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Sociedade

Esquema de roubos em famosa leiloeira parisiense dá penas de cadeia para 30 pessoas

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FRANÇOIS GUILLOT / AFP / Getty Images

Os réus eram membros de uma exclusiva corporação profissional fundada no século passado

Luís M. Faria

Jornalista

Trinta porteiros do Hotel Druout, a maior casa leiloeira francesa, foram condenados a penas de prisão pelo seu envolvimento num esquema de roubo que se prolongou durante longos anos. Dois leiloeiros foram igualmente condenados.

Os objetos roubados eram de todos os tipos, desde quadros a mobília, joalharia, etc. Entre as peças recuperadas há obras de Chagall, Courbet e Matisse, bem como trajes do mimo Marcel Marceau, cerâmica antiga, e muito mais. Um dos porteiros disse anonimamente à imprensa que não conhecia um único dos seus colegas que não tivesse levado objetos. Em 147 buscas efetuadas, a polícia encontrou cerca de seis mil peças.

Muitos dos roubos aconteciam quando alguém morria e os seus bens eram transferidos para a leiloeira, por vezes antes de estarem corretamente inventariados. No tribunal, ficou claro que muitos dos réus não consideravam roubo o que faziam, até por ser tão generalizado. Chamavam-lhe "recuperação".

Carros de luxo, um bar em Paris...

Os porteiros agora condenados, cujas responsabilidades incluiam a manutenção e o transporte dos bens, faziam parte de uma corporação que tinha o exclusivo daquele serviço: a Union des Comissionnaires de L'Hôtel des Ventes (UCHV), fundada no século passado e tradicionalmente composta por pessoas oriundas da região alpina da Saboia. Os seus 110 membros usavam o característico uniforme preto com gola vermelha –donde a alcunha por que eram designados: "cols rouges". Tinham quotas iguais na UCHV e dividiam entre si o produto dos roubos.

Foram os carros de luxo e outras exibições públicas de riqueza que começaram a fazê-los dar nas vistas. Um dos porteiros tinha mesmo comprado um bar em Paris. Em 2009 houve uma denúncia anónima e as autoridades começaram a investigar.

Após um processo que ocupou as manchetes, o tribunal emitiu condenações por roubo e recetação com penas até três anos de cadeia, parte delas suspensas, acrescidas de multas que atingem os 60 mil euros. Quanto à UCHV, foi dissolvida.