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“Uma pessoa quando escreve com alguém é para sempre, é eterno.” Maria Teresa Horta lembra Maria Isabel Barreno

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Marcos Borga

A escritora lamentou este sábado a morte da “mulher excecional, inteligentíssima, muito culta e muito leal” a quem ficou ligada desde que escreveram, com Maria Velho da Costa, as “Novas Cartas Portuguesas”.“Amiga do coração”, Maria Isabel Barreno era como uma “irmã” para Maria Teresa Horta

“Nesta altura, que é uma altura de uma grande depressão e de um choque muito grande, o que posso dizer é isto: ela era uma mulher excecional, inteligentíssima, muito culta e muito leal, e que tem uma obra muito importante — 'A Morte da Mãe' — que acho que devia ser reeditada rapidamente, já deveria ter sido há muito tempo”, disse Maria Teresa Horta em declarações à Agência Lusa.

“E era minha amiga do coração, minha irmã”, acrescentou, sobre a escritora e investigadora que morreu na tarde deste sábado, aos 77 anos, e que ficará para a história do século XX português como uma das “Três Marias” perseguidas e julgadas pela ditadura do Estado Novo pela publicação anónima, em 1971, de uma polémica obra assente na reescrita das cartas seiscentistas da freira portuguesa Mariana Alcorofado e que abriu o caminho ao debate sobre a igualdade de género.

Afirmando não ser, neste momento, “capaz de dar uma opinião distanciada em relação à Isabel”, Teresa Horta frisou: “Eu escrevi com a Isabel e com a Maria Velho da Costa, escrevemos as três as 'Novas Cartas Portuguesas' no tempo do fascismo, e isso agarrou-nos muito, foi uma coisa excecional”.
“Não tenho um senão em relação à Isabel”, prosseguiu, acrescentando: “E foram muitos anos desde que nos encontrámos a primeira vez e que eu lhe fiz uma entrevista para o jornal A Capital, para o suplemento literário, que era coordenado por mim”. “Não é só um escritor, é um escritor com quem eu escrevi, e uma pessoa quando escreve com alguém é para sempre, é eterno, não há nada a fazer. A nossa eternidade é que, pelos vistos, como se vê pela Isabel, é muito curta”, concluiu.