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iPhone, o conquistador, está a perder força?

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LANÇAMENTO. Tim Cook a apresentar o novo iPhone

REUTERS

A apresentação da Apple não teve o brilho de outros tempos, mas os iPhone 7 e as novas versões do relógio inteligente da marca estão a convencer os analistas. Em Portugal, as pré-reservas começam sexta-feira às 8h01

Foram cerca de duas horas de apresentação. Bem mais do que o necessário, disseram muitos críticos, e com vários momentos pouco interessantes, nada habituais nas apresentações da Apple. Mas também houve algumas surpresas, com destaque para a presença de Shigeru Miyamoto, um dos mais conceituados designers de jogos do mundo, responsável pela criação de alguns dos clássicos da Nintendo. E foi a empresa nipónica a primeira grande vencedora da noite: a cotação bolsista da Nintendo subiu quase 30% após Miyamoto ter divulgado que o jogo “Super Mario Run” vai chegar ao iPhone no final deste ano.

Inovador q.b.?

Desta vez não houve nenhum momento 'uau' durante a apresentação dos novos iPhone. Talvez porque boa parte das características já eram conhecidas, mas sobretudo porque a grande maioria das novidades dos iPhone 7 e 7 Plus não são novidade no mercado. Ou seja, a Apple adicionou algumas funcionalidades importantes, mas quase todas já estavam disponíveis em telefones da concorrência. O que pode ser um problema já que as vendas do iPhone desceram pela primeira vez este ano — a Apple não precisa apenas de convencer os utilizadores do iPhone a continuarem na marca, mas também de conquistar quota de mercado aos concorrentes. Isto se quiser voltar a crescer.

Entre as novidades, o destaque vai para a nova câmara traseira. Mais do que os píxeis — e são 12 milhões — a Apple sublinhou as funcionalidades e a qualidade extra. A empresa garante que esta é a melhor câmara «jamais feita para um smartphone», apresentando características como um grande intervalo dinâmico (maior capacidade para captar imagens com zonas escuras e zonas muito luminosas), elevada sensibilidade à luz e a capacidade de captar muito mais cores do que o habitual. Durante a apresentação, a Apple chegou a comparar as novas câmaras a modelos profissionais. Nada que já não tivesse feito em apresentações anteriores.

As melhorias vão ser mais visíveis na versão Plus, onde vão ser usadas duas câmaras com duas lentes, uma com grande angular (maior amplitude) e outra com zoom de 2x. Uma característica inovadora já que os smartphones habitualmente recorrem à ampliação digital para fazer zoom. No iPhone 7 Plus, a segunda lente permite fazer um zoom real. Na app há um botão para controlar o zoom: a partir das 2x passa a ser digital, mas a Apple garante que a qualidade de imagem é elevada graças ao software utilizado. Foi sublinhada a funcionalidade de alterar a profundidade de campo, que permite destacar o motivo principal através do desfoque da área que está em primeiro plano. E vai funcionar em tempo real, enquanto o utilizador se prepara para enquadrar a foto. No entanto, esta funcionalidade não vai estar disponível na data de lançamento, estando prometida para uma atualização que deverá acontecer nos próximos meses.

Phil Schiller explica as vantagens da nova câmara

Phil Schiller explica as vantagens da nova câmara

reuters

Mais inovador é, sem dúvida, o botão Home, que deixou de ser um “interruptor” para ser semelhante a um touchpad. É háptico, para que o utilizador sinta a ação que executou, e suporta vários níveis de pressão que podem ser usados para lançar diretamente apps e outras funcionalidades.

O fim de uma era

Inovador, mas bem menos consensual, é a remoção da saída para auscultadores. A Apple não foi a primeira a fazê-lo, mas os responsáveis da empresa sentiram necessidade de justificar bem esta decisão. A principal razão: não vale a pena ocupar espaço valioso com uma ligação que só serve para áudio, recordando que já existem no mercado vários aparelhos de áudio que recorrem à interface Lightning. E a caixa dos novos iPhones vai incluir não só uns headphones com esta interface, como um adaptador para quem usa auscultadores tradicionais.

No entanto, a remoção do jack não fez diminuir as medidas dos iPhones 7, que têm exatamente as mesmas dimensões dos modelos anteriores. Aliás, o peso até aumentou ligeiramente. E falta saber se, por exemplo, é possível carregar o iPhone 7 enquanto se ouve música. Isto porque a mesma porta é utilizada para duas funções. Até porque, apesar de a Apple defender um mundo com cada vez menos fios, ainda não foi desta que o iPhone ganhou um sistema de carga wireless.

Ainda no campo do som, a Apple anunciou uns auscultadores sem fios, os AirPods, que comunicam com o telemóvel utilizando um novo formato proprietário variante do Bluetooth. O que significa que é provável que estes AirPods só sejam compatíveis com os iPhones. Rapidamente as redes sociais foram inundadas com críticas ao design invulgar dos AirPod.

Watch: muitos e para todos os gostos

O Watch 2, ou melhor Series 2, já tem GPS para que os atletas possam registar os percursos sem terem de levar o iPhone. E pode mergulhar até 50 metros de profundidade. Não tem, como alguns rumores chegaram a indicar, câmara para o Facetime. Mas está disponível em muitas versões, incluindo com caixa em cerâmica, com braceletes Hermès e em versões Nike para desportistas. Considerando as variações ao nível de cores e de braceletes, há, literalmente, dezenas de modelos diferentes por onde escolher. Mais ainda se incluirmos o Series 1. Sim, o primeiro Watch contínua disponível, mas foi submetido a uma atualização para ficar preparado para executar as apps mais exigentes — utiliza o mesmo processador do Watch 2.

Quanto e quanto

É já sexta-feira que são iniciadas as pré-reservas. Os principais operadores nacionais confirmaram ao “Expresso” que vão começar a aceitar reservas um minuto depois das oito da manhã. Os iPhone 7 vão chegar às prateleiras das lojas à mesma hora no dia 16 de setembro. Os preços variam entre 779 euros (iPhone 7 de 32 GB) a 1.139 euros (iPhone 7 Plus de 256 GB). No caso do Watch, as datas são as mesmas e os preços começam nos 349 euros para o Series 1 e nos 449 euros para o Series 2.

A Apple aumentou as opções de modelos do Watch

A Apple aumentou as opções de modelos do Watch

epa

Pela primeira vez Portugal faz parte da lista dos países que vão receber os novos gadgets da Apple no dia de lançamento. Aliás, nunca antes a Apple tinha feito um lançamento tão abrangente em termos geográficos. No total, são 28 os países onde vai ser possível adquirir os novos aparelhos da Apple. China incluída. O que parece confirmar que a Apple terá encomendado uma produção recorde. De acordo com fontes próximas da Foxconn, a principal fornecedora da Apple, deverão ser produzidos quase 80 milhões de novos iPhones até ao final deste ano. Ao fim de contas já foram vendidos mais de mil milhões de iPhones, o equivalente a um sexto da população mundial. Outro número que dá que pensar: a Apple anunciou que já é a segunda marca mundial de relógios em termos de vendas (valor), só superada pela Rolex. Relembramos que o relógio da Apple ainda nem celebrou o segundo aniversário.