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Não conheço, logo desconfio

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José Carlos Carvalho

Inquérito da Deco revela que portugueses desconhecem o funcionamento de grande parte de entidades nacionais e internacionais, como o Banco de Portugal, o Banco Mundial, o Serviço Nacional de Saúde ou o Parlamento Europeu

Carla Tomás

Carla Tomás

Jornalista

Os portugueses pouco ou nada sabem sobre entidades nacionais e internacionais com impacto direto ou indireto nas suas vidas nas áreas financeira, de segurança e de saúde, constata a Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor (Deco). Com base num inquérito divulgado esta quinta-feira, a organização conclui também que “os portugueses são dos povos menos informados sobre o funcionamento, formação e competências das instituições internacionais”.

Mais de metade dos inquiridos nacionais admite que desconhece as funções, composição ou os objetivos de instituições como o Banco de Portugal, o Banco Mundial, o Parlamento Europeu, a Organização Mundial de Saúde ou o Fundo Monetário Internacional, revela o estudo publicado na revista Proteste de setembro.

O desconhecimento sobre estas instituições leva a elevada desconfiança sobre as mesmas: 73% não confiam na neutralidade do Parlamento Europeu; 53% acham que a Organização Mundial de Saúde não é independente da indústria farmacêutica, e 68% são céticos quanto à actuação do Fundo Monetário Internacional.

Mas o conhecimento ou a confiança estão longe de ser melhores quando olham para as instituições nacionais. “Oitenta e sete por cento dos inquiridos não sabem quais são os seus direitos enquanto utentes do Serviço Nacional de Saúde (SNS) e 74% não confiam no Banco de Portugal enquanto entidade supervisora do sistema bancário”, conclui a Deco.

Apenas um quarto das pessoas (de um total de 1598 inquiridos que constituiram a amostra representativa da população entre os 30 e os 74 anos de idade) disseram estar bem informadas sobre os seus direitos enquanto utentes do SNS, mas 46 por cento não sabem como fazer queixa no caso de um erro médico.

As instituições em que os portugueses parecem mais confiar são o Exército, a polícia, o sistema de ensino público e a igreja. Mas mesmo crendo nestas entidades, o nível de confiança não chega a seis numa escala de 1 a 10.

Com avaliação negativa no ranking da confiança a nível interno (ou seja, abaixo de 5) estão a Assembleia da República, os sindicatos, a Autoridade da Concorrência, a Justiça e o Banco de Portugal (este último com 3,2).