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Polícia Judiciária já ouviu Rúben Cavaco. A memória voltou

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O jovem de 16 anos agredido em Ponte de Sor no dia 17 de agosto foi interrogado "nas últimas horas", na presença do seu advogado, revelou ao Expresso fonte da Polícia Judiciária. Rúben está a recuperar em Sacavém, em casa dos avós paternos. Iraque ainda não respondeu ao levantamento de imunidade

Hugo Franco

Hugo Franco

Jornalista

Helena Pereira

Helena Pereira

Editora de Política

Rúben Cavaco, o rapaz de 16 anos agredido há quase um mês em Ponte de Sor, foi interrogado "nas últimas horas", garantiu ao Expresso fonte da Polícia Judiciária. Foi a primeira vez que o jovem falou sobre o que aconteceu na noite de 17 de agosto, e fê-lo na presença do seu advogado. "Assisti à inquirição e o que lhe posso dizer é que a forma como o Rúben está a recuperar é surpreendente, e que se nota na memória, na capacidade de raciocínio e na linguagem. Numa questão de dias o discurso tornou-se fluido, rápido, sem hesitações, na identificação de dados, datas, nomes, tudo", revela ao Expresso o advogado Santana-Maia Leonardo.

O interrogatório foi realizado em Sacavém, em casa dos avós paternos de Rúben, onde o rapaz recupera com acompanhamento médico regular desde que, no início de setembro, teve alta do Hospital de Santa Maria, em Lisboa. A evolução clínica, nomeadamente da memória, permitiu que pudesse agora responder às questões dos investigadores. "A nível físico também está melhor", garante o advogado. Não está acamado, já anda e faz as refeições "à mesa", mas não está para breve o regresso à escola e à vida normal. "Ainda está fraco. Perdeu 12 quilos enquanto esteve em coma", acrescenta.

Santana-Maia Leonardo acredita que a procuradora do DIAP de Lisboa, que conduz o processo, marcará para breve a primeira perícia médica que atestará se as agressões na Avenida da Liberdade, em Ponte de Sor, deixaram sequelas. "Visíveis são pouco. Mesmo o rosto, que teve de ser reconstruido, teve uma recuperação inesperada", acrescenta o advogado. O pedido de uma indemnização aos agressores (judicial ou extra-judicial) só avançará quando for possível traçar um valor.

Imunidade sem resposta

Até agora apenas era conhecida a versão dos agressores - os irmãos Haider e Ridha, de 17 anos, filhos do embaixador iraquiano em Portugal -, veículada através da entrevista que deram à SIC. O interrogatório formal dos gémeos ainda não foi, porém, possível, aguardando a resposta ao pedido de levantamento de imunidade diplomática (realizado a 25 de agosto) que impede qualquer ação criminal.

Durante o inquérito-crime, a Polícia Judiciária recolheu elementos de prova que apontam para existência de “factos susceptíveis de integrarem o crime de homícidio na forma tentada” de Rúben Cavaco. Só levantando a imunidade será possível ouvir em interrogatório os dois supeitos enquanto arguidos, esclarece a Procuradoria-Geral da República.

Esta quarta-feira o Ministério dos Negócios Estrangeiros continuava sem receber qualquer resposta do Estado iraquiano em relação ao pedido de levantamento diplomática."Na semana passada, a Embaixada do Iraque comunicou, por nota verbal, que as suas autoridades estavam a analisar o pedido português e responderiam em tempo oportuno. Entretanto, está a ser acertada, entre os dois Ministérios, a data e hora possíveis do encontro entre os dois Ministros dos Negócios Estrangeiros, na próxima semana, em Nova Iorque", esclareceu o MNE.