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Acaba de ser eleito presidente da Câmara. Um pequeno pormenor: está preso

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Na megacidade de Carachi, o chefe do executivo local vai exercer as suas funções a partir da cadeia

Luís M. Faria

Jornalista

Um político paquistanês chamado Waseem Akhtar foi esta quarta-feira eleito presidente da Câmara de Carachi, a megacidade portuária com mais de 20 milhões de residentes. No Conselho Metropolitano da cidade, onde teve lugar a eleição, quase dois terços dos membros votaram em Akhtar. No entanto, ele não deverá poder ocupar o seu gabinete municipal, uma vez que se encontra preso.

Akhtar pertence ao Movimento Muttahida Quami (MMQ), um partido cuja base de apoio são os Muhajirs, uma comunidade próspera que emigrou do norte da Índia após a partição do país, em 1947. Dominante em Carachi, o MMQ encontra-se há muito em conflito com as autoridades, em especial as forças de segurança, que no Paquistão representam um verdadeiro poder político autónomo. Há um mês, Akhtar foi condenado a uma longa pena de cadeia por ter instigado motins na cidade em 2007, e também por alegadamente ter tratado de fornecer assistência médica a terroristas.

Na segunda-feira, elementos do MMQ já tinham invadido uma estação de televisão após ouvirem, em direto, um discurso do seu líder máximo, Altaf Hussain, que se encontra exilado em Londres. A violência resultou num morto e em vários feridos. Entre outras coisas, Hussain chamara ao Paquistão “um cancro no mundo” e aludira ao papel do país no apoio ao terrorismo. Mais tarde pediu desculpa pelos seus comentários, justificando que resultaram de “stresse mental severo”. Outros líderes do MMQ aproveitaram para se demarcar dele.

Entretanto, Akhtar vai tentar ser libertado para exercer ao seu mandato municipal. “Estou a apodrecer na cadeia há um mês por acusações falsas, mas o povo votou por mim”. Se não for libertado, terá de ser ‘mayor’ a partir da cadeia. Um senador do seu partido explicou: “Obviamente, ele devia estar no terreno mas contornaremos isso. Pediremos ao governo para o deixar ter um gabinete na cadeia”.