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Acidente em Espanha: trasladação de corpo do maquinista português prevista para esta tarde

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JOSÉ COELHO / Lusa

Segundo uma fonte do gabinete do secretário de Estado das Comunidades, tudo estaá a ser feito para que a trasladação ocorra até às 17h, depois de o Tribunal Superior de Justiça da Galiza ter libertado o corpo do maquinista uma vez cumpridas todas as formalidades para a sua identificação

A trasladação do corpo do maquinista português que morreu na passada sexta-feira no acidente de comboio na Galiza (Espanha) está prevista para as 17h desta terça-feira, disse à Lusa fonte do Governo português.

Segundo a fonte do gabinete do secretário de Estado das Comunidades, as autoridades nacionais estão "a fazer tudo" para que a trasladação ocorra esta tarde, depois de o Tribunal Superior de Justiça da Galiza ter libertado o corpo uma vez cumpridas todas as formalidades para a sua identificação.

Fonte oficial do tribunal já havia confirmado à Lusa que a polícia científica identificou o corpo com recurso a impressões digitais e que já estava ser feita a entrega do mesmo.

A entrega do corpo ficou em dúvida esta manhã, uma vez que a polícia científica não tinha conseguido confirmar a identidade do corpo do maquinista com os documentos enviados pelas autoridades consulares portuguesas.

A primeira documentação enviada não permitia identificar oficialmente o corpo, devido a questões relacionadas com impressões digitais, pelo que as autoridades consulares tiveram de enviar nova documentação.

No acidente ferroviário de sexta-feira faleceram quatro pessoas, o maquinista de nacionalidade portuguesa, natural de Ermesinde, um cidadão norte-americano, e mais dois espanhóis (o revisor do comboio e maquinista estagiário) cujos funerais já se realizaram no passado domingo. Cerca de meia centena de passageiros ficaram também feridos no acidente,

Sabe-se já que o comboio seguia a 118 km/h numa via secundária com limite de velocidade fixado nos 30 km/h, e que o maquinista recebeu diversos avisos para abrandar, de acordo com o Tribunal Superior de Justiça da Galiza. A velocidade permitida nas linhas principais é de 120 km/h, mas a zona da estação de comboios de O Porriño, na Galiza, estava em obras de manutenção na sexta-feira, o que obrigou ao desvio da composição para uma linha secundária.

Fonte oficial da espanhola Renfe disse esta tarde à Lusa que a velocidade limite para circulação em vias secundárias é de 30 km/h, e que esta é uma regra geral aplicável a todas as vias secundárias. Por outro lado, o tribunal informou que o maquinista "recebeu e acusou a receção (pressionando um botão) de avisos L1, que indicam a necessidade de moderar a velocidade".

As caixas negras do comboio – que fazia o trajeto Vigo-Porto, operado conjuntamente pela CP e pela espanhola Renfe – foram abertas esta terça-feira na presença de representantes da CP, da Renfe e das gestoras das redes ferroviárias de ambos os países, a portuguesa Infraestruturas de Portugal e a espanhola Adif.

O equipamento recuperado do sinistro regista as velocidades do comboio, as distâncias e os sinais que recebeu. No entanto, não grava sons nem conversações na cabina do maquinista, apenas as comunicações com o posto de comando de Ourense, segundo explicou na segunda-feira o presidente do comité de empresa da Renfe em Pontevedra, Luis Mariano de Isusi.

De acordo com o jornal galego "La Voz de Galicia", as caixas mostram que o sistema eletrónico que controla os sinais e as agulhas (desvio de linhas) na zona da estação de O Porriño funcionou corretamente, uma vez que os sinais estavam no amarelo (precaução).

O maquinista português, acrescenta o diário, acusou a receção de uma dúzia de sinais no troço onde aconteceu o acidente, todas menos a última, presumivelmente quando o comboio já teria descarrilado.

Entre os sinais incluem-se dois avisos L1, que implicam a necessidade de abrandar a velocidade. "Caso não tivesse acusado a receção dos sinais acústicos o comboio teria parado [automaticamente]", uma vez que tem equipamento para isso, explica o jornal.

A CP e a Renfe operam conjuntamente a linha Vigo-Porto desde 2011. Responsáveis de ambas as empresas asseguraram que o comboio tinha sido alvo de revisões recentes.