Siga-nos

Perfil

Expresso

Sociedade

Empresário francês vai pagar as multas de quem usar burquíni

  • 333

FETHI BELAID / AFP / Getty Images

Rachid Nekkaz, um conhecido empresário do imobiliário que em tempos se candidatou a presidente da Argélia, diz ter posto de parte um milhão de euros para esse fim

Luís M. Faria

Jornalista

Um francês de origem argelina anunciou que vai pagar as multas aplicadas por autoridades em diversas cidades francesas a mulheres que vão à praia com a indumentária chamada burquíni. Rachid Nekkaz, um conhecido empresário do imobiliário que em tempos se candidatou a Presidente da Argélia, explicou à estação France 24: “Sou a favor de uma lei que condene um marido que force uma mulher a usar o niqab e a obrigue a ficar em casa. Mas também sou por uma lei que deixe estas mulheres andarem livres na rua, porque liberdade de movimento, como qualquer liberdade, é a coisa mais fundamental numa democracia”.

Inventado em 2004 pela designer australiana Aheda Zanetti com o objetivo de dar a muitas muçulmanas a liberdade de irem à praia, o burquíni (biquíni+burka) é um fato de banho que cobre todo o corpo menos o rosto. Tornou-se polémico em zonas no sul de França, com vários presidentes de câmara a proibirem-no nas suas praias, e o primeiro-ministro Manuel Valls a apoiá-lo, com o argumento de que o burquíni não é uma simples indumentária como as outras, mas representa todo um projeto de submissão feminina.

Nas últimas semanas, têm sido interpeladas e multadas mulheres em cidades como Nice e Cannes. Algumas queixam-se de que serem obrigadas a despir-se não era a ideia que faziam da liberdade em França. Neste momento, já terão sido aplicadas 1165 multas em França (além de 268 na Bélgica). Nekkaz diz que até agora já gastou 245 mil euros, contando honorários de advogados. No total, reservou um milhão de euros para lutar contra uma lei que considera “injusta e opressiva”.

Embora ele próprio admita não gostar do niqab nem do burquíni – a sua mulher americana não os usa – acha importante lutar contra a “loucura antimuçulmana” em França.