Siga-nos

Perfil

Expresso

Sociedade

Ansiosas por ver o mar. Seis pessoas viveram um ano em condições semelhantes às de Marte

  • 333

Equipa internacional constituída por seis pessoas foi submetida durante um ano a condições de vida equiparáveis às do planeta vermelho, na segunda mais longa experiência do género

André Manuel Correia

Passado um ano, chegou ao fim uma longa simulação da NASA que colocou uma equipa de seis pessoas, no Hawai, a viver em condições semelhantes àquelas que os humanos podem encontrar em Marte. O grupo esteve em isolamento, no interior de uma cúpula, durante um ano, desprovido de privacidade, ar natural e comida fresca.

"Os pesquisadores estão ansiosos por ver o mar e comer produtos frescos e outros alimentos que não estavam disponíveis na cúpula", disse Kim Binsted à BBC, investigador principal do “Hawaii Space Exploration Analog and Simulation”.

A experiência que terminou este domingo serviu para recriar uma futura missão tripulada a Marte e recriar as dificuldades que o ser humano enfrentará durante a estadia no planeta vermelho. Uma missão deste tipo pode levar entre um a três anos.

Com início a 29 de agosto de 2015, a simulação, financiada pela agência espacial norte-americana e colocada em prática pela Universidade do Hawai, foi a mais longa experiência do género levada a cabo, só superada por uma experiência russa que durou 520 dias.

A equipa foi composta por quatro americanos – um piloto, um arquiteto, um cientista e um jornalista –, acompanhados por um astrobiólogo francês e um físico alemão. Durante a realização da pesquisa junto ao vulcão Mauna Loa, a mais de 2400 metros de altitude, os seis integrantes viveram com recursos limitados, tiveram de usar um fato de astronauta em todas as experiências realizadas no exterior da cúpula e foram treinados para evitar conflitos pessoais.

Cada um deles dispunha de uma pequena cama para dormir e de uma mesa no interior dos quartos. A alimentação foi à base de queijo em pó e conservas de atum. Também para aproximar a simulação daquela que será a realidade vivida em Marte, as mensagens enviadas pela equipa demoravam 20 minutos até serem recebidas pelos técnicos responsáveis por monitorizar a missão.

A localização foi escolhida pelas semelhanças do solo comparativamente ao planeta vermelho. Os investigadores garantem que nenhuma planta pode nascer naquela área e uma tão elevada altitude.

As simulações anteriores levadas a cabo por este projeto tinham durado entre quatro a oito meses. Para janeiro de 2017 está já planeada uma nova experiência com a duração de oito meses.