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Giulia, um carro com muito estilo

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d.r.

Texto Rui Pedro Reis/SIC

De Itália sempre chegaram automóveis com design de referência e nesse departamento a Alfa Romeo sempre foi uma autoridade. Com a chegada do Giulia, a marca quer reafirmar-se e fazer esquecer um passado cada vez mais distante. O jornalista Rui Pedro Reis foi para a estrada num ensaio onde não passou despercebido.

Costuma dizer-se que os olhos também comem e com o Alfa Romeo Giulia a expressão aplica-se bem. Parado ou em andamento, o novo Alfa é motivo de olhares, comentários e até perguntas. O novo executivo compacto vem na linha do já distante 159, que não deixou muitas saudades para lá do design sedutor. A missão do Giulia é complicada. Por um lado, fazer esquecer o passado menos sorridente. Por outro, ombrear com uma concorrência cheia de argumentos, com destaque para o Audi A3, Mercedes Classe C e Audi A4. Os três alemães têm bons trunfos em matéria de qualidade e uma vantagem acrescida de terem gama, enquanto o Giulia possui apenas uma carroçaria.

Para lá do que a vista alcança

Quem passa pelo Alfa Romeo Giulia não lhe conhece a entrega de potência garantida pelo motor 2.2 diesel. Sigo ao volante da versão com 180 cv mas a entrada de gama é a motorização que debita 150 cv e custa menos €3000. Com três modos de condução (dinâmico, natural e eficiência avançada), garante sempre potência disponível sem ter de se recorrer à caixa de velocidades. Mesmo sem recorrer ao modo dinâmico, o ritmo é sempre empolgante no modo natural e convida a andar depressa. O modo de eficiência avançada é dispensável, porque acaba por retirar ao motor o que ele tem de melhor. Os materiais leves usados na estrutura e a distribuição de pessoa 50:50 resultam num automóvel com um comportamento jovem mas responsável. Claro que quando se abusa do acelerador em curva, a frente tende a perder alguma precisão, mas nada que chegue para assustar. Na maioria dos casos, a direção responde de forma meticulosa. Não esquecer que este é um automóvel de tração traseira, mas onde isso quase passa despercebido. O melhor investimento que se pode fazer no Giulia é dotá-lo da caixa automática de 8 velocidades. Já a caixa manual é dececionante e ajuda a ficar com uma imagem menos positiva do conjunto.

Os consumos é que não desiludem. Mesmo com uma condução menos contida são de esperar médias na casa dos 6 litros.

Por dentro… quase como por fora

A primeira impressão do interior do Giulia é muito positiva. O desenho é de bom gosto, com linhas que lhe conferem uma imagem de luxo sem o “peso” que têm outras ofertas da concorrência. Quando se vê mais em detalhe, percebe-se que a bons materiais se juntam um número considerável de plásticos de menor qualidade que não condizem e estragam a perceção global. É o caso do punho da caixa de velocidades, num plástico demasiado banal, ainda por cima uma peça onde o contacto é quase permanente. Os bancos são confortáveis e bem acabados e o conforto dinâmico também é bom. A suspensão consegue um bom compromisso entre rigidez e capacidade para absorver as imperfeições do piso. Quando olhamos de uma forma global para a qualidade de vida a bordo, ainda é o ponto onde o Giulia não consegue competir com os rivais, apesar de ter muito espaço interior, em especial para os passageiros que seguem nos lugares de trás. A bagageira conta com 480 litros e só fica prejudicada pela abertura que dificulta um pouco o acesso.

Quanto é que custa?

Foi a pergunta que mais ouvi durante este ensaio. A resposta pode não agradar a toda a gente. Na versão com 180 cv o Giulia custa €44.400, um valor que não inclui a caixa de velocidades automática, essencial nas contas finais. Ou seja, mesmo a versão de entrada (150 cv) ultrapassa a barreira psicológica dos €40.000, coisa que os rivais só conseguem com versões de entrada de gama despidas de equipamento. Só que a percepção das marcas faz toda a diferença. E esse é um caminho que a Alfa Romeo vai ter de percorrer. A plataforma que o Giulia estreia vai servir para vários modelos que prometem mudar a imagem da marca do grupo Fiat. Talvez nessa altura o mercado perceba que a assinatura italiana mudou. Tem o estilo de sempre e a qualidade de hoje.

FICHA TÉCNICA

Alfa Romeo Giulia 2.2 Diesel Super

MOTOR
2143 cc
180 cv
380 nm às 1500 r.p.m.

TRANSMISSÃO
Traseira
Caixa manual com 6 velocidades

PRESTAÇÕES
230 km/h vel. máxima
7,2 s 0-100 km/h

CONSUMOS
4,2 l / 100 km ciclo misto
109 g CO2/km

Preço: 44 400€
44 734€ (versão ensaiada)