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Luzes, cama, colchão

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As preocupações com a saúde e com o descanso levam as famílias a investir em melhores soluções de conforto e de saúde, mas será que apenas há espaço para um vencedor? Vale a pena saber quais as características das novas estrelas do quarto e perceber qual o melhor para cada corpo

João Miguel Salvador

João Miguel Salvador

(texto)

Jornalista

Ana Serra

Ana Serra

(infografia)

Qual é a divisão da casa em que passa mais horas?” A pergunta é de quem vende colchões porta a porta, mas a técnica — tantas vezes eficaz — não foge à verdade. Em casa, é no quarto que passamos o maior número de horas e estas são passadas essencialmente na cama. Por vezes é difícil lembrar (as horas são poucas e o tempo que dormimos não faz parte das nossas memórias), mas é sobre o colchão que tudo acontece. É nele que procuramos o sono reparador, mas são vários os fatores que nos impedem de alcançar o objetivo. O stresse não desaparece com um estalar de dedos, as dores atacam nas piores horas e as insónias não dão tréguas. As razões são várias e a utilização de um colchão inadequado (ou velho) é uma delas.

Mais preocupado com o bem-estar e a saúde, o mundo começa a olhar de outra forma para este objeto muitas vezes preterido e, de acordo com o estudo “Mattress Markets in the World to 2020 — Market Size, Development, and Forecasts”, a indústria de colchões deverá crescer 3,8% ao ano nos próximos quatro anos. Apesar do abrandamento expectável face ao período 2009-2015 (onde o mercado mundial cresceu 5,4% todos os anos), continua a ser notório o crescimento das preocupações com o conforto na hora de dormir. Se China, França, Alemanha, Japão e Estados Unidos da América continuam a ser os maiores mercados, é nos países asiáticos que o mercado continuar a crescer, sempre a dois dígitos percentuais. Filipinas (14,2%), Vietname (12,9%) e Camboja (12,9%) são os países em que a compra de colchões mais se tem expandido.

Por cá, na Europa e com Portugal incluído, parecemos mais importados com outro tipo de investimentos (os últimos dados do Reino Unido mostram a troca de carro como uma prioridade face ao colchão) e o amigo das noites bem dormidas acaba preterido. O colchão ainda é visto como uma parte da mobília e, de preferência, deve durar uma vida. Nada mais errado, mas o facto de as garantias serem tão grandes — chegam, em algumas marcas, aos 25 anos — induz os consumidores a pensar que o tempo de vida do companheiro de todas as noites nunca será inferior ao garantido pelo fabricante.

Na hora de investir, vale a pena medir os prós e contras de cada tipo de colchão — a oferta é vasta e mesmo dentro de cada género há diferenças — e perceber qual a solução mais adequada.

Não há que ter medos ou preconceitos: dormir acompanhado não tem de ser sinónimo de dormir mal e necessidades diferentes pedem colchões diferentes. O cônjuge mais pesado deve dormir num colchão mais duro, ao passo que o mais leve pode optar por uma superfície mais mole. O gosto tem de casar com a necessidade e é preciso entender (experimentando) qual o modelo mais aconselhado. No caso dos casais heterossexuais que dormem de lado ou de barriga para baixo, as especificidades são ainda maiores e as twin beds, formadas por dois colchões na mesma cama, podem mesmo ser a única opção. Se os homens são mais volumosos nos ombros, as curvas das mulheres levam a que o corpo precise de assentar de uma forma diferente na zona da anca (caso se deite de lado) ou do peito (caso opte por dormir de barriga para baixo).

Acima, na página da direita, é possível conhecer três dos tipos de colchão mais escolhidos, sem que isso invalide a necessidade de ter em atenção diversos aspetos antes da compra. Uma coisa é certa: os consumidores que sofrem com alergias ou têm doenças como a asma encontram vantagens nos colchões de espuma de poliuretano e nos de látex.

Embora a vida útil dos colchões seja mais pequena do que muitos julgam, continua a ser necessário proceder à sua manutenção. Aspirar o colchão regularmente (de preferência a cada duas semanas) e virá-lo — se as suas características o permitirem — ajuda a preservar o material, sendo fulcral o arejamento diário do quarto (para que a humidade produzida durante a noite não fique no seu interior) e a troca semanal da roupa da cama. À higiene do colchão junta-se a sua proteção, com a compra de uma capa antiácaros a completar o pacote.

O FUTURO À TECNOLOGIA PERTENCE

As empresas dedicadas ao ramo, mesmo as mais tradicionais, têm desenvolvido novas tecnologias (que proporcionam um maior conforto sem prejudicar a saúde) e o mercado continua a renovar-se. Mas não são as únicas. O segmento do luxo entrou em Portugal com força e são várias as marcas representadas no país — onde os preços podem chegar às dezenas de milhares de euros. Ainda assim, e embora 15 mil euros possa parecer um exagero por um colchão, estes não serão os mais caros (nem os mais excêntricos). Há propostas com ligação ao smartphone (para monitorizar o sono através de uma aplicação), colchões para que um casal consiga dormir abraçado sem a possibilidade de os braços ficarem dormentes, e até uma cama que desafia a gravidade.

Talvez valha a pena olhar para o caso mais extremo. A Floating Bed da Universe Architecture, criada pelo arquiteto holandês Janjaap Ruijssenaars — depois de um processo criativo que o ocupou durante sete anos — custa 1,6 milhões de dólares (cerca de 1,4 milhões de euros), mas levita a 40 centímetros do chão. O complexo sistema magnético permite aguentar 900 kg de peso e a cama está segura por cabos (mas apenas por uma questão de estabilidade). Não a confundamos com os modelos de camas flutuantes que se prendem à parede, muito menos onerosos e surpreendentes.

Voltemos a pôr os pés no chão: por muito bom que o novo colchão seja, não será ele a fazê-lo dormir. Quando a hora de rumar ao quarto chega, há outros cuidados a ter para que o sono reparador chegue o mais depressa possível. O melhor é começar um pouco antes, com um maior cuidado quanto à luz a que se está exposto na última hora de atividade do dia — evitando dispositivos eletrónicos, como computadores ou telemóveis, ou mesmo a televisão. Ler um livro em papel parece ser a melhor opção, utilizando para isso uma luz de leitura apropriada. A temperatura do corpo também pode influenciar o sono (neste requisito o tipo de colchão também tem alguma influência) e o melhor é que o quarto tenha uma temperatura amena na hora de deitar. Bons sonhos.