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O YouTube já não é a plataforma para vídeos de 30 segundos a dois minutos

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O tempo médio de visionamento do YouTube aumentou para 40 minutos por utilizador em cada sessão, anunciou Ben Speas, o executivo responsável para o desenvolvimento de soluções de conteúdo para a Europa do Norte, sublinhando que se trata de mais do que uma duplicação face ao ano passado

Luís Proença

Speas explica que este fenómeno eruptivo se fica a dever ao consumo feito através dos dispositivos móveis. Mais de 60% dos vídeos disponíveis na plataforma são vistos com recurso a smartphones ou tablets. E para se ficar com uma perspetiva da acelerada globalização do consumo, acrescenta que atualmente 80% dos visionamentos já têm origem fora dos Estados Unidos – o país que mais impulsiona e monetiza com os conteúdos, plataformas e redes de distribuição da era digital. Ben Speas conclui que “estamos a assistir, portanto, à mutação dos conteúdos de curta duração. O YouTube já não é a plataforma para vídeos de 30 segundos a dois minutos. As pessoas estão a alterar os seus hábitos, substituindo a televisão pelo YouTube”.

A força maior da plataforma advém sobretudo dos públicos mais jovens e ativos, nascidos na passagem do milénio e que vêm crescendo e dinamizando o ‘boom’ exponencial da era digital. A chamada geração ‘millennial’, que se vem convencionando tratar-se dos consumidores com idades compreendidas entre os 13 a 34 anos, segue à cabeça do pelotão desta reclamada mudança de paradigma. Speas dá como exemplo um estudo de mercado publicado pela “Variety” que indica que as cinco figuras mais influentes para os jovens entre os 13 e os 18 anos nos Estados Unidos são “YouTubers” e daí conclui que os talentos alojados na plataforma são hoje mais significativos dos que as celebridades do “mainstream”. “Muitos ‘millennials’ dizem que se relacionam melhor com os criadores do YouTube do que com os seus amigos e usam a secção de comentários debaixo dos vídeos para interagir com as pessoas.”

Ainda assim, Speas tem por bom que o ecrã do televisor ainda é dono e senhor da casa: “Está no centro da casa e longe de morrer”. E acrescenta que “o padrão de consumo tem vindo a mudar e (os meios) começam a complementar-se”. “Penso que a televisão tem de ser mais engenhosa na forma como se pretende ligar a maiores audiências, de forma a completar o círculo.”

O YouTube especializou-se em vídeos de curta duração – “short form videos” -, por comparação com as durações dos formatos clássicos de televisão, standardizados em mínimos de 25 a 30 minutos nalgumas séries (em geral sitcoms) ou em totais de 40 a 50 minutos na esmagadora maioria dos episódios das séries, a que somam durações próximas ou superiores em cada capítulo de telenovela ou maiores ainda nos telefilmes e filmes.

Em fevereiro, a plataforma vídeo propriedade do Google entrou no campeonato da distribuição paga, em regime de “streaming”, através da marca “YouTube Red”, começando a concorrer globalmente com a Netflix e a Amazon Prime Video e em cada país com os serviços locais de televisão não linear por internet.