Siga-nos

Perfil

Expresso

Sociedade

Aeroportos. Há trabalhadores que comem na máquina do raio-x

  • 333

FOTO ALBERTO FRIAS

Os trabalhadores de segurança dos aeroportos portugueses estão em greve. Lutam por melhores condições de trabalho e por mais segurança para os passageiros, porque “há pessoal com formação de cinco dias a fazer raio-x”. Sem salas de refeições com condições, são obrigados a “pedir por favor” para usarem as casas de banho de outras empresas

Muitos trabalhadores do controlo de segurança dos aeroportos portugueses comem na máquina de raio-x por falta de salas de refeições com condições e têm de “pedir por favor para usarem as casas de banho de outras empresas. O relato foi feito este sábado por trabalhadores da Prosegur, uma das empresas que, tal como a Securitas, realiza o raio-x da bagagem de mão e o controlo dos passageiros e também dos trabalhadores dos aeroportos.

Estes profissionais de segurança privada nos aeroportos nacionais iniciaram este sábado uma paralisação de 24 horas ao trabalho extraordinário, em protesto contra estas más condições laborais.

“Este trabalho tem de ser tratado com respeito”

Valmisa Magalhães trabalha há seis anos na Prosegur e a primeira razão que apresenta quando questionada sobre o que a levou a juntar-se a esta greve é a falta de respeito que sente: “Este trabalho tem de ser tratado com respeito e tem de ser levado a sério”.

"Não temos balneários, não temos uma sala de refeições em condições, temos uma sala de refeições no Terminal 1 [do aeroporto de Lisboa], mas nos outros postos os colegas são obrigados a comer na máquina de raio-x, onde não há uma pia para lavar as mãos nem uma casa de banho”, conta esta trabalhadora de 32 anos. O acesso a lavabos é outro problema: “Temos de usar as casas de banho de outras empresas próximas que, por favor, nos deixam usar. Nem os animais são tratados assim”, contou Valmisa.

“Nem no terceiro mundo”

Há 11 anos que Jorge Esteves é assistente aeroportuário, ao serviço da Prosegur, no aeroporto de Lisboa e considera que a situação em que trabalha é “o mais medíocre possível. As nossas escalas são terríveis, trabalhamos 15 dias seguidos com duas folgas intercaladas, isso é impensável. Isso não é segurança, não é nada. As nossas condições são medíocres”, acrescentou Jorge Esteves, sublinhando que “nem num aeroporto de terceiro mundo acontece o que acontece aqui”.

Paulo Dias trabalha nesta empresa de segurança há mais de 10 anos e diz que “as faltas de condições que atualmente existem no aeroporto [de Lisboa] são graves. Recebi uma escala [para o mês de setembro] em que deveria ter oito dias de descanso e tenho seis. A empresa continua a brincar com toda a gente e inclusive com a segurança dos passageiros”, lamenta.

Paulo Dias conta ainda que não tem “um sítio para comer”, nem “um sítio condigno para mudar de roupa”. Também não há balneários para tomar banho nem parque de estacionamento para os trabalhadores poderem deixar os carros, segundo este funcionário, que denuncia que, neste momento, “há pessoal com formação de cinco dias a fazer raio-x.