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Só 18% dos alunos do ensino profissional continuam a estudar

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Ministro Manuel Heitor quer que mais alunos destas vias ingressem no ensino superior. Formações curtas dadas nos politécnicos são uma das alternativas e devem atrair este ano 7400 alunos. Mas as regras de acesso a licenciaturas por parte dos estudantes do ensino profissional também podem vir a mudar

Se 80% dos alunos dos alunos que concluem o 12º através dos cursos científico-humanísticos (gerais) seguem para o ensino superior. Entre os que terminam o secundário pela via profissional a situação é exactamente a inversa: menos de 20% prosseguem estudos.

Os números foram apurados pela Direção-Geral de Estatísticas da Educação e mostram que apenas 16% dos alunos que concluíram o ensino profissional em 2013/14 estavam matriculados numa instituição de ensino superior no ano seguinte. A grande maioria (82%) não estava a estudar e os restantes dois por cento passaram para outro curso do secundário.

É pois entre os jovens que optam pelo profissional que acontece a maior ‘perda’ de estudantes no sistema de ensino. Entre os alunos do ensino artístico, um grupo bastante mais reduzido, pouco mais de metade seguem para a universidade.

Ainda que seja natural que uma percentagem significativa de alunos que optam pelos cursos profissionais acabe por tentar ingressar no mercado de trabalho logo após a conclusão do secundário, a diferença de percursos em relação aos colegas do ensino geral não deixa de ser muito acentuada.

Para o ministro da Ciência e do Ensino Superior, Manuel Heitor, esta é uma situação que deve ser alterada, com a atração de mais alunos do profissional para o ensino superior.

“São cerca de 20 mil jovens por ano que acabam uma via profissional e que não seguem para o ensino superior. Em termos acumulados, há mais de 200 mil portugueses que concluíram o 12º e que não tiveram oportunidade de ingressar no ensino superior, lembra o ministro da Ciência e do Ensino Superior, Manuel Heitor.

Os cursos Técnicos Superiores Profissionais (Tesp), formações de dois anos com um estágio de um mínimo de seis meses, foram criados em 2014/15 como forma de garantir que também os alunos das vias profissionalizantes conseguissem adquirir mais formação após o 12º ano. O acesso é mais fácil já que não são exigidos exames nacionais, como acontece nas licenciaturas e mestrados.

Mais cursos superiores profissionais

Mas este ano letivo, em que se espera a entrada de mais 7400 jovens nestes cursos, os Tesp apresentam uma novidade. Não conferindo um grau de ensino superior, a sua conclusão passa a dar direito a diploma desse nível. E a passagem depois para uma licenciatura também é facilitada, já que passam a ser os institutos politécnicos a definir as regras de acesso e deixa de haver a obrigatoriedade de realizar uma prova de ingresso.

Foi a forma encontrada pela tutela de tornar estas formações mais atrativas, sem se mexer no regime de acesso ensino superior e cuja revisão está ainda em análise.

Este ano letivo, estão disponíveis 580 Tesp com capacidade para mais de 18 mil alunos. Mais de 7 mil empresas e organismos associados asseguram os estágios.

“Sabemos, até pelas experiências lá fora, que as formações curtas podem ser uma via adequada para estimular o ingresso no ensino superior por parte de quem conclui cursos profissionais do secundário. E também são conhecidas as barreiras que o tipo de formação dada nestes cursos coloca a partir do momento em que se exigem exames nacionais para ingressar numa licenciatura. Há um grupo de trabalho nomeado para estudar o regime de acesso e está-se a ponderar se é possível evoluir”, admite Manuel Heitor, quando questionado sobre a possibilidade de haver uma alteração nas regras do acesso ao superior em relação aos alunos do profissional e do ensino artístico.