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Aluno de Ciências, 12º ano feito em Coimbra ou Bragança e mãe diplomada: são estes quem mais chega ao ensino superior

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Estudo olhou para o percurso dos jovens um ano depois de terem concluído o secundário. Condições económicas e, acima de tudo, a escolaridade da mãe confirmam-se como variáveis determinantes

São os alunos dos cursos gerais (por oposição aos profissionais e tecnológicos) quem mais procura o ensino superior. Mas mesmo entre estes há percursos bastante diferentes, revela um estudo inédito da Direção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciências (DGEEC) que foi ver quais as características dos jovens que, tendo concluído o 12º no ano letivo de 2013/14, prosseguiram estudos e os que ficaram pelo ensino secundário.

A primeira parte do trabalho “Transição entre o secundário e o superior” é agora divulgada e revela, por exemplo, que os estudantes de Ciências e Tecnologias e de Ciências Socioeconómicas são quem mais continuam a estudar. Entre os que concluíram o secundário nestas áreas em 2013/2014, apenas 11% a 12% não estavam no sistema de ensino no ano seguinte. Já entre os estudantes de Artes Visuais e de Línguas e Humanidades as percentagens sobem para 20% e 26%, respectivamente.

Como é expectável, e já ficou demonstrado noutras trabalhos de investigação, a taxa de prosseguimento de estudos é também maior entre os alunos de famílias com mais rendimentos, ou pelo menos, sem grandes dificuldades económicas, e para aqueles cujas mães têm habilitações literárias mais elevadas. Mas entre estas duas variáveis, e embora estejam correlacionadas, é esta última que parece ter um peso maior. Ou seja, “o nível escolar da família do aluno aparenta ser uma variável ainda mais importante”, constatam os autores do documento.

Os números são expressivos: 86% dos alunos dos cursos científico-humanísticos sem Ação Social Escolar (ASE) estão a estudar no ano seguinte à conclusão do secundário, contra 76% dos que são mais carenciados e se encontram no escalão A, recebendo o apoio mais elevado .

Considerando apenas a variável “habilitação da mãe”, os valores tornam-se ainda mais significativos. Mais de 90 por cento dos diplomados do ensino secundário público cujas mães têm ensino superior prosseguem para uma instituição universitária ou politécnico. O valor cai para 80% para os filhos de quem tem o 9º ou o secundário incompleto. E descrese para 73% para os jovens cujas mães têm no máximo o 6º ano. Entre os estudantes do ensino profissional, a diferença acentua-se ainda mais: 43%, 23% e 12% foram os valores encontrados.

Outro cruzamento feito pela DGEEC atende às notas obtidas nos exames do 9º ano. E também estas funcionam como preditores do comportamento no final do secundário. À medida que decrescem as médias, menor é a percentagem dos que continuam a estudar após o 12º. Por exemplo, 95% dos alunos cursos científico-humanísticos que, anos antes, tiveram entre 81 e 100 por cento na prova de Matemática do 9º seguem para a universidade. A percentagem cai para os 65% entre os que tiveram menos de 20%. A tendência é válida tanto para os cursos científico-humanísticos como para os profissionais.

Em Faro e Lisboa há mais alunos a deixar de estudar

Olhando agora para as diferenças regionais, elas existem e são nalguns casos bastante acentuadas, sobretudo entre os alunos dos cursos profissionais. Mas olhemos para o que se passa nas vias gerais e que são a principal origem dos estudantes das universidades.

De acordo com os dados apresentados no estudo da DGEEC, 93% dos que terminaram o secundário no distrito de Coimbra (no ano letivo 2013/14) estavam a estudar no ano seguinte, quase todos no ensino superior e apenas 3% num outro curso do secundário. O mesmo com 92% dos jovens de Bragança.

A percentagem baixa para os 80% para quem fez o liceu no distrito de Lisboa e para os 78% no distrito de Faro.

Recorde-se que a média nacional de prosseguimento de estudos encontrada nesta análise é de 84% para os alunos dos cursos científico-humanísticos e de 18% para os do ensino profissional.

Captar mais alunos para o ensino superior é um dos objetivos do Governo.

  • Ministro Manuel Heitor quer que mais alunos destas vias ingressem no ensino superior. Formações curtas dadas nos politécnicos são uma das alternativas e devem atrair este ano 7400 alunos. Mas as regras de acesso a licenciaturas por parte dos estudantes do ensino profissional também podem vir a mudar

  • Número de alunos a entrar no ensino superior volta a aumentar

    Quase 43 mil jovens já têm um lugar garantido numa universidade ou politécnico público. Os resultados das colocações da 1ª fase do concurso nacional de acesso acabam de ser divulgados e revelam um aumento de 2% face a 2015. Duas engenharias no Técnico exigiram as médias de entrada mais altas. Somando todas as vias de acesso, o número de entradas no superior pode ultrapassar os 78 mil