Siga-nos

Perfil

Expresso

Sociedade

Praga: Boémia entre cristais e boa cerveja

  • 333

De Vivaldi a John Lennon, tudo vale a pena na capital da República Checa

Marco Grieco

Marco Grieco

Diretor de Arte

A capital da República Checa brilha mais do que um cristal da Boémia. Esculpida em ambas as margens do rio Moldava (ou Vltava, em checo), a cidade é uma mão-cheia de atrações para qualquer género de turista. Seja pela arquitetura, seja pela herança histórica, pela cultura ou pela vida noturna, Praga encanta e espanta pela beleza, imponência e vitalidade.

A deambular pelas ruas da Staré Mesto (ou Cidade Velha), vai deparar-se com uma das praças mais belas da Europa Central, repleta de turistas, artistas de rua e maravilhas arquitetónicas de outros tempos.

DR

De um dos lados, a Igreja de Nossa Senhora em Frente de Tyn e suas imponentes torres góticas — apesar do interior ser em estilo barroco —, cuja entrada esconde-se por debaixo das arcadas de um pequeno prédio de lojas e restaurantes.

Do outro, o antigo prédio da Câmara e atual posto de turismo, com o seu indefetível relógio astronómico, frente ao qual peregrinam, de hora em hora, uma horda de espectadores à espera de um breve espetáculo mecânico de marionetas onde cirandam os apóstolos, ao passo que a morte avisa o mercador que chegou a sua hora... Pode-se — e deve-se! — fazer uma visita guiada ao interior do prédio e ficar a conhecer a história da sua evolução, destruição e reconstrução através dos séculos. Nas suas catacumbas, aprende-se que o nível da cidade teve de ser elevado em 6 metros para tentar evitar as constantes cheias. Lá estão túneis, pedras e outros artefactos como prova.

DR

Seguindo em direção ao rio e à Ponte Carlos (ver ‘Postal’), ruas e ruelas ordenam e guiam o rebanho de turistas por entre ofertas de espetáculos de música clássica e ópera, lojas de cristais mais ou menos puros, especialidades gastronómicas — como o trdelník, espécie de bolo oco em espiral que aqui serve como cone para gelados — e um pequeno museu da Apple, provavelmente jamais reconhecido — desconhecido? — por Steve Jobs...

Do lado oeste do rio, em Hradacany, vai encontrar a maior e mais bem preservada zona medieval da Europa. Apesar de ser de acesso gratuito, deve adquirir bilhetes para visitar as suas principais instalações. Se o tempo e a verba não forem muitos, recomenda-se ao menos a visita a três delas: a imensa Catedral de São Vito — construída em estilo gótico a partir de 1344 e concluída apenas em 1929 —, com o espetacular túmulo em prata de São João Nepomuceno e a sua mais bela capela, a de São Venceslau, repleta de pedras semipreciosas; a basílica de São Jorge, do século X; e a Zlatá Ulicka (Golden Lane), viela com casinhas do século XVI, onde há tempos viveram diversos funcionários e artesãos do reino.

DR

Na volta, não deixe de espreitar o Muro de John Lennon. Registo dos resistentes desde 1980, altura em que o ex-Beatle morreu mas o vermelho ainda era bem vivo no comunismo da Checoslováquia, presta homenagem e serve de símbolo de uma nova era de paz para o país. Em forma de arte, foto ou lembrança, nas cores berrantes daquela parede, o brilho de Praga nunca irá desvanecer-se.

DR