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De Inglaterra com amor

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Gonçalo Martins/Auto Foco

A tradição automóvel britânica já deu ao mundo alguns belos exemplares que ficaram para a história. Pela mão da Aston Martin chega agora um automóvel que é difícil traduzir em palavras. O DB11 é aquilo que qualquer GT devia ser. O jornalista Rui Pedro Reis esteve ao volante do novo superdesportivo e conta como foi

Rui Pedro Reis/ Sic (texto), Gonçalo Martins/Auto Foco (fotos)

Arte. Engenharia. Luxo. Desportividade. Combinar estes quatro elementos é uma receita elaborada a que só alguns conseguem chegar. A Aston Martin tem tradição a fazer automóveis distintos. E nem é preciso ver um filme do agente 007 para perceber o apelo destas máquinas britânicas. Aceito a minha missão sem pestanejar. São 10 horas e há uma brisa fresca no Guincho. O primeiro contacto visual acelera o coração, como num primeiro encontro apaixonado. O DB11 é o primeiro Aston Martin novo em mais de 10 anos. Vem substituir o DB9 e tem bons argumentos para isso. Desde logo pelo design. Linhas longitudinais, ao mesmo tempo delicadas mas com caráter. Cada detalhe tem uma intenção. É como uma pintura clássica, daquelas que obrigam a um olhar atento. Depois há os outros pormenores, como as óticas traseiras LED, com um formato em 'c', que a marca diz são as mais finas num automóvel de produção. Mais longe da vista estão outros detalhes, como as condutas de ar, escondidas na estrutura e que terminam no pilar C. Foi com o sistema Aeroblade que os engenheiros conseguiram despir o DB11 de apoios aerodinâmicos, já que a passagem do ar pelo interior consegue o mesmo efeito de um aileron exterior na traseira do automóvel. Uma combinação de engenharia com arte. Mesmo assim e para maiores velocidades, há um discreto aileron traseiro que se eleva para aumentar o efeito de solo. A excelência britânica continua no interior. Materiais escolhidos a dedo, costuras feitas à mão. Só por isso, não há dois DB11 rigorosamente iguais. O painel de instrumentos está centrado no condutor. Ao centro, o sistema de info-entretenimento não esconde as origens. A Aston Martin optou por adquirir a tecnologia à Mercedes. Percebe-se a opção. Tudo o resto, é original.

A EMOÇÃO QUE NÃO SE EXPLICA

Gonçalo Martins/Auto Foco

Quando chega o momento de colocar em funcionamento o motor V12, já se antecipa o que aí vem. Mas é mais do que o esperado. O DB11 assume-se como o melhor Aston Martin das últimas décadas. O som do motor ressoa pelo interior do habitáculo, numa intrusão assumida que transforma em urgência a vontade de ir para a estrada. O botão que coloca o motor em funcionamento tem um modo mais silencioso, apropriado para aqueles dias em que temos de sair de casa mais cedo e não queremos acordar a vizinhança ou, em sentido oposto, se chega depois de uma noite mais longa.

Gonçalo Martins/Auto Foco

Mas o melhor ainda estava para vir. Logo os primeiro quilómetros revelam um daqueles automóveis que não se explicam em palavras. Há que conduzi-los. O chassis do DB11 é em alumínio e vai servir para os próximos modelos da marca. A suspensão também é nova. Os 600cv do motor V12 estão sempre presentes e combinam na perfeição com a estrutura. Cada curva é, mais do que um desafio, um momento de poesia sobre quatro rodas. Quando se avança para o modo Sport e Sport+ as coisas mudam de figura. O ímpeto do DB11 transporta-nos para outro patamar e faz esquecer que este é um automóvel de quase duas toneladas. Na estrada, a prestação impressiona mais que os números. A resposta do motor é imediata e desde baixa rotação. Até me esqueço que é um motor bi-turbo, tal a entrega de potência.

MÚSICA NA LAGOA AZUL

Gonçalo Martins/Auto Foco

O dia aproximava-se do fim. Sabia que aquela relação estava para acabar mas queria aproveitar os últimos momentos. Sigo em direção à Lagoa Azul. A estrada já a conheço bem, mas desta vez parece mais estreita e com menos quilómetros. O DB11 entra em curva com precisão ainda que aqui e ali com alguns laivos de humor britânico que me obrigam a dominar a fera. Tem distribuição de peso 50:50 e, quando comparado com o DB9 uma melhoria de 15% na rigidez torcional. Esqueço os números. Abro a janela e oiço a sonoridade do V12 a ecoar na floresta. Rádio desligado, que aqui a música é outra. O traçado da Lagoa Azul passa num ápice. O resultado é impactante para quem tem a sorte de poder conduzir este automóvel. Nem interessa que os dois lugares traseiros sejam mais adequados a duas crianças do que a dois adultos ou que a bagageira (apesar de maior que a do DB9) esteja limitada a 270 litros).

Gonçalo Martins/Auto Foco

Chegava o momento da despedida. Sempre soubera que o DB11 e eu tínhamos de seguir caminhos diferentes. Mas foi um prazer.

FICHA TÉCNICA

Aston Martin DB11

Gonçalo Martins/Auto Foco

Motor
V12 5204cc Twin Turbo
600cv
700nm às 1500 r.p.m. — 5000 r.p.m.

Transmissão
Traseira
Caixa automática com 8 velocidades

Prestações
320km/H vel. máxima
3,9s 0-100km/h

Consumos
14,3L/100km ciclo misto
265g CO2/km

Preço
Cerca de 250.000€