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‘Chuveiros’ em piscinas naturais

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Roteiro por sete lagoas onde é possível usar as quedas de água para passar horas num spa natural

João Paulo Galacho (texto e fotos)

joão paulo galacho

Em Portugal é possível usufruir de vários spa (sano per acqua) em plena natureza. São servidos por verdadeiros chuveiros caudalosos que deram origem a piscinas naturais, ideais também para umas braçadas. Nestas estâncias termais a água é quase sempre fria, não há balneários de apoio nem piso antiderrapante, mas, em contrapartida, pode desfrutar-se de pequenos paraísos escondidos e, por vezes, quase desertos. E ainda para mais são à borla.

A algumas destas lagoas chega-se de carro quase à beira, mas outras só são acessíveis a pé, por veredas que nem sempre estão sinalizadas. Há ainda as que só permitem o acesso pelo próprio curso de água, o que implica recorrer à ajuda de um grupo de canyoning — especialistas em percorrer rios acidentados. São locais belos, mas perigosos, que exigem alguns cuidados de segurança: os limos que forram algumas pedras são escorregadios, existem fundões escondidos, e a própria corrente da água pode levar o banhista desprevenido para sítios indesejáveis...

A maior parte das lagoas resulta exclusivamente da ação dos cursos de água e dos desníveis do terreno, mas também existem as que são fruto da intervenção humana. Em Alte, no Algarve interior, a Queda do Vigário foi, segundo o “Guia de Portugal” de 1927, “formada artificialmente por um proprietário do sítio, que em 1690 desviou o curso do rio de Alte até este ponto para fins de irrigação”. Em Seia, nos vários poços da broca, passa-se o mesmo. Aqui, não é fácil descobrir os registos de quem ousou interferir com a natureza, abrindo autênticas fatias nos montes para dar um novo leito às ribeiras, mas o resultado está lá, bem visível.

QUEDA DO VIGÁRIO É uma lagoa extensa, alimentada pelas águas tépidas da ribeira de Alte. O contraste do ocre das terras em redor com o verde da vegetação dá a este local uma beleza muito especial. Na margem da lagoa existe um parque de merendas relvado, onde é possível estender a toalha. O carro fica junto ao cemitério de Alte, onde um estradão a descer, com cerca de 400 metros, nos leva até à lagoa. Algarve interior. Loulé, Alte. 37°13’54.30”N 8°10’45.67”W Acesso fácil
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QUEDA DO VIGÁRIO É uma lagoa extensa, alimentada pelas águas tépidas da ribeira de Alte. O contraste do ocre das terras em redor com o verde da vegetação dá a este local uma beleza muito especial. Na margem da lagoa existe um parque de merendas relvado, onde é possível estender a toalha. O carro fica junto ao cemitério de Alte, onde um estradão a descer, com cerca de 400 metros, nos leva até à lagoa. Algarve interior. Loulé, Alte. 37°13’54.30”N 8°10’45.67”W Acesso fácil

joão paulo galacho

LAGOA GRANDE DO RIO DE FRADES É uma grande lagoa circular, de águas cristalinas. Escondida pela cascata existe uma pequena gruta onde se pode tirar a foto clássica: atrás da água em queda. Só é acessível pelo leito do rio, por isso a solução será descê-lo num grupo de canyoning, ou então subi-lo — aconselhável em grupo e com equipamento adequado — depois de atravessar a antiga mina de Rio de Frades. Serra da Freita Arouca, Rio de Frades 40°52’7.10”N 8°11’26.74”W Acesso muito difícil
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LAGOA GRANDE DO RIO DE FRADES É uma grande lagoa circular, de águas cristalinas. Escondida pela cascata existe uma pequena gruta onde se pode tirar a foto clássica: atrás da água em queda. Só é acessível pelo leito do rio, por isso a solução será descê-lo num grupo de canyoning, ou então subi-lo — aconselhável em grupo e com equipamento adequado — depois de atravessar a antiga mina de Rio de Frades. Serra da Freita Arouca, Rio de Frades 40°52’7.10”N 8°11’26.74”W Acesso muito difícil

LAGOA DA FOZ DA RIBEIRA DO MOINHO Tem uma sucessão de pequenas cascatas que antecedem a lagoa. A ponte sobre a ribeira do Moinho, na estrada de Ponta Delgada para o Farol de Albernaz, é o ponto de partida. Pode-se descer o ribeiro a partir da ponte, mas o melhor é aceder-lhe pelos campos da margem direita. É aconselhável ir em grupo e podem ser necessárias cordas.Açores, Ilha das Flores Sta. Cruz das Flores, Ponta Delgada. 39°31’12.72”N 1°13’40.07”W Acesso difícil
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LAGOA DA FOZ DA RIBEIRA DO MOINHO Tem uma sucessão de pequenas cascatas que antecedem a lagoa. A ponte sobre a ribeira do Moinho, na estrada de Ponta Delgada para o Farol de Albernaz, é o ponto de partida. Pode-se descer o ribeiro a partir da ponte, mas o melhor é aceder-lhe pelos campos da margem direita. É aconselhável ir em grupo e podem ser necessárias cordas.Açores, Ilha das Flores Sta. Cruz das Flores, Ponta Delgada. 39°31’12.72”N 1°13’40.07”W Acesso difícil

POÇO DA BROCA DE MURO Conhecido localmente como Poço Fundeiro, é uma grande e bonita piscina natural. Não é tão conhecida como o vizinho Poço da Broca de Barriosa, o que garante que não é tão frequentado. Acessível a partir da aldeia de Muro, por veredas que qualquer habitante local lhe saberá indicar. Serra da Estrela Seia, Muro 40°17’55.15”N 7°45’47.96”W Acesso algo difícil
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POÇO DA BROCA DE MURO Conhecido localmente como Poço Fundeiro, é uma grande e bonita piscina natural. Não é tão conhecida como o vizinho Poço da Broca de Barriosa, o que garante que não é tão frequentado. Acessível a partir da aldeia de Muro, por veredas que qualquer habitante local lhe saberá indicar. Serra da Estrela Seia, Muro 40°17’55.15”N 7°45’47.96”W Acesso algo difícil

PEGO DA RAINHA É uma lagoa grande, não muito profunda. Na parte de cima da queda de água existe um parque de piqueniques, com mesas de madeira, e com excelentes sombras. Depois de passar a pequena ponte da Zimbreira vira-se à esquerda, e anda-se 1 km num estradão de terra até um desvio à esquerda, que desce até à lagoa. Região Centro, Médio Tejo Mação, Envendos, Zimbreira 39°34’32.22”N 7°49’39.29”W Acesso fácil
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PEGO DA RAINHA É uma lagoa grande, não muito profunda. Na parte de cima da queda de água existe um parque de piqueniques, com mesas de madeira, e com excelentes sombras. Depois de passar a pequena ponte da Zimbreira vira-se à esquerda, e anda-se 1 km num estradão de terra até um desvio à esquerda, que desce até à lagoa. Região Centro, Médio Tejo Mação, Envendos, Zimbreira 39°34’32.22”N 7°49’39.29”W Acesso fácil

POÇO NEGRO O pequeno rio Teixeira — só tem 13,2 km, mas é um dos rios nacionais com mais lagoas — escavou aqui uma profunda lagoa circular, de águas límpidas. Na estrada de Manhouce para Oliveira de Frades, em Sernadinha, há um cruzamento à direita com indicações para o poço. Daqui desce-se cerca de 1,5 km até se estacionar o carro. A lagoa fica uma centena de metros abaixo. Maciço da Gralheira, São Pedro do Sul, Manhouce, Sernadinha 40°48’57.62”N 8°13’41.66”W Acesso fácil
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POÇO NEGRO O pequeno rio Teixeira — só tem 13,2 km, mas é um dos rios nacionais com mais lagoas — escavou aqui uma profunda lagoa circular, de águas límpidas. Na estrada de Manhouce para Oliveira de Frades, em Sernadinha, há um cruzamento à direita com indicações para o poço. Daqui desce-se cerca de 1,5 km até se estacionar o carro. A lagoa fica uma centena de metros abaixo. Maciço da Gralheira, São Pedro do Sul, Manhouce, Sernadinha 40°48’57.62”N 8°13’41.66”W Acesso fácil

LAGOA DO THAITI A lagoa do Thaiti, localmente conhecida como Fecha de Barjas, fica no fim de uma sucessão de cascatas e é uma das mais bonitas do continente. Cerca de 2 km depois de deixar a aldeia de Ermida, na estrada para Fafião, estaciona-se o carro junto a uma ponte sobre o rio Arado. Na margem esquerda, existe uma vereda, algo sinuosa, com cerca de 1 km, que desce até à lagoa. Gerês, Vilar da Veiga, Ermida 41°42’11.35”N 8° 6’33.61”W Acesso algo difícil
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LAGOA DO THAITI A lagoa do Thaiti, localmente conhecida como Fecha de Barjas, fica no fim de uma sucessão de cascatas e é uma das mais bonitas do continente. Cerca de 2 km depois de deixar a aldeia de Ermida, na estrada para Fafião, estaciona-se o carro junto a uma ponte sobre o rio Arado. Na margem esquerda, existe uma vereda, algo sinuosa, com cerca de 1 km, que desce até à lagoa. Gerês, Vilar da Veiga, Ermida 41°42’11.35”N 8° 6’33.61”W Acesso algo difícil

Escolhemos sete das muitas lagoas existentes em território nacional, umas mais conhecidas, outras mais secretas, mas cada uma com a sua beleza muito própria. A seleção foi feita de modo a representar o país todo, de norte a sul, e até com um salto à ilha das Flores, nos Açores, que nestes assuntos de cascatas e de lagoas não podia ficar de fora. Até porque a lagoa com a vista mais desafogada — e uma das mais belas — situa-se nessa ilha. Fica no cimo de uma falésia, imediatamente antes das águas da ribeira do Moinho se despenharem no oceano numa queda de cerca de 50 metros. Esta preciosidade — que é metade a céu aberto e metade debaixo de uma abóbada natural — permite pousar os braços no muro de pedra que a delimita, e contemplar, do ponto mais ocidental da Europa, o imenso oceano que só acaba na América. Um pouco como sonhar dentro de um sonho.

Artigo publicado na edição do EXPRESSO de 27 agosto 2016