Siga-nos

Perfil

Expresso

Sociedade

Nova esperança para os doentes de Alzheimer

  • 333

AFP / Getty Images

Novo medicamento poderá ser mais um passo rumo à cura de doença de Alzheimer, mas é preciso moderar as expectativas, alertam desde já os investigadores

“Aducanumab.” Assim se chama o novo medicamento, um anticorpo, desenvolvido pela empresa de biotecnologia Biogen e testado durante um ano em 165 pessoas com Alzheimer em fase inicial com resultados animadores.

A quem foi injetada mensalmente a nova droga (porque neste tipo de ensaios clínicos alguns doentes recebem um placebo sem o saber) registou-se uma “eliminação quase completa” das chamadas placas amiloides, proteínas aderentes que se agrupam em depósitos no cérebro, bloqueando os neurónios. Ora, será este um dos mecanismos suspeitos de desencadear a doença de Alzheimer.

No artigo agora publicado na revista científica “Nature”, os doentes a quem foi administrado este anticorpo registaram um abrandamento do seu declínio mental, característico da doença.

“O efeito do anticorpo é muito impressionante", disse Roger Nitsch, professor no Instituto de Medicina Regenerativa da Universidade de Zurique e coautor do artigo. Após um ano de tratamento, “praticamente nenhuma placa betaamiloide foi detetada nos pacientes que receberam a dose mais alta”, acrescentou a universidade em comunicado.

Expectativas moderadas

Mas para Robert Howard, professor da University College London, “seria prematuro concluir que estamos na presença de tratamento efetivo para a doença de Alzheimer”, já que outros anticorpos apresentaram resultados animadores em ensaios clínicos com doentes em fase inicial mas falharam naqueles que já se encontravam em estados mais avançados.

“Embora o resultado seja potencialmente animador, é importante moderar as expectativas com cautela considerável”, disse à agência France Presse o mesmo investigador.

Segundo a Organização Mundial da Saúde, a doença de Alzheimer é uma das formas mais comuns de demência, afetando quase 50 milhões de pessoas a nível mundial. Todos os anos são diagnosticados mais 7,7 milhões de novos casos.