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Conselho de Segurança Nuclear admite que central de Almaraz funciona com peças de qualidade duvidosa

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tiago miranda

Greenpeace diz que o Conselho de Segurança Nuclear espanhol confirma que os geradores a vapor das centrais nucleares de Almaraz (a cerca de 100 km da fronteira portuguesa) e Ascó funcionam com irregularidades. Bloco de Esquerda perguntou esta sexta-feira ao Governo português que diligências vai tomar

Carla Tomás

Carla Tomás

Jornalista

Três meses depois de ter questionado o Conselho de Segurança Nuclear (CSN) sobre a possibilidade de as centrais nucleares espanholas estarem a funcionar com peças defeituosas, a associação ecologista Greenpeace recebeu a resposta. E esta vem confirmar as suspeitas.

O CSN reconhece que os geradores a vapor das centrais de Almaraz (Cáceres) e de Ascó têm entre os seus componentes peças fabricadas por uma filial da empresa Areva (Le Creusot Forja), que está envolta num escândalo por produzir peças com problemas desde 1965.

Na carta enviada à Greenpeace, o CSN alega que a empresa de Equipamento Nuclear (ENSA) não detetou quaisquer problemas nas peças compradas para as centrais nucleares espanholas e que estas “são aceitáveis para funcionar sem restrições”. Porém, a Greenpeace “lamenta” que o CSN “não tenha detetado as irregularidades mais cedo”.

Segundo Raquel Montón, responsável pela campanha antinuclear da Greenpeace, “a confiança nos padrões de qualidade dos componentes nucleares está quebrada, tal como a da empresa que falsificou os controlos”.

Com base na informação denunciada pelos ecologistas e pela imprensa espanhola, o grupo parlamentar do Bloco de Esquerda questionou formalmente o Governo, esta sexta-feira, sobre “que diligências diplomáticas e outras pretende tomar junto do Governo espanhol e das instituições europeias”. Os bloquistas lembram que a Assembleia da República aprovou por unanimidade uma moção a favor do encerramento da central nuclear de Almaraz.