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Sociedade

Ordem pede mais três mil enfermeiros por ano no SNS

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António Pedro Ferreira

Ofício enviado esta terça-feira ao Governo propõe calendário para a contratação faseada de profissionais. Bastonária dos enfermeiros afirma que a medida custa apenas 0,67% do Orçamento anual da Saúde

"O Serviço Nacional de Saúde (SNS) perdeu 2023 enfermeiros nos últimos cinco anos. Este é o quadro que ajuda a justificar o estado caótico em que tenho encontrado muitos dos serviços que tenho visitado", escreve a bastonária da Ordem dos Enfermeiros, Ana Rita Cavaco, num ofício enviado esta terça-feira ao ministro da Saúde, Adalberto Campos Fernandes.

Face ao diagnóstico, a responsável propõe como 'tratamento' a contratação de três mil enfermeiros por ano até ao final da legislatura, em 2019, e verba suficiente nos respetivos Orçamentos do Estado.

À semelhança do receituário de medicamentos, a 'receita prescrita' apresenta uma estimativa sobre os custos da 'terapêutica' contra as carências do SNS. "Contratar três mil enfermeiros por ano custa cerca de 64 milhões de euros, o que corresponde a 0,67% da fatia do Orçamento dedicado à Saúde em 2016" ou "apenas a 1,7% das despesas com pessoal previstas no Orçamento da Saúde em 2016".

Ana Rita Cavaco afirma estar convicta de que o pedido "é responsável" e pede ao ministro que assuma o compromisso, pelo menos, durante a atual legislatura de reforçar estes recursos humanos. A bastonária garante que o SNS precisa de aproximar-se dos rácios internacionais – por cá existem seis enfermeiros por mil habitantes, menos três do que na média dos demais países da OCDE – e afirma que o objetivo só será cumprido com mais 30 mil enfermeiros no SNS até 2026.

Na missiva, a representante dos enfermeiros reconhece que Adalberto Campos Fernandes tem feito um esforço para melhorar o SNS. "Nos últimos meses resolvemos problemas pontuais em vários serviços com a ajuda do senhor ministro da Saúde, mas o estado a que chegámos não permite que a Saúde continue a ser gerida ao dia, caso a caso. É preciso um compromisso sério e politicamente alargado para garantir que o SNS não colapse”, afirmou ao Expresso Ana Rita Cavaco.