Siga-nos

Perfil

Expresso

Sociedade

Em nome da filha

  • 333

DV

É uma atleta paralímpica notável. Há 15 anos, Mónica da Silva teve de escolher entre ser mãe ou ficar numa cadeira de rodas para sempre. Escolheu a primeira opção

Ser mãe é um sonho para muitas mulheres. Mas, e se ele vier envolvido num manto em que se esconde uma sentença de morte? Foi o que aconteceu a Mónica da Silva Santos. Aos 20 anos, começou a sentir falta de movimento nas pernas. Quando procurou o médico, recebeu duas notícias: a primeira - boa -, que estava grávida de quatro semanas. A segunda - má -, que tinha um hemangioma medular a pressionar-lhe a coluna vertebral e que isso era incompatível com a gestação do bebé. A orientação do médico era para operar, o quanto antes. Recuperar a capacidade de andar só seria possível com operação - e um aborto.

Era uma decisão que mais parecia uma espada de Dâmocles. Fosse qual fosse o lado para o qual caísse, haveria sempre uma perda grande associada. Consciente dos riscos que corria, Mónica ouviu o coração e decidiu avançar com a gravidez. "Realizei o sonho de ser mãe. Tive a minha linda filha Paolla", que lhe deu forças para lutar pelos seus objetivos, conta. Um mês após o parto, Mónica foi submetida a uma cirurgia de risco. "Nessa altura já não caminhava, mas os riscos da operação ainda eram maiores". No entanto, diz: "Deus me abençoou. A cirurgia correu bem e eu fiquei apenas paraplégica". A vida de Mónica passaria a ser sentada numa cadeira de rodas - mas tinha uma filha para ver crescer.

Antes, a brasileira gaúcha praticava futebol duas vezes por semana. Depois da operação, teve de procurar alternativas. Integrou uma equipa de basquetebol, experimentou tiro desportivo, karts, vela adaptada... Até que descobriu a esgrima. Trocou a espada de Dâmocles pelo florete. Hoje, treina cinco dias por semana e faz 240 km para ir aos treinos. Mas nada a detém. "A minha vida está dividida entre treinos, competição e família", partilha. Agora, aos 35 anos, Mónica soma mais de 30 medalhas. Foi tetracampeã pelo Brasil, e é a única mulher a ter conquistado duas medalhas de ouro internacionais na esgrima paralímpica. Nos Jogos Paralímpicos que se iniciaram esta semana, no Rio de Janeiro (e se prolongam até dia 18), o sonho de Mónica é trazer uma medalha. Mas se "chegar às semifinais" já se dá por feliz.