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Universidade islâmica abre portas em Espanha

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TAUSEEF MUSTAFA

O tema é polémico. A primeira universidade Islâmica em Espanha, um "franchise" da Universidade Islâmica do Minnesotta (EUA), começa a dar aulas a 1 de outubro, em San Sebastian, no País Basco.

A partir do próximo mês, no Centro Cultural Islâmico de Donostia, em San Sebastian, no País Basco, começam as aulas da primeira Universidade Islâmica de Espanha. Há dois cursos disponíveis - "Ciências Islâmicas e Língua Árabe" e "Ciência Forense e Língua Árabe" - nas versões de licenciatura e mestrado, e doutoramento. As matérias são lecionadas em árabe, em parte através da internet, e outras naquele centro.

O diretor da universidade em Espanha, Badar Hijra, explica que esta funciona como uma"sucursal" da Universidade Islâmica do Minnesotta, nos EUA, criada em 2010, a entidade que reconhece oficialmente os diplomas. A iniciativa surge da colaboração entre o professor Waleed Al-Maneese, da Universidade do Minnesotta, e Rachid Boutarbouch, que coordena a oferta na Europa – a Universidade Islâmica já dá cursos na Alemanha, França e Itália.

Boutarbach é cidadão egípcio e é também o fundador do movimento Islâmico "Justiça e Espiritualidade" (igualmente conhecido como "Justiça e Caridade"), e assume-se como "firme defensor da implantação da lei Islâmica nos países muçulmanos". Conhecido dos serviços de segurança espanhóis, estes definem assim o movimento: "Ainda que não defenda o uso da violência nem o terrorismo, as mensagens que difunde não contribuem para a integração social e podem ser uma porta aberta a processos de radicalização".

O diretor do centro, Hijra, assegura que não existe qualquer ligação entre o movimento "Justiça e Espiritualidade" e a universidade islâmica, e que Boutarbach foi escolhido como coordenador a nível europeu por "conhecer muito bem a realidade ocidental e ter vivido muitos anos em Granada." Hijra defende que o Centro tem duas finalidades principais: "Fomentar o diálogo e o convívio entre culturas diferentes e incentivar a integração, através de atividades espirituais e culturais". E assegura que pretende ter "um espaço muito amplo para que os jovens muçulmanos recebam estudos, aprendizagem e melhor formação que na internet, onde existem leituras extremistas que não sabemos de onde vêm".

A questão da integração

O problema da integração da comunidade muçulmana na Europa, nomeadamente da segunda e terceira geração - que muitas vezes não conhecem o seu país de origem mas não se identificam com o país onde vivem -, é uma questão central ao fundamentalismo Islâmico e ao terrorismo na Europa. Ignacio Cembrero, jornalista espanhol e autor do livro "A Espanha de Alá", explica que na última década, a população muçulmana em Espanha cresceu 77%, cifrando-se atualmente nos 1,9 milhões de pessoas.

Em termos europeus, a tendência de crescimento deverá manter-se: em 2030, a percentagem de população muçulmana na Europa deverá ser de 2,7% relativamente à mundial. Contudo, o peso relativo da religião islâmica aumentará nos cinco maiores países da Europa ocidental. Em França, a percentagem de muçulmanos franceses e estrangeiros residentes no país passará de 7,5 em 2010 para 10,3% em 2030; no Reino Unido, esse valor passará de 4,6% para 8,2%; na Alemanha, de 5% a 7,1%; e na Itália, de 2,6% para 5,4%.

A questão não irá desvanecer-se com o tempo. Resta saber o que podemos (e devemos) fazer com ela.