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Uma investigadora, mãe de uma menina asmática, explica como certos cuidados diários podem melhorar a qualidade de vida destes pacientes

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Em Portugal, um milhão de pessoas sofre de asma. A doença respiratória matou, em 2013, 122 pessoas — mas é possível ter qualidade de vida sendo asmático. Há, no entanto, pormenores que podem fazer a diferença no quotidiano destes pacientes. Investigadora na universidade de Aveiro desde 1991, Sílvia Rocha é mãe de uma menina asmática. A doença de Íris revelou-se aos 7 anos, o que levou a mãe a inteirar-se sobre o que poderia fazer para ajudar. Em 2014, escreveu um livro com conselhos práticos para os pais e para os próprios doentes. Chama-se “Descomplicar a Asma” e contém conhecimentos importantes.

Doença inflamatória crónica dos brônquios, a asma atinge ambos os sexos e grupos etários, das crianças aos muito velhos. A tendência prevista pela Organização Mundial de Saúde é de agravamento. Sendo crónica, é muito importante que quem sofre desta condição aprenda a viver com ela. Heterogénea — chamam-lhe por vezes “as asmas” —, as suas crises podem ser desencadeadas por vários fatores. Podem ser os ácaros que existem em casa, o pólen de flores, árvores e arbustos, que se acentua na primavera, o pelo de animais, ou determinados medicamentos. Mas há também fatores que agravam a asma, como o fumo do tabaco, a poluição, perturbações emocionais, mudanças bruscas de temperatura ou infeções das vias respiratórias. Seja qual for o(s) factor(es) desencadeante(s) do seu filho ou familiar, é muito importante saber quais são.

No caso de Sílvia Rocha, a asma da filha era provocada pelos ácaros. Existentes “em todo o lado”, obrigam a “cuidados simples na organização da casa, que deve estar sempre limpa, arejada, sem muitos elementos decorativos que permitam a acumulação de pó e sem tecidos ou carpetes”. Íris aprendeu que não podia “ter muitos livros ou peluches no quarto”. Mas aqui fica um truque: “Se o peluche for para o congelador durante o dia, já pode ir para a cama do seu filho durante a noite.”

Nem sempre é fácil “evitar o contacto com o alergénio que desencadeia a asma”. Se este for um tipo de pólen, evitar o ar livre na primavera pode revelar-se impossível. Mas há boas práticas que se devem construir em cada família, de modo a controlar a doença. “É muito importante ter um caderno para ir fazendo anotações”, aconselha a investigadora, até para mostrar ao médico que acompanha o paciente, importante aliado. “À medida que o seu filho vai crescendo, vá fazendo as anotações com ele, para ele próprio se interessar” e estar informado sobre a sua doença.

Outro fator diferenciador na qualidade de vida é fazer uma “alimentação rica em antioxidantes”. “Os benefícios de uma dieta rica em frutos e vegetais frescos, com vitaminas C, E e b-caroteno, pode compensar episódios de stresse oxidativo, provocados pela poluição ou fumo de tabaco. Sílvia Rocha insiste na importância do seguinte: “A asma não menoriza uma pessoa de maneira nenhuma. Não implica nenhuma limitação física. Se se quiser, pode-se ser um atleta olímpico.” E manter a calma é fundamental. “O stresse é um fator que agrava a asma.” Quanto ao resto, é levar uma vida saudável, ao ar livre e ser feliz.