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Número de alunos a entrar no ensino superior volta a aumentar

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Rui Duarte Silva

Quase 43 mil jovens já têm um lugar garantido numa universidade ou politécnico público. Os resultados das colocações da 1ª fase do concurso nacional de acesso acabam de ser divulgados e revelam um aumento de 2% face a 2015. Duas engenharias no Técnico exigiram as médias de entrada mais altas. Somando todas as vias de acesso, o número de entradas no superior pode ultrapassar os 78 mil

A subida não foi tão acentuada como aconteceu em 2015, mas o próximo ano letivo deverá contar com mais jovens no ensino superior público: 42.958 já têm um lugar garantido através da 1ª fase do concurso nacional de acesso, mais 890 do que em igual etapa do ano passado. Os resultados destas colocações acabam de estar disponíveis e podem ser consultados no site da Direção-Geral do Ensino Superior ou através da aplicação ES Acesso para smartphones.

Dos 49.500 candidatos, 87% já conseguiram colocação, ainda que só metade tenha conseguido ficar na sua 1ª opção. E há ainda pelo menos oito mil vagas disponíveis para a 2ª e 3ª fases do concurso.

Como nos anos anteriores, entre as 1060 licenciaturas e mestrados integrados há formações que já estão totalmente preenchidas (ainda que possam vir a ser libertadas vagas se os alunos não se matricularem) e outras que estão em branco. São 45 ao todo que não receberam qualquer candidatura nesta 1ª fase, ainda que possam vir a receber estudantes nas restantes fases ou por via dos outros regimes de acesso, o que acaba por acontecer em muitos casos. Alargando a análise aos cursos com menos de 10 colocações, o número sobre para 191.

Crise na Engenharia Civil, Enfermagem em alta

A fraca procura pelas formações em Engenharia Civil repete-se. Das 20 que existem no ensino público, oito não tiveram qualquer candidato, duas tiveram apenas uma colocação e outras tantas ficaram-se pelos dois alunos, manifestamente insuficientes para formar uma turma.

Já a Medicina é o que se sabe. É uma das áreas mais disputadas e dos sete cursos que existem (no continente, nos Açores e na Madeira) todos ficaram cheios. Ninguém com menos de 177,5 valores (numa escala até 200) conseguiu entrar. Ainda assim, não são os cursos a pedir as médias de acesso mais elevadas. Engenharia Aeroespacial e Engenharia Física Tecnológica, ambas no Instituto Superior Técnico, bateram este ano o recorde de exigência.

Ainda na área da Saúde, destaque para os cursos de Enfermagem. As três escolas superiores de enfermagem esgotaram a sua oferta (tal como Universidade Nova de Lisboa e o ISCTE, sobrando apenas duas vagas na Escola Superior de Hotelaria e Turismo de Lisboa e muito poucas nas universidades de Porto e Minho, por exemplo) . E olhando para a totalidade das 21 licenciaturas em enfermagem e as suas 1981 vagas verifica-se que 1925 já foram ocupadas. Isto apesar dos problemas de emprego que enfrentam os jovens enfermeiros em Portugal e que optam muitas vezes por procurar trabalho, e conseguir, no estrangeiro.

São dos cursos a abrir mais lugares, mas não superam os de Direito.

Pelo terceiro ano consecutivo, aumentou o número de candidatos e de colocados – ainda assim longe dos valores registados entre 2008 e 2010 -, indicam os números da Direção-Geral do Ensino Superior relativos à 1ª fase. Mas o Ministério foi mais longe este ano nas contas e fez já uma estimativa para o final das três fases do concurso nacional de acesso. Se correr como nos anos recentes, haverá 46.700 caloiros, ou seja, mais 6% do que em 2015.

"É preciso estudar mais"

Além disso, fez questão de sublinhar Manuel Heitor durante uma apresentação prévia dos resultados, o concurso nacional de acesso (destinado sobretudo aos jovens que acabam de concluir o ensino secundário) representa apenas cerca de 2/3 do conjunto dos estudantes que ingressam anualmente no ensino superior público.

É a via preferencial no caso das entradas nas universidades (83% dos seus estudantes ingressam através do concurso nacional de acesso). No caso dos politécnicos, as orgigens são mais diferenciadas e este concurso repressa apenas 66% dos ingressos.

Entre os concursos destinados aos maiores de 23 anos, detentores de cursos pós-secundário ou licenciaturas, regimes especiais para alunos internacionais, estudantes dos PALOP, concursos locais e ainda o ingresso em cursos técnicos superiores profissionais (Tesp), as contas feitas pelas instituições de ensino superior e a DGES apontam para a entrada de um total de cerca de 78 mil estudantes.

Os resultados deixam o ministro da Ciência e do Ensino Superior satisfeito, mas Manuel Heitor reforça a ideia de que é preciso aumentar ainda mais os números. “Apesar do enorme progresso registado em Portugal nos últimos 40 anos e de estarmos a estudar mais, estamos ainda aquém de alcançar resultados que nos coloquem num patamar satisfatório e ao nível dos países europeus mais desenvolvidos no que respeita aos níveis de formação superior. Não nos podemos conformar com uma realidade como a que caracteriza a sociedade portuguesa, em que apenas cerca de 40% dos jovens com 20 anos frequentam o ensino superior. Estudar mais é preciso”, defende.

Neste cenário que aponta para 78 mil entradas no superior, que o presidente do Conselho dos Reitores das Universidades Portuguesas, António Cunha, diz ser muito fidedigno, a ocupação de todas as universidades e politécnicos acaba por ser superior às vagas disponibilizadas no concurso de acesso.

Também o presidente do Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos, Joaquim Mourato, apresentou os resultados comos muito positivos, em particular para este subsistema. "Nesta 1ª fase do concurso ingressaram nas instituições politécnicas 15.922 estudantes, o que se traduz num acréscimo de 593 candidatos comparativamente à mesma fase no ano anterior. E cresceu 2,9% o número de estudantes de 1ª opção".

As candidaturas à 2ª fase do concurso começam segunda-feira e decorrem até 23 de setembro. Os resultados serão divulgados uma semana depois.