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Substituir carne por proteína vegetal é opção para 45% dos portugueses

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Mário João

Segundo os dados do “Primeiro Grande Inquérito Sustentabilidade em Portugal”, realizado pelo Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, 38% dizem estar nada ou pouco dispostos a abdicar da carne na sua alimentação, enquanto 17% continuam indecisos

Quase metade dos portugueses parecem dispostos a deixar de comer carne e optar por proteínas vegetais, como o grão ou feijão, 54% consideram ter uma alimentação saudável e muitos mais dizem consumir legumes frequentemente, revela um inquérito.

Segundo os dados do "Primeiro Grande Inquérito Sustentabilidade em Portugal", realizado pelo Instituto de Ciências Sociais (ICS) da Universidade de Lisboa, e divulgado esta terça-feira, 45% dos participantes manifestam-se bastante ou muito dispostos a optar por proteínas vegetais em vez de carne.

No entanto, 38% dizem estar nada ou pouco dispostos a abdicar da carne na sua alimentação, enquanto 17% continuam indecisos.

Já para alternativas mais modernas ou estranhas a disponibilidade não é a mesma: 80% não estão dispostos a introduzir insetos e minhocas processados nas suas refeições nem a consumir carne de animais clonados, 78% não querem carne de laboratório (in vitro) ou alimentos geneticamente modificados, e 72% recusam refeições em pastilhas.

As conclusões acerca dos hábitos saudáveis dos portugueses apontam ainda para idas regulares ao médico da parte de 47% dos inquiridos, pelo menos oito horas de sono por noite para 43%, peso vigiado em 41%, além de moderação no consumo de bebidas alcoólicas em 17%.

As medicinas alternativas são utilizadas somente por 6% dos inquiridos, mas o consumo de produtos de agricultura biológica já é feito nas casas de 17% dos portugueses, enquanto 13% reconhecem a ingestão de suplementos alimentares vitamínicos.

Além do consumo de verduras e legumes da parte de 73% dos inquiridos, a fruta também está na lista de comportamentos associados a uma alimentação saudável (57% de respostas), como a opção por comer várias vezes ao dia (46%) ou a redução de produtos salgados (41%) e de refrigerantes (39%).

Menos adeptos, mas ainda assim quase 20%, têm a preferência por produtos da época e o cuidado em evitar produtos com pesticidas.

Estes comportamentos relacionados com alimentação saudável são sempre mais seguidos pelas mulheres.

Outro tema abordado no inquérito do Observador de Ambiente e Sociedade, do ICS, foi a adesão dos portugueses a medidas ligadas à energia, que é mais elevada na colocação de vidros ou janelas duplos para melhorar a temperatura do interior da casa e quase um terço diz que já fez esta opção.

Entre 60% e 80% dos inquiridos respondem "gostaria" às várias possibilidades apresentadas pela equipa da investigadora Luísa Schmidt, principalmente a instalação em casa de painéis solares, tanto para produção de energia, como para aquecimento de água.

O inquérito presencial foi realizado de 7 de abril a 7 de maio, a 1500 residentes em Portugal, com mais de 18 anos, numa amostragem aleatária atendendo a região, género, idade e escolaridade, com um intervalo de confiança de 95%.