolescentes em Portugal (beberam nos últimos 30 dias). A média europeia é superior: 47%.

Bastante mais baixo é o consumo de drogas, mesmo da canábis, a mais popular entre os adolescentes. Os coordenadores do estudo dizem que a percentagem dos que já experimentaram alguma droga está a estabilizar: 16% em Portugal.

No caso da canábis, há 7% de jovens portugueses a dizer terem consumido nos últimos 30 dias, o que não difere da média registada globalmente.

França e Itália são os países onde mais se fuma de forma recorrente: 17% e 15%, respetivamente, responderam tê-lo feito nos últimos 30 dias.

Jogar na net e a dinheiro

Pela primeira vez, o ESPAD quis saber também quais os hábitos dos adolescentes em relação ao uso da internet, jogo online e a dinheiro, que “num futuro próximo poderão vir a constituir um problema em termos de comportamentos aditivos”.

Sem surpresas, a utilização regular de internet está disseminada por todos os países e um em cada quatro jovens jogam online quatro ou mais dias por semana. Os jovens dinamarqueses são os recordistas (45%), em Portugal são 20%.

Outra atividade relatada pelos inquiridos prende-se com o jogo a dinheiro. Em Portugal, é uma prática com expressão ainda reduzida – 8% declararam ter jogado a dinheiro nos últimos 12 meses. A média dos alunos europeus é quase o dobro: 14%. E ninguém supera os gregos, com 30% a dizerem que o fizeram no último ano pelo menos uma vez e 16% a fazerem-no frequentemente.