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Foi você que pediu uma experiência de realidade virtual?

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d.r.

A Alcatel deixou de ser “one touch” e regressou ao seu nome de batismo francês. Em termos de nome, entenda-se, porque a marca pertence hoje ao grupo chinês TLC. As principais referências deste fabricante mantêm-se. Nomes como “Idol” ou este “Pop” continuam a representar dispositivos de relativo sucesso no mercado europeu. Mas vamos ao teste

Este é um telefone bem desenhado onde o fabricante não se coibiu de utilizar bons materiais. As arestas que separam ecrã do corpo do telefone são suaves o que faz com que seguremos o telefone sem sentir relevos forçados. Infelizmente, o Idol 4S escorrega facilmente. É necessário manipulá-lo com firmeza para que não acabe no chão.

O fabricante resolve bem a questão ao oferecer uma película protetora do ecrã e uma capa traseira. Este é um telefone fino e leve que, devido à dimensão do ecrã, nos obriga a utilizar, quase sempre, as duas mãos para controlar as interações. Mas tudo corre pelo melhor devido à boa qualidade do ecrã que, apesar mostrar cores algo exacerbadas (típicas do AMOLED), permite uma experiência visual muito conseguida. Principalmente, debaixo da luz direta do Sol. A elevada resolução (2K) contribui para que possamos ler com conforto. A mesma generosidade de píxeis ajuda à boa reprodução de vídeos e à utilização de aplicações.

A experiência

A Alcatel não altera muito o Android. O que é bom. Integra algumas apps de raiz – até uma loja de aplicações -, mas interessa-nos destacar um software de som que faz, mesmo, toda a diferença. O Maxxaudio, da Waves, é uma suíte que permite equalizar o áudio. O resultado é muito bom e melhora quando juntamos os auscultadores Bose oferecidos.
O comportamento das câmaras fotográficas é aceitável. Bem conseguido quando estamos no exterior com muita luz ambiente, mas no interior (com pouca luz) as coisas já não correm tão bem. O software integrado para controlo da câmara dá acesso a comandos manuais e gostámos da integração de raiz dos micro-vídeos (possibilidade de fazer pequenos clipes com alguns efeitos) e da paralaxe do Fyuse (que faz uma foto que junta vários ângulos).

O desempenho do Idol 4S é mediano. A opção de componentes não permite fazer frente ao G5, ao Galaxy S7 ou ao P9. Mas, a verdade, é que durante os testes não notámos quaisquer perdas de fluidez neste terminal. Na RV aquece muito. Mas esse é o comportamento que registámos também em outros telefones concorrentes.

O botão Boom, de lado, permite aceder a algumas funcionalidades rapidamente – tirar fotos com o ecrã desligado, por exemplo. É simpático, mas não é um fator crítico para o sucesso deste terminal.

Realidade Virtual… de graça?

E agora, a surpresa. O Idol 4S tem uma caixa muito invulgar. O telefone vem dentro de uns óculos de Realidade Virtual (RV). São muito parecidos com os Gear VR, da Samsung, mas têm vantagens e desvantagens em comparação a esse sistema e a outros do mercado. A grande vantagem? São gratuitos. Ou seja, estão incluídos no preço do telefone. O que torna a oferta da Alcatel imbatível. Por menos de 500 euros, ficamos com um telefone com algumas características de topo de gama que inclui uns óculos bens construídos.

Vejamos os óculos em pormenor. Os plásticos são resistentes q.b e as fitas que o seguram à cabeça, apesar de não serem muito grossas, conseguem fixar o dispositivo com alguma firmeza. As lentes incluídas pareceram-nos boas o suficiente. Pelo menos a experiência visual dos conteúdos em RV foi bastante agradável. Basta colocar o telefone nos óculos para que dispare uma app que faz a ligação aos conteúdos que estão no terminal e não só.

Assim que colocamos o telefone nos óculos, ele entra em modo RV. Não há entradas de luz visíveis, o que ajuda à concentração. O sistema é confortável e podem ajustar-se as fitas para ajustar os óculos à dimensão da cabeça. Tudo funcionou sem problemas. É necessário referir que o telefone aqueceu bastante ao final de alguns minutos de RV.

O software dos óculos dá acesso a aplicações e conteúdos que tenham sido instalados a partir de uma loja incluída no sistema. A oferta é generosa e é importante dizer que o sistema é compatível com o Cardboard, da Google. Infelizmente, a utilização dessa plataforma não foi assim tão bem adaptada, o que nos leva a sair desse ambiente quase sem querer. É importante referir que os óculos da Alcatel incluem um botão de ação e outro de back. Ambos na parte de baixo do sistema, o que implica alguma habituação. Usar os tais auscultadores fornecidos com os óculos permite um elevado grau de imersão.

Mesmo tendo em conta que a experiência visual se torna cansativa ao final de algum tempo – a resolução não é muito elevada e nota-se a perda de algumas frames, tanto no vídeo como em alguns jogos - a experiência é agradável o suficiente para a recomendarmos.

CARACTERÍSTICAS

Marca e modelo: Alcatel Idol 4S
Preço: €449,99
Sistema operativo: Android 6.0
Ecrã: AMOLED de 5,5”, 1440x2560 px
Processador: 8 núcleos a 1,8 GHz e 1,4 GHz
Memória: 3 GB
Armazenamento: 32 GB
Câmaras: 8 e 16 MP