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Fecho de instituto em Proença-a-Nova deixa comunidade em choque

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Criado a 30 de abril de 1985, o Instituto de São Tiago era exclusivamente financiado pelos contratos de associação. “Estávamos mais ou menos à espera do encerramento do instituto. Podiam era ter avisado com mais tempo. Isso é o que mais me incomoda”, diz a mãe de uma aluna

O encerramento do Instituto de São Tiago, em Proença-a-Nova, distrito de Castelo Branco, não surpreendeu ninguém, mas a forma brusca como o processo decorreu, a escassos 15 dias do início do ano letivo, deixou a comunidade local em choque.

A direção do Instituto de São Tiago (IST), em Proença-a-Nova, uma escola com contrato de associação com o Estado, comunicou no dia 1 de setembro, à Câmara local que não iria abrir as portas este ano letivo.

Adriana Mendes, uma aluna de 16 anos que sempre frequentou esta instituição, situada em Sobreira Formosa, a segunda maior freguesia do concelho de Proença-a-Nova, lamenta o fecho da instituição: "Éramos muito poucos, é verdade. Mas éramos muito unidos. Agora, vamos para uma escola onde há muito mais gente".

A jovem estudante, que este ano vai frequentar o 11.º ano, no Agrupamento de Escolas de Proença-a-Nova, não concorda com o fecho do IST e, sobretudo, com a forma como tudo se desenrolou "em cima da hora".

Já a sua mãe, Maria Mendes, disse que foi informada pela própria secretaria do IST que a instituição iria fechar as portas antes do início do ano letivo. "Estávamos mais ou menos à espera do encerramento do instituto. Podiam era ter avisado com mais tempo. Isso é o que mais me incomoda", disse.

Contudo, esta encarregada de educação não se mostra surpreendida com o fecho do instituto, uma situação que há algum tempo se previa: "Eram muito poucos alunos", sublinha.

O IST foi criado a 30 de abril de 1985 e era exclusivamente financiado pelos contratos de associação. Este ano, a situação precipitou-se para o encerramento depois de a Direção Geral de Estabelecimentos Escolares (DGEstE) não ter validado três turmas (9.º, 11.º e 12.º anos) que estavam em desconformidade em relação ao número de alunos estipulado por lei.

"Nos últimos cinco anos já estávamos a assegurar uma turma e no último ano, asseguramos mais duas turmas sem financiamento. A situação era incomportável", explica a diretora pedagógica do IST Francelina Sousa.

Esta responsável está na instituição a tratar de toda a burocracia inerente ao fecho da escola: "Já enviei todos os processos dos alunos que iam iniciar o ano letivo. A maior parte deles transitam para o Agrupamento de Escolas de Proença-a-Nova".

A diretora pedagógica do IST não tem dúvidas de que o encerramento vai ter "efeitos" a médio e longo prazo na comunidade de Sobreira Formosa. "A escola mobilizava a população para um conjunto de atividades em que esta se envolvia. A partir de agora, deixou de haver esse complemento na dinamização de atividades, além da ligação ao comércio local", diz.

O futuro é incerto para os 17 professores, um psicólogo e oito funcionários da instituição. Maria de Lurdes Alves, funcionária na secretaria do IST tem 49 anos e trabalha há 27 na instituição. "Fui apanhada de surpresa. Fiquei em choque", afirma.

Apesar do fecho do IST e a consequente perda de emprego, esta funcionária perdeu também os seus poucos haveres durante o incêndio que lavrou recentemente no concelho de Proença-a-Nova. "As alfaias agrícolas que tinha também morreram ali em cinzas", disse.

Já Paulo Ribeiro, docente de matemática no IST há 24 anos, mostra-se inconformado com a "forma como tudo aconteceu. Não esperava [o encerramento agora], mas sim mais para a frente. Foi uma chapada", sublinha.

Para este docente, o ano letivo vai ser no desemprego: "Ficámos de mãos a abanar, ainda por cima numa zona tão desfavorecida como a nossa", conclui.