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Sociedade

Calendário escolar deve passar para dois semestres, defendem diretores

José Carlos Carvalho

Os três períodos letivos que existem atualmente são “desiguais na sua duração”, sendo os dois primeiros quase semelhantes e o terceiro demasiado curto, defende o presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas

Mais de metade dos diretores dos agrupamentos escolares (54,1%) concorda que o calendário escolar passe para apenas dois semestres, indica um inquérito sobre "O que pensam os diretores e os presidentes de Conselhos Gerais sobre questões pertinentes da escola portuguesa".

O inquérito, a que a Lusa teve acesso, indica que 54,1% dos diretores de agrupamentos escolares inquiridos concordam com apenas dois semestres de calendário escolar, em vez dos tradicionais três períodos letivos.

Dos presidentes de Conselhos Gerais inquiridos apenas 32,8% concordam com essa opção de dois semestres, mas, no entanto, considerável quantidade de presidentes questionados (41,2%) defendem a necessidade de uma "revisão do calendário escolar".

Os momentos de avaliação atualmente em Portugal são três, tal como o número de períodos letivos.

Os três períodos letivos que existem atualmente são "desiguais na sua duração", sendo os dois primeiros quase semelhantes e o terceiro demasiado curto, explica à Lusa Filinto Lima, presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas (ANDAEP), referindo que é o feriado da Páscoa, que, por ser móvel – ora é em março, ora em abril –, "grande constrangimento" da atual situação.

"Todos os professores se queixam da pequenez do terceiro período letivo, que não dá para nada, a par dos feriados e da realização dos exames do 4.º e 6.º anos em tempo letivo, encurtando-o ainda mais", conta Filinto Lima, reconhecendo que a proposta passa pela criação de dois períodos letivos, semestrais, com o mesmo número de dias e dois momentos de avaliação".

Para o presidente da ADAEP, devem, todavia, manter-se as pausas do Natal, Carnaval e Páscoa. "Muitos alunos, sabendo que não têm tempo para recuperar no último período, abandonam a escola ou comportam-se de forma leviana, perturbando as escolas e o seu ambiente", lamenta ainda o professor Filinto Lima, reiterando que os períodos letivos escolares devem ser "equilibrados, com o mesmo número de dias, e, por isso, defende "períodos semestrais".

O presidente da ADAEP defende uma "discussão alargada" e com "tempo para pensar na semestralidade", mas é defensor dos dois períodos de avaliação, à semelhança do que acontece nas universidades.

A maioria dos diretores de agrupamentos escolares (89,0%) e presidentes de Conselhos Gerais (86,3%) rejeita o atual processo de municipalização escolar, revela também o mesmo inquérito, da autoria do docente Alexandre Henriques.

O modelo de gestão, a municipalização escolar, a autonomia escolar e o calendário escolar, são questões "muito importantes" e o estudo mostra que os principais membros da comunidade escolar – diretores de agrupamentos e presidentes de Conselhos Gerais – "não estão de acordo com o rumo que está a ser seguido", lê-se na conclusão do inquérito.

Outra das conclusões do estudo revela que os resultados escolares e as questões disciplinares continuam a ser o "principal motivo de preocupação de diretores de e presidentes, com as questões disciplinares a surgirem no "topo das preocupações".

Os dados revelam também que apenas 8,3% de diretores e presidentes de Conselhos Gerais sentem o seu trabalho "reconhecido" e ou "valorizado" pelo Ministério da Educação, valores que "deviam envergonhar e fazer refletir profundamente os visados", refere o autor do estudo, Alexandre Henriques.

O inquérito sobre "O que pensam os diretores e os presidentes de Conselhos Gerais sobre questões pertinentes da escola portuguesa?" foi realizado em julho deste ano através da plataforma de formulários Google, um universo de 312 diretores e presidentes de escolas.