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Garrafas de vinho alentejano vão envelhecer no mar

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As primeiras garrafas de vinho foram esta sexta-feira mergulhadas a cerca de seis metros de profundidade, onde vão repousar durante alguns meses. É a primeira experiência do género a ter lugar em Sines

Mergulhadas a vários metros de profundidade, 700 garrafas de vinho da costa alentejana vão envelhecer submersas no mar, em Sines, para serem oferecidas aos capitães dos veleiros que participam na regata Tall Ships 2017.

As primeiras garrafas de vinho foram esta sexta-feira mergulhadas no fundo do mar, em Sines, no distrito de Setúbal, a cerca de seis metros de profundidade, onde vão repousar durante alguns meses.

Agrupadas em conjuntos de 50 e posicionadas verticalmente em grades metálicas, construídas propositadamente por formandos do Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP), as garrafas vão ser colocadas em diferentes locais, na costa de Sines e a diferentes profundidades, com a ajuda de mergulhadores.

Nos próximos dias, serão colocadas as restantes garrafas, a cerca de 10 e a 17 metros de profundidade, para testar o resultado na qualidade dos vinhos sob diferentes condições.

“A ideia é testar as várias profundidades, porque a luminosidade é diferente, a pressão da água é diferente e a temperatura também varia um bocadinho e, com estas três profundidades, verificar qual é que se adequa melhor ao estágio”, explicou o presidente da Associação de Produtores de Vinho da Costa Alentejana, José Mota Capitão.

A expectativa é a de que “os vinhos conservem melhor”, tendo em conta que as condições, como a temperatura, são mais estáveis, oscilando menos ao longo do ano, o que poderá levar a que esta passe a ser “uma solução em termos de estágio de vinhos”.

Sendo esta a primeira experiência do género em Sines, vão ser retiradas amostras “todos os meses” para “fazer provas organolépticas e químicas", de modo a verificar a “evolução no vinho”, originário de sete produtores da região, sendo dois brancos e cinco tintos.

“Nós não temos ainda muita experiência de como é estagiar vinho na água do mar, foi feita uma experiência no Douro, que pelo que se sabe não correu muito bem, na medida em que o Douro tem muita corrente, foi feita também uma no Alqueva que acho que já correu melhor, e nós vamos iniciar este projeto de por vinho no mar de Sines”, acrescentou José Mota Capitão.

A ideia surgiu “há cerca de dois anos”, partindo da intenção de “oferecer aos capitães dos veleiros [que participam na regata Tall Ships 2017] algo que fosse um produto da região”, revelou, em declarações à Lusa o presidente do município, Nuno Mascarenhas.

A regata RDV Tall Ships 2017 escala em Sines entre 28 de abril a 01 de maio de 2017, na frente marítima e terminais portuários da cidade, com uma previsão de participação de 25 grandes veleiros, envolvendo mil tripulantes de 20 países.

Com a perspetiva de que o envelhecimento de vinhos no fundo do mar, em Sines, passe a ser uma prática “com continuidade no futuro”, a iniciativa pretende também promover simultaneamente os vinhos da região e Sines enquanto destino turístico.

Promovida pelo município, a iniciativa contou com o apoio do IEFP, da Administração Portuária de Sines (APS), da Associação de Produtores de Vinho da Costa Alentejana e da Entidade Regional de Turismo do Alentejo e Ribatejo.