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Sociedade

Médicos querem SNS tratado como a Caixa Geral de Depósitos

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Paulo Vaz Henriques

Sindicato Independente dos Médicos enviou ofício ao ministro da Saúde para que o ‘remédio’ administrado aos funcionários do banco estatal, para travar a saída para o sector privado, seja igualmente prescrito aos clínicos do Serviço Nacional de Saúde

Os responsáveis do Sindicato Independente dos Médicos (SIM) acreditam que o reforço remuneratório na Caixa Geral de Depósitos (CGD) foi uma das 'terapêuticas' adequadas para evitar a 'sangria' de funcionários para os concorrentes privados e reclamam que o tratamento seja administrado também ao Serviço Nacional de Saúde (SNS), a padecer da mesma maleita.

Esta segunda-feira, os sindicalistas enviaram um ofício para o Ministério da Saúde, pedindo a 'prescrição' de aumentos salariais também para os médicos ao serviço do Estado.

"Sangria de recursos humanos"

No documento, a que o Expresso teve acesso, o secretário-geral do SIM, Jorge Roque da Cunha, alerta que o atual 'estado de saúde' do SNS é "seriamente deficitário na sua equipa de recursos humanos qualificada" e que o "panorama é pouco tranquilizador e será ainda mais preocupante se encararmos a atual estrutura etária destes profissionais envelhecidos".

O dirigente sindical afirma ainda que "a feroz concorrência do sector privado, talvez o fator predominante deste cenário desastroso, obriga a uma abordagem semelhante à que se adotou para a CGD, de forma a que o SNS esteja competitivo e veja estancada esta verdadeira 'sangria' de recursos humanos".

São ainda referidos outros sinais de alarme. "Os concursos de assistentes que permanecem desertos", correspondendo "a mais de 20% das vagas abertas em medicina geral e familiar e nas especialidades hospitalares", e a estagnação salarial. Ao ministro da Saúde, Jorge Roque da Cunha salienta que "foi acordado que a partir de 2014 se retomaria a negociação da grelha salarial, facto que, contra todas as expectativas dos profissionais, ainda não ocorreu".

"Severo ataque por inação"

O secretário-geral do SIM critica não só a atitude do ministro Adalberto Campos Fernandes como dos restantes governantes. "A passividade dos Governos e dos partidos que o suportam no Parlamento em relação a esta matéria prefiguram um severo ataque ao SNS por inação" e, a seu ver, "torna-se necessário e urgente encontrar soluções". Desde logo, "uma solução semelhante àquela estruturada para a CGD, de forma a garantir condições de competitividade do SNS e garantir a sua sobrevivência como garante de assistência na saúde dos portugueses".