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Líder da Liga dos Chineses acusa agente de discriminação. Comando investiga

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Y Ping Chow apresentou reclamação contra um agente da Polícia Municipal do Porto por alegado abuso de poder e discriminação racial. Comandante da polícia confirma averiguação do caso

Isabel Paulo

Isabel Paulo

Jornalista

Y Ping Chow, presidente da Liga dos Chineses em Portugal, diz-se discriminado e até “perseguido” por um agente da Polícia Municipal que entre os dias 22 e 15 de agosto multou “inopinadamente” os veículos estacionados no Largo Dr. Tito Fontes, na Baixa da Invicta, onde se localiza o restaurante King-Long, propriedade dos pais.

A residir no Porto há 50 anos e cidadão de nacionalidade portuguesa, Y Ping Chow afirma que a queixa que enviou sábado ao comandante da Polícia Municipal, com conhecimento para o presidente da Câmara do Porto e Alto-Comissário para a Migração, não visa a reclamação da multa que lhe foi aplicada a 25 de agosto, pelas 22h30, mas dar a conhecer o seu “veemente protesto” contra a atuação do agente.

“A atitude do polícia, que já conheço há muito tempo e com quem sempre tive o melhor relacionamento pessoal e profissional, foi estranha e anómala nos últimos tempos”, diz o também membro do Conselho Consultivo do Alto-Comissário para a Migração, atribuindo a animosidade recente a uma “discussão sem importância” com o polícia, que em seu entender terá agido “por vingança”.

O líder da comunidade chinesa conta que ao longos dos 40 anos de atividade do restaurante “os clientes habituarem-se a estacionar no local sem serem incomodados”, o que terá deixado de acontecer nos dias 22, 23, 24 e 25 deste mês.

Segundo Y Ping Chow, o incidente mais grave ocorreu a 25 de agosto na altura do fecho do King-Long, quando, “como todos os dias”, vai buscar os pais, quase centenários, para os levar a casa”. “Avisado que o senhor agente estava a multar os carros dos meus clientes, abri o meu carro para ir embora, tal como fizeram muitos outros clientes e vizinhos. Saíram todos menos eu, que fui mandado parar e multado. E disse ‘que engraçado… palhaço’, relata na reclamação enviada.

No protesto, Y Ping Chow refere ainda que o agente “perdoou” a multa passada a um vizinho dois dias antes, mas que quando aludiu a situação terá recebido como resposta “acintosa e intimidatória, proferida em voz alta, que a partir daquele momento passaria a vir todos os dias”, dando como testemunhas seis vizinhos e um cliente do restaurante.

António Leitão da Silva, comandante da Polícia Municipal do Porto, confirma a reclamação, adiantando ao Expresso que a mesma se encontra em investigação policial interna. Embora se escuse a avançar se o agente já foi ouvido ou em que fase se encontra o processo, Leitão da Silva lembra que o largo em causa é de “trânsito e estacionamento proibido, com acesso reservado a moradores, conforme consta das placas de sinalização no local”.

Y Ping Chow avança que não vai pagar a multa, da qual diz não ter fixado o montante. “Vai ser avaliada nos tribunais”, diz, lamentando a situação, que pretende seja ainda analisada pela autoridade contra a discriminação racial, embora considere que Portugal seja um país caloroso e amigo dos imigrantes.