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A poucas semanas de um novo iPhone, como está o mercado de smartphones?

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MÁQUINA DE FAZER DINHEIRO. O iPhone tem menos de 15% de quota de mercado mundial mas fica com mais de 90% da faturação do sector. Números que devem agradar ao CEO da empresa, Tim Cook

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Os iPhone 7 chegam, ao que tudo indica, a 23 de setembro. A Internet está, como sempre cheia de rumores (como este AQUI) que vaticinam a “morte” da ligação para os auscultadores e, até, o lançamento de uma suposta versão mais artilhada que virá batizada com o sufixo “pro”. Ou seja, o próximo portefólio de smartphones da Apple pode ser composto por três elementos: iPhone 7 pro, iPhone 7 Plus e iPhone 7.

A Internet fervilha de previsões e nem a data do evento é consensual. Há quem diga que é no início do próximo mês, outros a meio e os mais recentes rumores chutam a data para o tal dia 23 que refiro no início deste artigo. A confirmar-se, falta praticamente um mês para o lançamento e, garanto, a Internet vai continuar a amplificar os rumores e a desmenti-los. Este fim de semana, por exemplo, o blogue japonês Mac Otakara (reconhecido por conseguir obter informação sobre os produtos Apple antes dos lançamentos oficiais) afirma que a produção do tal “iPhone 7 Pro” terá sido cancelada e que a empresa norte-americana vai manter-se fiel a duas nomenclaturas: iPhone 7 e iPhone 7 Plus (para ler AQUI). O que fará algum sentido. Afinal, a Apple é reconhecida por manter o seu portefólio o mais simples possível. E, convenhamos, usar agora o sufixo “pro” num telefone só serve para aumentar consideravelmente o seu preço de mercado e colocar em risco, se analisarmos o roadmap de lançamentos seguido pela Apple, a versão “S” que sairia em 2017 – e que se trata sempre de uma geração de transição em que o fabricante melhora os componentes utilizados.

O próximo iPhone, também segundo os rumores, não terá grandes alterações de design. O que só vem comprovar que a Apple assobia para o lado quando é confrontada com acusações de falta de capacidade de inovação no iPhone. Sim, os números estão do lado de Tim Cook (como veremos de seguida). E, sim, o último iPhone com algum rasgo de inovação já tem três anos. Em 2013, o iPhone 5S trouxe o touch ID (o reconhecimento da impressão digital), que permite desbloquear o telefone rapidamente e é o motor de autenticação para efetuar compras eletrónicas. Há três anos que a Apple anda a fazer retoques estéticos e a introduzir melhorias de software muito pouco importantes – o 3D Touch, por exemplo. E, sem querer gorar as expectativas dos muitos fãs da “marca da maçã”, os próximos iPhones têm tudo para serem irrelevantes em termos de inovação.

iPHONE 7. Leak diz que os novos iPhones serão assim

iPHONE 7. Leak diz que os novos iPhones serão assim

FONTE NOWHEREELSE.FR

A Samsung e a Google têm uma ligação umbilical

A falta de imaginação dos engenheiros da Apple não tem sido muito prejudicial para a empresa. Afinal, apesar de só ter uma quota mundial de 14,5% no mercado dos smartphones, a Apple arrecada 94% dos lucros do sector. Os números são do ano passado e foram revelados pela Investors Business Daily (estão AQUI http://www.investors.com/apple-takes-almost-all-of-smartphone-industry-profits/?ntt=Apple+94%25). É certo que os “mercados” pedem mais quota à Apple, mas tenho a certeza que não estão interessados em que a empresa norte-americana inverta a posição nesta equação. Ou seja, que ganhe quota mas perca margem.

O “fenómeno Apple” está devidamente estudado e baseia-se no domínio que o fabricante tem do ecossistema. Basicamente, desenha e manda fabricar um pequeno portefólio que é o motor da loja de aplicações mais bem-sucedida, a App Store.

Do outro lado da barricada, está o Android. Um sistema operativo que tem mais de 80% do mercado mundial. Forte em todos os continentes e muito forte nos países em vias de desenvolvimento. No entanto, o Android enferma de dois problemas: a fragmentação do mercado e a pouca confiança dos utilizadores na Google Play – a loja de aplicações oficial do Android.

Por um lado, há terminais de todas as formas e feitios, o que é uma dor de cabeça para quem desenvolve apps; por outro, são frequentes os problemas de segurança com aplicações disponibilizadas na Google Play.

E há outro desafio grande para o Android - a sua dependência da Samsung. A empresa coreana é a única que consegue fazer frente à Apple no seu território: o da alta gama. A mais recente geração dos Galaxy, os S7, é a prova que à Samsung não falta inovação e a capacidade de apelar os consumidores mais predispostos a comprar um topo de gama. Aliás, para esses compradores, a dúvida hoje é se o próximo telefone é um iPhone ou um Galaxy. A Samsung conseguiu ganhar essa preponderância e assumir-se como líder no Android. Em 2015, segundo o site Statista (espreitar AQUI), a empresa coreana colocou no mercado quase mais 100 milhões de terminais do que a Apple. Só para ter uma ideia, e segundo a mesma fonte, a diferença entre esses dois fabricantes é maior do que o volume total de terminais colocados no mercado, nesse ano, pela Huawei – o segundo maior fabricante do Android.

Sim, basicamente, sem a Samsung, o Android seria, neste momento, uma amálgama de fabricantes sem dimensão. Não quero com isto tirar valor ao trabalho feito pela Huawei, Lenovo, LG ou Sony. Esses fabricantes, principalmente os dois chineses, estão a ganhar posicionamento. Mas perante o volume de terminais da Samsung, são quase irrelevantes.

É preciso referir, e ainda tendo em conta a mesma fonte, que há mais de 600 milhões de smartphones colocados no mercado por fabricantes considerados “outros” – ou seja, empresas que sozinhas não conseguem volume suficiente para surgir nas tabelas em destaque.

FONTE NOWHEREELSE.FR

A dependência que o Android tem da Samsung é a mesma que a empresa coreana tem do sistema operativo da Google. Nos smartphones, uma não vive sem a outra. Isto pode mudar?

Em tempos cheguei a pensar que sim. Quando a Samsung começou a mostrar dispositivos com Tizen (um sistema operativo próprio da empresa). No entanto, os testes em telefones baratos com o sistema continuam a decorrer na Índia e nem as declarações em junho de um administrador da empresa a indicar que o “Tizen pode vir a ser usado em todos os dispositivos da Samsung” (ler AQUI) me convencem. É verdade que o Tizen já é usado em milhares de equipamentos da Samsung, mas sair do Android? Acredito mais na utilização do Tizen como uma arma de prevenção e de ameaça à Google. A empresa coreana consegue, assim, manter os norte-americanos em sentido e explicar-lhes que sem eles, sem a Samsung, o Android perde grande parte da sua força. Dúvidas? Em menos de um ano, a Samsung conseguiu recuperar o a liderança no mercado norte-americano. Sim, a Apple volta a perder no seu terreno. E em terceiro lugar, naquele país, surge uma surpreendente LG, empresa que também conseguiu ganhar alguma relevância no último ano com os seus lançamentos mais recentes. Os números foram revelados em maio pela Bussiness Korea (estão AQUI).

O que se segue? O último trimestre não vai trazer grandes novidades. Acredito que o novo iPhone não terá argumentos suficientes para justificar a troca de um Galaxy S7, por exemplo. Ou seja, as quotas de mercado vão manter-se muito pouco alteradas com, provavelmente, um pequeno crescimento global para a Huawei, LG e Lenovo.