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Alunos vão aprender manobras de reanimação

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O documento vai ser assinado na Escola Secundária Luís de Freitas Branco, em Paço de Arcos

Nuno Botelho

Protocolo para ensinar técnicas de suporte básico de vida nas escolas é assinado esta quarta-feira entre os ministros da Saúde e da Educação. Aulas começam já este ano letivo

Cardiologistas pediram ao Governo para que a massagem cardíaca fosse ensinada nas escolas portuguesas a partir dos 15 anos e a pretensão foi bem sucedida. Esta quarta-feira, os ministros da Saúde, Adalberto Campos Fernandes, e da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, assinam o protocolo para levar o suporte básico de vida às salas de aula já este ano.

O documento vai ser assinado na Escola Secundária Luís de Freitas Branco, em Paço de Arcos, e começa por incluir os alunos de 10.º ano. Dar formação em suporte básico de vida (SBV) aos mais jovens era uma pretensão antiga de vários especialistas nacionais e em julho foi reiterada junto do Governo pela Sociedade Portuguesa de Cardiologia.

Os médicos querem corrigir a lição, errada, de não tocar em ninguém caído no chão porque pode procovar mais mal do que bem. Para salvar vidas é preciso fazer precisamente o contrário, defendem os especialistas. Todos os anos, cerca de dez mil das 110 mil mortes, em média, em Portugal ocorrem por morte súbita, a maioria sem ninguém ser capaz de prestar o primeiro socorro após o coração parar. Na maioria dos casos, bastaria uma massagem no peito nos primeiros três a cinco minutos e até à chegada da equipa do INEM para ressuscitar aquela vida. O gesto é simples e os médicos querem ensiná-lo a todos.

Experiências em outros países mostram que o SBV pode ser
ensinado em idades precoces ou a uma população muito vasta.
Por cá, a Fundação Portuguesa de Cardiologia já tinha
tentado avançar e o Conselho Português de Ressuscitação (CPR) tem várias iniciativas em escolas, mas nada concertado a nível nacional. O SBV até consta das metas curriculares do 9.º ano na disciplina de Ciências Naturais e nos respetivos manuais, mas os professores não estão preparados e há incorreções nos livros.

“Revemos os manuais por nossa iniciativa, sugerimos alterações e só respondeu uma editora”, critica a presidente do CPR, Adelina Pereira. A médica revela que já formaram muitos professores e centenas de crianças em Matosinhos e Beja e que há pedidos de outras escolas, contudo, sempre em ações muito delimitadas. Adelina Pereira defende uma parceria em nome de um bem maior: a vida. “São gestos muito simples e as crianças aprendem com muita facilidade. Só é preciso começar.”