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Com a língua a arder

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QUENTE. O bom picante acentua acentua o sabor e ajuda a libertar toxinas neste fim da época estival

Primeiro arde, mas não desista, que picante rima com calor e verão. No Porto e em Lisboa, sete sugestões de espaços de cozinha de memórias, originária de paragens quentes

Excitação mariachi

rui duarte silva

Pode uma viagem mudar a vida? Ana Veiga perdeu-se pelo frenesim de cores e paladares mexicanos, ao ponto de fixar raízes de ascendência azteca na Baixa do Porto. Há dois anos nasceu o pequeno La Cantinita, que acaba de se transferir para um espaço capaz de acolher 60 comensais, rendidos aos chipotles (chilis secos e fumados) e ao picante molho mole (pasta de chocolate) que espicaçam os sentidos. Os debutantes começam nos nachos e fajitas, arriscando a enchilada e o ceviche de camarão (€6). Entranha-se, como a tequilla e o som mariachi, nas terceiras sextas-feiras do mês.

La Cantinita
Rua Santa Teresa, 28. Porto. Tel. 915 388 553. Segunda e terça 11h às 23h; quarta e quinta até à 01h; sexta e sábado 02h

Cozinha de memórias

rui duarte silva

Orlanda tinha 14 anos quando deixou o Zambeze para viver no Porto. Foi funcionária pública, mas os cheiros e os sabores dos pratos da avó moçambicana ficaram-lhe tatuados na pele. Fez-se cozinheira de memória da família até abrir um restaurante com nome próprio. No Tia Orlanda, a comida que chega à mesa coberta de capulanas é de pura vocação africana, da moamba de galinha, à mandioca, do soberbo palau de borrego (€13/duas pessoas) ao campeão caril de caranguejo. Inimiga da pimenta, só usa misturas de piripíri. No tacho para os fiéis, à parte para debutantes.

Tia Orlanda
Rua das Taipas, 113, Porto. Tel. 222 085 710. Dom. a quinta 11h30/15h e 19h/23h; sexta e sáb. até às 24h. Fecha à terça

Guie-se pelas malaguetas

lucília monteiro

Se é iniciado na rota dos picantes, olhe para o canto da ementa e conte as malaguetas. Uma é prova superada, duas vingue-se na bebida, três é para aficionados dos sabores que explodem na boca. No restaurante do premiado hostel Tattva, indoor ou na esplanada, há um festim de paladares à mesa, indianos sobretudo, por via da ascendência do casal Himali e Quishan e do gerente Hetal Gokaldas, mas com pitadas de mexicano ou turco. O caril de frango é líder da casa, que rivaliza com as tattvas (€10 a €12,50), espécie de hambúrgueres de carne, bacalhau ou vegetariano. Ao almoço semanal há menu rotativo, indoor ou na esplanada.

Tattva
Rua do Cativo, 26, Porto. Tel. 220 944 622. Seg., quinta e dom. 12h30/23h30. Sex. e sáb. até 1h

No reino do piripíri

ana baião

“Atenção, que é muito picante mesmo. Tem de pôr só um bocadinho.” O simpático Khalid Aziz, dono do Cantinho do Aziz, já deve estar cansado de repetir a frase. Mas é (mesmo) preciso fazê-lo. Este piripíri, um dos emblemas do restaurante de comida moçambicana e indiana, arde a sério. E torna-se um vício: quanto mais pica, mais dá vontade de continuar a comer. A pequena taça com a receita, que esta família trouxe do Norte de Moçambique, vem à parte e pode acompanhar qualquer um dos pratos. O frango à zambeziana (€6), o caril de caranguejo (€11) ou os camarões com quiabos (€11) são sempre boas opções.

Cantinho do Aziz
Rua das Fontainhas a São Lourenço, 5, Lisboa. Tel. 218 876 472. Segunda a sábado das 12h/16h e 19h/23h

Da Tailândia com picante

mário joão

É assumida a influência (e paixão) do chefe Miguel Laffan pela gastronomia asiática, em especial pela cozinha tailandesa. Também se deverá a ela a estrela Michelin que conquistou para o restaurante Land and Vineyards, em Montemor-o-Novo, no Alentejo. São comuns, nos seus pratos, as especiarias do Oriente. E foi o que fez, também, no espaço que abriu recentemente e que é dedicado ao frango. O tailandês (€6,90 1/2; €8,90 frango inteiro) rivaliza a nível de picante com o jamaican jerk (€8,90), mas acaba por vencer. É bom que tenha uma bebida mesmo à mão para acalmar o fogo que o prato provoca.

Chicken All Around
Avenida 24 de Julho, 50, Lisboa. Todos os dias das 12h/24h

Quando dois países se juntam

d.r.

Ibo é uma pequena ilha no Norte de Moçambique conhecida pela quantidade de gente vinda de outros continentes que ali se reuniu. Daí que possa ser uma metáfora para descrever (e bem) a cozinha do restaurante, no Cais do Sodré, a que dá nome. Tal como no território no Índico se cruzam culturas, também aqui se misturam gastronomias: a portuguesa e a moçambicana. O caril de caranguejo (€25) e o chacuti de cabrito (€25) são dois, bem picantes, exemplos.

Ibo
Cais do Sodré, Lisboa. Tel. 213 423 611. Terça a domingo das 12h30/15h e 19h30/23h; sextas e sábados até à 1h e domingos só ao almoço

Jesus! Pica (e muito)

ana baião

Vinho. Muito vinho (ácido) para cortar o picante dos pratos do chefe goês Jesus Lee Fernandes. É (quase) impossível ir a este restaurante e não pedir um dos pratos com piripíri. A receita, feita de malaguetas verdes e vermelhas, está presente em vários pratos, mas com intensidades diferentes. O ambotic de cação (€12), um prato inspirado na sopa portuguesa com o nome deste peixe, e os camarões recheados (€17) são as sugestões mais ‘quentes’ da carta. “Como a comida portuguesa não costuma ser picante, já tive clientes a achar que exagerei. E talvez até tenha exagerado”, diz Jesus.

Jesus é goês
Rua São José, 23, Lisboa. Tel. 211 545 812. Segunda a sábado 12h/15h e 19h/23h