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Árvores de felicidade

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Subir sozinho ao topo das árvores é uma atividade apenas para alguns, mas o arborismo é mesmo para todos. Parta à aventura

Tudo começou como uma atividade exploratória, de botânicos e biólogos que subiam ao topo das árvores para estudar a flora e a fauna das grandes florestas. Foi assim até meados dos anos 80, sempre a subir e a descer vezes sem conta, até que perceberam que existia uma forma melhor de passar de uma árvore para a seguinte. As cordas e as tábuas de madeira entraram em cena, sempre com a ciência como desculpa. A década da disco deu-nos o arborismo, levando a diversão para a natureza neozelandesa e francesa, fazendo desta solução de recurso uma prática desportiva.

O melhor para usufruir de tudo o que o arborismo nos dá é esquecer o mundo urbano que nos rodeia, ir com a mente aberta para novas experiências e aproveitar o que a natureza tem para oferecer. Há mais verão para lá das praias com o mar a perder de vista e é também entre o arvoredo que a diversão pode ser encontrada. O turismo de aventura ocupa cada vez mais uma parte importante do sector e há atividades capazes de nos convencer a tirar um dia (ou mais) para conhecer o arborismo. Trata-se de um desporto — seguido por alguns como forma de vida —, mas também uma atividade lúdica que pode ser feita em família. O verde sem fim, potenciado pela existência de arvoredo denso, é o cenário ideal para aqueles que não resistem a um dia nas alturas, caminhando entre as árvores, ultrapassando obstáculos e utilizando as mais variadas formas para chegar ao fim. Aviso: o melhor é começar por um percurso fácil, porque é preciso engenho e arte para cumprir o objetivo.

Atividade radical familiar, o arborismo está pensado para a energia dos mais jovens, embora haja circuitos com vários níveis de dificuldade em todo o país

Atividade radical familiar, o arborismo está pensado para a energia dos mais jovens, embora haja circuitos com vários níveis de dificuldade em todo o país

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A mão humana está lá — as pontes suspensas, cordas, redes e tirolesas foram colocadas em lugares específicos por quem percebe da modalidade —, mas o mais importante é que tudo aconteça em comunhão com a natureza. A ideia é usufruir do espaço sem o prejudicar, aproveitando os espaços existentes (sejam eles em lugares remotos ou perto dos centros urbanos) para a prática desta atividade física radical que cada vez tem mais adeptos. Já não é preciso fazer centenas de quilómetros para usufruir de uma experiência destas — selecionámos alguns espaços em vários pontos do país para que possa experimentar o arborismo em qualquer parte de Portugal — e os centros que promovem programas dedicados ao arborismo têm tendência a crescer.

O interesse vem do passa-palavra, mas também das redes sociais, que têm cada vez mais um papel importante neste tipo de atividades lúdicas. As imagens captadas em vários locais do globo — basta procurar por elas em redes sociais como o Instagram ou em plataformas de partilha como o YouTube — levam-nos a perceber (ou relembrar) que tudo é mais belo quando visto de cima. Seja em fotografia ou em vídeo, a savana africana ganha um brilho especial, as florestas europeias tornam-se mais frondosas e a natureza do território americano ou canadiano ficam favorecidas. Não há como negar. As câmaras de aventura, passíveis de colocar nos capacetes dos exploradores, tornam-se as estrelas de um dia documentado para depois relembrar. Aproveitar o melhor da natureza, conhecendo-a para lá dos limites da condição humana, é um dos objetivos, e por isso há quem se aventure mais do que os iniciados. As copas altas são as mais cobiçadas e a dificuldade vai aumentando à medida que o número de apoios disponíveis diminui.

O arborismo — atividade familiar, pensada para os mais jovens mas também para adultos — tem de seguir normas de segurança apertadas e a prática não é aconselhável sem o material necessário. O essencial é contar com um arnês (conjunto de fitas de alta resistência que circundam as pernas e a cintura do participante), ao qual se prende um mosquetão na parte frontal. As empresas que se dedicam à organização das atividades têm os kits preparados para os visitantes e a subida às árvores não começa sem uma aula de preparação, onde as normas são explicadas e os procedimentos de segurança enumerados.

Embora o arborismo seja seguro, o melhor é mesmo seguir tudo à risca, para evitar acidentes desnecessários. Quando o nível de dificuldade sobe e o percurso se torna mais difícil (como quando se atravessa uma ponte suspensa entre duas árvores ou quando se percorre uma rede quase na vertical) é importante que se mantenham sempre três apoios bem seguros. Os braços e as pernas são os instrumentos principais, mas a força não chega. É preciso usar o cérebro para descobrir a melhor forma de prosseguir.

De norte a sul, são vários os locais em que é possível experimentar esta atividade desportiva e não será estranho que qualquer um se sinta a regressar à infância durante o percurso. As casas nas árvores fazem parte do imaginário infantil e o cinema sempre nos relembrou a importância de um refúgio dedicado à brincadeira. A aventura não acaba aqui. Ao trilho traçado, quase sempre em suspensão, seguem-se jogos intermédios para que a diversão ganhe uma dimensão maior. O cansaço deve ficar em casa, mas não há que temer se não conseguir fazer o percurso na íntegra sem parar ou se precisar de ajuda. Os centros dedicados ao arborismo têm monitores que acompanham a progressão dos visitantes e que estão prontos para agir em qualquer eventualidade.

foto hugo franco

Nem tudo acontece no meio das árvores e aos circuitos de arborismo construídos em espaços naturais juntam-se outros, menos puristas. Os que escolhem a atividade apenas pela adrenalina de transpor obstáculos e não se preocupam tanto com a envolvente verde (que faz do arborismo um desporto também de natureza) têm nos parques urbanos, construídos sobre suporte artificial outra opção válida. A vista pode não ser tão espetacular, mas o facto de não ser necessário cingir o parque aos pontos de suporte originais — as árvores — aumenta o leque de possibilidades. O importante é subir e encontrar o caminho.

Onde praticar arborismo

Adventure Park
Jamor Oeiras, Tel. 211 519 400

Cova da Baleia
Mafra, Tel. 969 008 368

Fun Park
São João Costa da Caparica, Tel. 912 444 077

Luso Aventura
Figueira da Foz, Tel. 915 536 555; Albufeira, Tel. 913 185 782; Lagos, Tel. 911 020 042

MuitAventura
Sintra, Tel. 967 021 248

Pedaços de Aventura
Cascais, Tel. 912 426 118

Pedras Salgadas Spa & Nature Park
Parque Pedras Salgadas, Tel. 259 437 140

Rates Park
Póvoa de Varzim, Tel. 936 407 696

Sesimbra Natura Park
Quinta do Conde, Tel. 916 743 979

Troca Tintas
Azenhas do Mar, Tel. 214 253 100