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Itália e Myanmar tremeram no mesmo dia. Há relação?

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Stefano De Nicolo /Reuters

Especialistas são unânimes na resposta à questão. Tanto Itália como Myanmar estão localizadas em zonas de grande atividade sísmica, mas os abalos registados esta quarta-feira não estão relacionados

Esta quarta-feira, com poucas horas de intervalo, ocorreram dois sismos de grande intensidade em pontos díspares do planeta. O primeiro ocorreu em Itália, às 3h30 locais, com uma intensidade de 6,2 na escala de Richter e que fez, para já, 247 mortos, havendo ainda muitos desaparecidos; poucas horas depois, foi noticiado um segundo tremor de terra em Myanmar (antiga Birmânia), de onde é mais difícil apurar informações.

A intensidade deste último foi superior, 6,8 na mesma escala e sabe-se que morreram pelo menos quatro pessoas, além de avultados danos em muitos dos 185 pagodes budistas de Bagan, ali construídos entre os séculos X e XIV e que o país continua a aguardar que sejam classificados como património mundial da humanidade pela UNESCO.

Será que existiu algum nexo de causalidade entre estes dois eventos? A resposta é um categórico não. “Estamos a falar de zonas do globo completamente diferentes. Placas tectónicas diferentes”, explica António Guerner Dias, diretor do Departamento de Geociências, Ambiente e Ordenamento do Território da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto, em declarações ao Expresso. Trata-se de uma “coincidência infeliz”, mas só uma coincidência. “Não existe nenhum fenómeno parecido com réplicas a milhares de quilómetros da origem de um sismo”, garante.

Estamos a falar de placas tectónicas diferentes, geologicamente falando. Para os interessados em sismologia, não há nenhuma surpresa em particular pelo local onde ocorreu o sismo em Itália. “Os locais onde podem ocorrer sismos são perfeitamente conhecidos. Cerca de 99% acontecem em zonas de fronteira de placas tectónicas”, lembra o especialista.

A cordilheira dos Apeninos, província de Perugia – epicentro do sismo –, está localizada na zona de junção entre as placas tectónicas de África e Eurásia. É por isso que Itália tem um longo historial de terramotos. E o mesmo se pode dizer sobre Myanmar que está fundada em cima de outra falha tectónica.

“Sismos desta intensidade, o máximo que poderão alcançar seria réplicas num raio de 50 a 100 quilómetros”, disse Michael Steckler, especialista em geofísica, da Universidade de Columbia, à “National Geographic”, num artigo que levantava a mesma questão.

YE AUNG THU / AFP / Getty Images

Em Myanmar, além dos quatro mortos o sismo danificou alguns dos célebres pagodes de Bagan, importante local turístico do país. Aung Kyaw, responsável por aquele sítio arqueológico, indicou danos em “seis dezenas de pagodes”, citado pela France Presse.