Siga-nos

Perfil

Expresso

Sociedade

Detritos de plástico são 90% do lixo encontrado nas praias

  • 333

ELMER MARTINEZ / AFP / Getty Images

Apenas 8% do lixo espalhado pelos areais é maior do que uma tampa de garrafa. Os microplásticos invadem as praias e todos nós somos responsáveis por isso, alertam especialistas, reunidos na primeira primeira conferência portuguesa sobre lixo marinho

Carla Tomás

Carla Tomás

Jornalista

Cem milhões de toneladas de lixo por ano acabam nos oceanos, estima a Agência Europeia do Ambiente. Têm na origem comportamentos humanos relacionados com atividades produtivas, como a pesca ou o transporte de carga ou passageiros, ou com meros comportamentos do dia a dia das pessoas em sua casa: da largada de balões ao cotonete que vai pela sanita abaixo, passando pelo esfoliante de corpo que desce pelo ralo da banheira até ao mar.

Às praias portuguesas vão todos os anos parar toneladas de resíduos, 90% dos quais são de plástico, estima a Associação Portuguesa de Lixo Marinho. “Esta é uma ameaça de dimensões globais, com efeitos negativos em inúmeras espécies de peixes, mamíferos marinhos, aves e tartarugas”, alerta.

É que apenas 8% destes resíduos de plástico são maiores que uma tampa de garrafa, o que significa que a grande maioria se torna uma ameaça para a vida selvagem e para os ecossistemas marinhos, acabando também por entrar na cadeia alimentar.

Estes são os temas centrais da primeira conferência portuguesa sobre lixo marinho, organizada pela Associação Portuguesa de Lixo Marinho em parceria com o MARE – Centro de Ciências do Mar e do Ambiente, que decorre na Fundação da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, entre esta quinta-feira e sábado.

O evento conta com a apresentação de diversos trabalhos desenvolvidos em Portugal sobre esta matéria, inclui um workshop de investigação sobre microplásticos e prevê a formalização de uma parceria portuguesa para o lixo marinho e a assinatura de uma Carta de Compromisso, com vista à redução do lixo que polui as nossas praias e os nossos mares.

“O lixo marinho tem uma distribuição global no ambiente. Em proporção: 15% é encontrado nas praias e nas zonas costeiras, 15% à superfície e na coluna de água, os restantes 70% estão longe da vista, no fundo do mar”, indica a organização da conferência. Por exemplo o Canhão da Nazaré, é um dos 32 locais analizados na costa portuguesa com maior densidade de lixo acumulado, segundo um estudo liderado pela Universidade dos Açores.

O lixo que vai parar ao mar leva muito tempo a degradar-se: uma folha de jornal pode levar seis semanas, um saco de plástico entre 10 e 20 anos, uma garrafa de plástico até 450 anos e um fio de pesca 600 anos.