Siga-nos

Perfil

Expresso

Sociedade

Indisciplina na sala de aula é o maior problema para os professores

  • 333

Menos autonomia e poder de decisão, mais trabalho, menos prestígio, com o Ministério da Educação a não valorizar o trabalho dos professores. Assim tem evoluído a profissão docente, diz a maioria de quase três mil professores inquiridos

Perante uma lista com seis problemas passíveis de existir nas escolas, mais de metade dos professores (51,6%) identifica a indisciplina na sala de aula como aquele que mais dificuldades levanta. A vinte pontos percentuais de distância indicam a extensão dos programas.

Estes são os números globais apurados no estudo “As preocupações e as motivações dos professores”, conduzido pela Fundação Manuel Leão, a partir de um inquérito respondido por mais de 2900 docentes de todos os níveis de ensino não superior.

A única exceção encontra-se entre os professores do 1º ciclo, que, maioritariamente (47%), colocam no topo da lista dos problemas a suscitar mais dificuldades a extensão dos programas. A indisciplina surge em segundo lugar, mas a 10 pontos percentuais de distância.

Os dados são coerentes com as respostas dadas quando se pergunta quais as causas de maior insatisfação para os professores na relação com os alunos: praticamente 60% queixam-se da “falta de respeito”. “Não conseguir motivar os alunos” é a segunda causa mais referida, indicada por um em cada quatro dos inquiridos.

A "missão" de ensinar

Mas não é apenas dentro da sala de aula que residem os motivos do descontentamento de muitos professores. A avaliação que fazem da evolução das suas condições de trabalho é maioritariamente negativa. Entre os professores é quase unânime a opinião de que, nos últimos anos, o volume de trabalho aumentou (resposta dada por 98,8% dos inquiridos); que diminuiu a autonomia e poder de decisão dos professores (80%) e também o tempo e as condições para refletir sobre as práticas de ensino (87%).

Por outro lado, asseguram 91% dos docentes, o prestígio da profissão diminuiu por via da informação veiculada pela comunicação social. E a própria tutela não ajuda: 85% dos inquiridos disseram “discordar” da afirmação “o Ministério valoriza o trabalho dos professores”. A mesma percentagem repetiu a opinião quando se muda o sujeito para a “sociedade”.

Dizem ainda que o que lhes dá maior satisfação é o reconhecimento profissional e a valorização do seu trabalho. Afinal, conclui-se ainda a partir deste estudo, a maioria considera que a profissão que escolheram tem uma forte componente de missão e de atividade criativa associando os termos “paixão” e “esperança” à arte de dar aulas.